A LIGA EXTRAORDINÁRIA – VOLUME I

Por Ronaldo Barata
Data: 1 dezembro, 2005


Título: A LIGA EXTRAORDINÁRIA – VOLUME I (Devir)
– Edição Especial
Autores: Alan Moore (roteiro), Kevin O’Neill (desenhos) e Benedict Dimagmaliw (cores).

Preço: R$ 45,00

Número de páginas: 192

Data de lançamento: Setembro de 2003

Sinopse: Na Londres de 1898 seis heróis vitorianos – Srta. Mina Murray, Allan Quatermain, Capitão Nemo, Hawley Griffin, Dr. Henry Jekyll e Sr. Edward Hyde – são recrutados por Campion Bond, representante do misterioso senhor “M”, para formar uma força tarefa a serviço do império britânico.

Sua missão: barrar os planos de dominação global do nefasto “Doutor” e recuperar um artefato singular – a Carvorita.

Positivo/Negativo: Uma dica: se nunca leu os romances de aventura e ficção científica da Era Vitoriana (em especial Drácula, de Bram Stocker; As Minas do Rei Salomão, de Henry Rider Haggard; 20.000 Léguas Submarinas, de Julio Verne; O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson; O Homem Invisível, de H. G. Wells e as histórias de Sherlock Holmes descritas nas obras de Sir Arthur Conan Doyle), leia. A diversão será dobrada quando vir o que Alan Moore fez com os personagens.

Reunindo personagens das mais famosas obras deste período, o roteirista cria um clima instigante e uma história envolvente, que prende o leitor quadro a quadro e o leva para os lados mais sombrios de uma Londres industrializada e movida a vapor.

Srta. Murray é uma aristocrata falida que, acompanhada pelo neurótico Capitão Nemo, tem a missão de reunir os demais membros da Liga. Um a um, Moore mostra os integrantes chafurdados em problemas psicológicos, sociais e morais. Há momentos em que até se pode duvidar da validade deles como “heróis”. O clima de mistério é uma constante, assim como a terrível sensação de “alguma coisa grande vai acontecer”.

O cenário é um show à parte. A todo o momento, pode-se ver referências a grandes títulos da literatura, além de sinais do fim da própria história e da próxima trama da Liga.

Kevin O’Neill dá uma aula de desenho e narrativa ao retratar este universo, desde o traço sutil, bastante linear, até a composição de cena, passando pelas estupendas tomadas de câmera que concedem ao leitor uma visão ampla do ambiente e seus suntuosos planos de fundo, sem perder o foco dos acontecimentos principais.

Após o término da história, o leitor ainda pode se divertir com uma série de estranhos (e mórbidos) “passatempos vitorianos” – o melhor é o Pintando com Números o retrato de Dorian Gray – além das capas das publicações norte-americanas e um magnífico conto envolvendo Allan Quatermain, magia negra, drogas psicodélicas e A Máquina do Tempo, de H.G. Wells. Imperdível!

A edição da Devir está impecável. O problema é que, por ser um álbum de 192 páginas coloridas, impressas em papel couché, o preço pode afastar muitos leitores. Mesmo assim, vale o esforço para adquiri-lo, pois é material obrigatório para colecionadores e aficionados por quadrinhos.

 

Classificação:

4,0

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