31 de Fevereiro

Por Samir Naliato
Data: 28 julho, 2001

31 de FevereiroEditora: Editora Nona Arte – Mensal

Autores: André Diniz (Roteiro e Arte)

Preço: R$ 4,90

Data de lançamento: Maio de 2001

Sinopse

Brasil. Um País que passa por tempos turbulentos, inquietude política, social e econômica. Lembra algum lugar? Sim, nesse sentido se parece com o País de hoje, mas este que estamos para conhecer é um pouco diferente. Getúlio Vargas é o presidente, e o seu braço direito é PC Fortunato (o PC Farias). Já se passaram quatro anos desde que o Plano Real foi implantado, o que elevou a popularidade de Vargas por um certo tempo.

Luís Carlos Prestes lidera o CST (Coluna dos Sem-Terra) e luta pela reforma agrária. A sede do governo é o Palácio de Catete e, numa entrevista à revista Veja, Carlos Lacerda denuncia a corrupção que acontece por lá. Nenhuma delas atingem diretamente Vargas, o alvo é outro: PC Fortunato.

Ah, vale lembrar que, nessa época, a seleção brasileira foi tri-campeã mundial de futebol, contando com Pelé e Ronaldinho. Carmem Miranda foi lançada ao estrelato participando de um grupo chamado É o Tchan; a revista Bundas bate recordes de vendas na sua primeira edição, ao apresentar uma entrevista com Leila Diniz; e o cinema nacional ressurge das cinzas com O Pagador de Promessas, com Matheus Nachergaile, que faz sucesso no exterior. Por aqui, o filme que provoca comentários é Titanic, com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman.

No meio disso tudo está Gilda, um travesti que foi preso injustamente. Sai da prisão anos depois e, sem perspectiva de vida, reencontra Claudionor, que o faz uma proposta: matar Carlos Lacerda. Mas as coisas não saem como o esperado, e o tiro acaba saindo pela culatra.

Positivo/Negativo

André Diniz conseguiu criar um novo Brasil, misturando fatos e personalidades do presente e do passado. A obra de ficção foi muito bem pensada e, principalmente, executada, o que não chega a ser grande surpresa, já que em trabalhos anteriores do autor pode-se notar seu fascínio pela História do País.

A medida que era contada a história de Gilda, algumas páginas foram incluídas, como um interlúdio, para situar os leitores sobre a situação política e social em que esse novo Brasil se encontrava. Essas passagens são produzidas com colagens de fotos e recortes, uma idéia muito boa.

Apesar de o desenho de Diniz não ser do mesmo nível de seus roteiros, vale a pena comprar e ler a revista. É uma das melhores obras produzidas por criadores nacionais nos últimos tempos, mostrando que temos, no Brasil e em sua História, uma fonte inesgotável de possibilidades, bastando apenas ter uma boa idéia.

Classificação

4,0

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