A CAIXA DA BONDADE

Por Toni Rodrigues
Data: 25 junho, 2009


Autor: Mauricio de Sousa (texto e arte)

Preço: Cr$ 1.000,00 (preço da época)

Número de páginas: 48

Data de lançamento: Março de 1965

Sinopses: Niquinho, um garoto muito pobre, cuja mãe acaba de perder o emprego, é obrigado a mendigar pelas ruas de uma grande cidade. Dois homens malvados se aproveitam dessa situação para rirem do pobre menino.

Eles entregam a Niquinho uma caixa vazia e dizem que dentro dela havia um bem precioso: um punhado de bondade.

Então, Niquinho corre para mostrar o presente para sua mãe e se decepciona ao ver que dentro da caixa não há nada.

A mãe o consola dizendo que a bondade é invisível mesmo, mas que existe, sim, e com ela se conseguia qualquer coisa.

Assim, Niquinho vai comprar pão. Ele pede ao vendeiro que retire o pagamento de dentro da caixa. Para surpresa do garoto, o homem ainda volta troco!

A caixa da bondade muda a vida de Niquinho e sua mãe, que acaba conseguindo até um emprego novo, graças às roupas que comprou com a bondade retirada da caixa.

Quanto aos homens maus que tentavam se divertir à custa de Niquinho, eles descobriram que a caixa vazia que tinham achado na rua e dado ao garoto era, na verdade, a caixa mágica do Grande Martu, um famoso mágico, que guardava toda sua fortuna de maneira invisível dentro dela para escondê-la dos fiscais do imposto de renda.

Ao saberem disso, os dois malandros roubam a caixa da casa de Niquinho, mas já não tinha sobrado mais nenhuma “bondade” dentro dela e eles acabam sem nada.

Na segunda história, cujo título é Chico Bento, o leitor é apresentado ao garoto do campo, que tem 8 anos, e aos seus pais, Nhô Zé Bento e Nhá Zefa, bem como à sua avó, Dona Dita, que conta um monte de histórias que Chico gosta de ouvir, principalmente as de assombração.

Positivo/Negativo: A Caixa da Bondade é, com certeza, uma das histórias mais legais que Mauricio de Sousa já produziu. É um conto moral que, sem ser chato, ensina às crianças o valor de ser generoso com as outras pessoas.

Apesar de ser assinada corporativamente (Mauricio de Sousa Produções), este é um trabalho bastante pessoal do próprio Mauricio.

Nessa época, o autor estava empenhado em consolidar seu syndicate e, provavelmente, lhe parecia que Mauricio de Sousa Produções assim como Walt Disney Productions soava maior e mais importante do que simplesmente Mauricio. Ao que consta, ele sofreu bastante preconceito por parte de vários desenhistas da época por causa disso, mas o tempo provou que tinha razão – seus esforços frutificaram e hoje todos lhe dão o devido valor.

A história A Caixa da Bondade é desenhada num traço bastante estilizado, mais ainda do que o usado nas tiras de Cebolinha e companhia, que já saíam havia algum tempo na Folha de S.Paulo quando do lançamento deste livro.

Comparando-se com a produção do estúdio hoje, pode haver quem ache o desenho deste livro tosco. No entanto, o que falta em acabamento e técnica, sobra em personalidade e charme. E foi graças a essas características de seu desenho que o Mauricio se tornou conhecido e construiu toda a sua grande história de sucesso.

Vale dizer que a história é atemporal. Apesar de seus 44 anos, não ficou datada, pois até hoje há crianças necessitadas, gente disposta a se divertir com a desgraça dos outros e gente que sonha burlar o Imposto de Renda. Esta, aliás, é a parte mais politicamente incorreta (para os padrões modernos) da história e, apesar de engraçada, provavelmente não seria publicada assim se o livro fosse publicado hoje.

Já a história de Chico Bento, que completa o álbum, é mais próxima do estilo de desenho a que o leitor se acostumou. O texto é apenas uma introdução ao Chico Bento e seu universo, com uma leve piada final acerca do Saci Pererê. É divertida, mas não cativa leitor algum.

Este livro é muito raro e, quando aparece em algum site de leilão, alcança altos preços. Seria interessante a sua republicação como parte das celebrações dos 50 anos de carreira do Mauricio de Sousa.

Fica a torcida, porém, para que não queiram reescrevê-lo ou redesenhá-lo. O livro deveria ser republicado como as reedições dos trabalhos do Hergé, em fac-símile, com todos os defeitos que possa ter e todas as muitas qualidades também. Assim, seria preservados o sabor e a graça que ele tinha há 45 anos.

 

Classificação:

4,0

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