A Teia do Aranha # 129

Por Rodrigo L. Monteiro
Data: 16 março, 2001

A Teia do Aranha # 129Editora: Editora Abril – Revista mensal

Autores: Homem-Aranha – John Byrne (texto e lápis), Al Milgrom (arte-final);

Homem-Areia – John Byrne (texto e arte);

Garota-Aranha – Tom DeFalco (texto), Pat Oliffe (lápis) e Al Williamson (arte-final).

Preço: R$ 4,90

Data de lançamento: Julho de 2000

Sinopse

John Byrne encerra o seu trabalho em Gênese. Nesta edição são mostrados: o primeiro confronto do Cabeça de Teia com Kraven; seu segundo encontro com o Duende Verde, recontando a história em que Peter foge do vilão devido a um ataque cardíaco sofrido por sua tia May; o Aranha enfrentando a Vespa e o Gigante em um plano bolado pelo Cabeça de Ovo para colocá-los em conflito; a primeira vez que Peter desistiu de ser o Aranha; sua volta por cima em um confronto com o Homem-Areia; e, por fim, a “nova” origem desse vilão.

John Byrne consegue, sabe-se lá como, ligar tudo de mal que acontece na vida do Homem-Aranha a Norman Osborn. Inclusive mostrando que o Homem-Areia é primo em determinado grau do industrial – os dois tiveram a mesma bisavó (!).

A Garota-Aranha, por sua vez, continua a enfrentar o desafio de combater o crime sem a aprovação do pai. Dessa vez, o leitor conhece mais formalmente o Destruidor – o Demolidor do MC2 -, Nova, o mesmo da atualidade, e ao alter ego da versão do Fanático presente neste universo que, ao que parece, estará limitado às histórias de May Parker por aqui.

Na segunda história de May, um de seus amigos vai a julgamento, e ela é obrigada a intervir quando o Oito Maluco causa um belo tumulto no tribunal. Peter acaba entrando em ação depois de anos, para ajudar a filha e acaba aceitando treiná-la. Uma ótima história de Tom DeFalco, na qual pode-se ver as circunstâncias que rondaram a aposentadoria do Homem-Aranha.

Positivo/Negativo

Definitivamente, a Garota-Aranha é a grande estrela da Teia do Aranha. Tom DeFalco vem dando um verdadeiro “show de bola” no trato da personagem. É impressionante perceber a virada que deu em sua capacidade de escrever desde que largou um decadente Quarteto Fantástico Pré-Heróis Renascem.

A trama que ele cria, em especial em Tal Pai, Tal Filha é muito bem amarrada e tem um final que, sem exageros, lembrou os velhos e bons tempos do Aranha.

Por outro lado, a tão falada Gênese acabou sem fazer falta. Se atendeu ao seu objetivo, que era apresentar o Homem-Aranha aos leitores mais novatos, não dá pra dizer. John Byrne teve algumas sacadas interessantes ao conseguir ligar a origem de Peter à do Dr. Octopus e dar um ar mais pirotécnico à mesma.

Mas os méritos de “Mr. Byrne” param por aí. O autor não conseguiu o resultado que já obtivera em sua passagem pelo Super-Homem e pelo Quarteto Fantástico, porque a origem e o Ano 1 do Aranha não precisavam de uma revisão.

Antes de escrever esse review, fiz um teste comparativo e aconselho a todos que puderem que o façam: li todo o material escrito por Byrne para Gênese e, depois, li a mesmas histórias quando republicadas em Spider-Man Collection. É até covardia, mas deu pra ter uma idéia comparativa melhor entre os trabalhos.

Retirando as mudanças e adaptações feitas por Byrne para adequar o Aranha aos anos 90, as história de Stan The Man Lee conseguem passar uma carga emotiva não sentida em momento algum de Gênese.

Stan mostra um domínio fantástico sobre o Aranha e seus personagens coadjuvantes. Por isso, se um leitor novato quiser conhecer o Homem-Aranha, a dica é Spider-Man Collection, os primeiros números de A Teia do Aranha e algumas histórias dessa fase espalhadas nas mais diversas revistas da Abril, em especial em Marvel Especial # 1 e 2 (1986) nos quais, apesar dos cortes, que não são poucos, é mostrada toda a trajetória de lutas entre o aracnídeo e o Duende Verde, culminando numa das melhores histórias do personagem em todos os tempos: A Noite em que Gwen Stacy morreu.

Gênese pode servir para adequar o aracnídeo aos novos tempos e leitores, mas não é nem sombra do trabalho brilhante que Stan Lee, Steve Ditko e outros realizaram nos verdadeiros primórdios do Cabeça-de-Teia.

O impressionante é que Gênese passou a ser considerada a cronologia oficial do Aranha, sendo que o trabalho de Lee agora só serve como curiosidade. É por isso que, muitas vezes, a Marvel é criticada. Com razão.

Classificação

4,0

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