A saga do Tio Patinhas – Volume 2

Por Renato Félix
Data: 24 abril, 2015

A saga do Tio Patinhas - Volume 2Editora: Abril – Minissérie mensal em duas edições

Autor: Don Rosa (roteiro e desenhos) – Originalmente em The Life and Times of Scrooge McDuck.

Preço: R$ 14,95

Número de páginas: 144

Data de lançamento: Junho de 2007

Sinopse

Depois de achar ouro no Klondike, Patinhas volta à Escócia para acertar contas com o passado e expande sua riqueza pelo mundo, se tornando cada vez mais avarento e até cruel.

Positivo/Negativo

“Então fiquei rico”.

Assim começa o primeiro capítulo do segundo volume desta segunda edição brasileira de A Saga do Tio Patinhas (a história havia sido publicada em 2003, em formatinho e em duas partes, e ganhou nova versão em 2015, em álbum único e capa dura). Para muitas histórias, esse momento seria o final redentor. Mas não para o pato mais rico do mundo, na visão de Keno Don Rosa.

Pelo contrário, a trama ganha contornos cada vez mais dramáticos nos quatro últimos capítulos (os oito primeiros estão no Volume 1). Eles mostram o pato já rico, mas acumulando tanto dinheiro quanto problemas pessoais.

Aqui, a história mostra como ele resolveu se estabelecer em Patópolis, a construção da caixa-forte e como se deu o afastamento de sua família, que o levou ao isolamento amargurado até que o encontro com parte de seus parentes – Donald, Huguinho, Zezinho e Luizinho – o fez retomar o gosto pela aventura.

Chega a ser surpreendente a carga emocional que Don Rosa imprimiu à trajetória do pato mais rico do mundo. Partindo principalmente de uma passagem narrada em Donald na África (1949), de Carl Barks, o quadrinhista mostra a perigosa derrocada moral de Patinhas do jeito que o próprio personagem narrou (então, ainda em desenvolvimento e em tempos menos preocupados com o terceiro mundo, sem demonstrar muita culpa).

A última parte se passa em um hiato de tempo dentro de Natal nas Montanhas (1947), uma ideia bastante feliz, mesmo que Don Rosa tenha tido que contrariar um pouco o que Carl Barks narrou na ocasião (quando não tinha a menor intenção de ser canônico).

O visual do quaquilionário, por exemplo, é diferente. Certas atitudes da trama de 1947 também são mudadas para se ajustarem à cronologia da minissérie.

O começo do último capítulo também guarda uma paródia excelente de – nada mais, nada menos – que Cidadão Kane (1941), o clássico do cinema dirigido por Orson Welles. A comparação de Patinhas com o magnata Charles Foster Kane, em que pesem as diferenças entre os dois, é um golpe de mestre para dar a partida na conclusão da história.

É o coroamento do incrível trabalho de costura das referências ao passado do quaquilionário que Carl Barks foi soltando em suas histórias, sem qualquer intenção de criar uma cronologia coerente. Don Rosa amarrou essas pontas e aparou as arestas. O resultado é esta impressionante biografia.

A edição inclui, ainda, três capítulos extras escritos e desenhados por Don Rosa após a conclusão da minissérie. Dois deles são flashbacks em que Patinhas conta histórias do passado aos sobrinhos.

Mas o primeiro é uma espécie de De Volta para o Futuro, em que a Maga Patalójika volta no tempo, ao dia em que o menino Patinhas ganha sua moedinha número 1, para pegá-la antes e fazer seu tão sonhado amuleto. É uma ótima aventura, bem encaixada no primeiro capítulo oficial da saga.

Como no primeiro volume, cada capítulo possui notas explicativas baseadas em textos originais de Don Rosa, mas convertidos para a terceira pessoa. Isso porque nenhum dos volumes desta edição de A Saga do Tio Patinhas menciona o quadrinhista como autor das histórias (os motivos da omissão estão explicados na resenha do primeiro volume – veja aqui).

Classificação

4,5

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