A CASA AO LADO

Por Eduardo Nasi
Data: 1 dezembro, 2008


Autores: Diogo Cesar (texto) e Pablo Mayer (arte).

Preço: R$ 14,90

Número de páginas: 56

Data de lançamento: Maio de 2008

Sinopse: Joinville, 29 de junho de 2007. 23h35min. O jovem Felipe leva a filha da vizinha para conhecer uma casa abandonada da vizinhança, dada como assombrada. (Espertinho o rapaz, não?)

Só que, de repente, baixa uma bruma e surgem uns vultos negros na casa. Para piorar, há um terremoto.

No dia seguinte, cabe ao coitado do pai do moleque – pressionado pela vizinha, pela ex-mulher, por uma jornalista, pela polícia e, no fim das contas, por toda a cidade – começar a busca pelos desaparecidos na casa misteriosa que, diz a lenda, é uma devoradora de gente há anos.

Positivo/Negativo: A casa ao lado é um belo achado!

Simples, sem enrolação, divertida, profundamente inventiva, a HQ é uma pequena preciosidade dos quadrinhos nacionais incorporada ao catálogo da HQM em uma edição franciscana, mas muito caprichada.

Não faz mal que não haja luxos – nem mesmo uma orelha para evitar que a capa se estropie com o passar do tempo. A HQ não precisa de frescuras pra se sustentar. Até porque não é uma obra-prima. Nem é pra ser. Afinal, seus autores têm vinte e poucos anos e, tomara, muito chão pelo frente. Mas, ainda assim, os dois sabem exatamente o que estão fazendo.

A história é, antes de tudo, despojada de pretensões. A trama simplesmente pega o leitor pela mão na primeira página e o conduz até o final. É um belo passeio, repleto de reviravoltas, com sacadas gostosas de se ler, sem percalços. Não vale nem a pena entrar em detalhes. Basta revelar que se trata de uma mistura de gêneros muito bem arquitetada – e que é apenas terror com uma dose de humor.

Separar texto e arte seria uma tarefa ingrata. Os dois estão unidos de forma incondicional. As linhas descomplicadas, com o peso certo do pop, sobrepostas a um verde-limão inusitado (e que funciona muito bem), dialogam com os textos dos balões sem frescuras nem rodeios, vão direto ao ponto.

É preciso, ainda, falar da boa construção de personagens. É, de novo, um esquema simples, porém poderoso. Tudo parte do pai de Felipe, um coitado, de dar pena. Apanha de todo lado, de todo mundo, mesmo que fique claro que não merece – ele é apenas um sujeitinho normal. Mas os outros, ah, esses estão sempre prontos para atazaná-lo. São histéricos, não ajudam em nada, só atrapalham.

Não é de se estranhar, portanto, que na hora da epifania, o pai seja justamente o descrente, o ranzinza. De todos os balões da história, o mais perfeito é aquele em que ele profere a sua penúltima fala. É a verdadeira chave de ouro.

Vale a pena insistir: A casa ao lado é uma HQ que dá gosto de se ler. Os autores fizeram a sua parte. Os editores, idem, e desta vez com louvor e um preço bem acessível. Até o governo de Joinville, veja só, deu uma força. Cabe ao leitor agora, e só a ele, se mexer e comprar.

Classificação:

4,0

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