Akira Especial # 1

Por Guilherme Kroll Domingues
Data: 21 maio, 2007

Akira Especial # 1Editora: Editora Globo – Edição especial

Autores: Katsuhiro Otomo (roteiro e desenhos) e Steve Oliff (cores).

Preço: (preço da época)

Número de páginas: 392

Data de Lançamento: Janeiro de 1992

Sinopse

Em Dezembro de 1992 um novo tipo de bomba explodiu na área metropolitana do Japão. Nove horas depois começou a Terceira Guerra Mundial.

38 anos depois da guerra, o planeta está reconstruído. A trama de Akira se passa em Neo-Tokyo City, em 2030. Um grupo de motoqueiros se vê envolto com um fato estranho que os levará a um mundo cheio de intrigas e situações paranormais.

Positivo/Negativo

Akira Especial # 1 é um encadernado que compila os primeiros seis números da revista mensal que a Globo lançou no começo dos anos 90.

Akira foi um dos primeiros mangás a serem publicados no Brasil – e isso apenas porque atingiu um imenso sucesso em todo mundo, sobretudo nos Estados Unidos, onde ele foi “invertido” quanto à ordem de leitura e colorizado. A versão em cores foi a que saiu por aqui.

É fácil afirmar que Akira é uma das melhores HQs de todos os tempos. Katsuhiro Otomo desenvolve uma trama excelente, envolvendo ficção científica, personagens poderosos, adolescentes problemáticos, intrigas governamentais, uso de drogas e muito mais. Contribui para a qualidade do gibi a maravilhosa colorização de Steve Oliff, com a participação ativa de Otomo.

O roteiro começa freneticamente, introduzindo um grupo de motoqueiros adolescentes que se envolvem num acidente com uma criança estranha. Ela tem a pele e os cabelos brancos, um número tatuado na mão e está no meio da auto-estrada.

Quando confrontada, a criança desaparece, dando lugar a dezenas de soldados armados que fazem perguntas e levam o motoqueiro acidentado, Tetsuo.

Em poucas páginas, Otomo deixa no ar diversas perguntas que fazem o leitor mergulhar na trama. Contudo, como é característico da ficção-científica cyberpunk, muitas delas ficam sem respostas ou sua solução está bem escondida na história, à medida que ela se delineia.

Tetsuo e o líder da gangue de motoqueiros Kaneda também são personagens marcantes desse tipo de narrativa popularizado pelo escritor americano Philip K. Dick. Eles estão envolvidos numa trama muito maior do que imaginam e não tem a menor idéia do que está acontecendo. Por isso, agem de maneira caótica, o que é uma característica particular dessa ficção.

Conforme a história evolui, novos personagens enigmáticos são introduzidos e fica bem claro que se tem um “herói” e um “vilão” na figura dos outrora amigos Kaneda e Tetsuo, respectivamente. Mas suas atitudes são sempre ambíguas.

Outro ponto interessante é que Otomo mostra os dois com não mais do que 15 anos de idade, se drogando, se envolvendo em guerras de gangue e até mesmo matando. Sua abordagem é direta e chocante, porém interessantíssima.

A cada capítulo mais perguntas vão surgindo, como: quem são as crianças numeradas? De onde vêm os poderes de Tetsuo? Quem é Akira? E o roteiro vai se desenvolvendo como uma espiral em torno dessas indagações, mas sem respondê-las, pelo menos de imediato.

Balanceado com tudo isso estão cenas de ação de tirar o fôlego, como a luta entre uma coalizão de gangues lideradas por Kaneda e a gangue dos Palhaços, de Tetsuo.

O traço de Otomo é limpo, bem como a diagramação das páginas. Não há poluição visual e as cenas são claras. Entretanto, o autor é bastante detalhista e coloca bastante informação em cada um dos requadros.

Apesar de alguns fãs xiitas de mangá discordarem, o fato de a HQ ser invertida e colorida não desmerece sua qualidade. Pelo contrário, agrega valor (com as cores) e a adapta para a nossa cultura (com a inversão).

Entretanto, seria interessante se alguma editora brasileira lançasse Akira hoje como foi concebido originalmente, ou seja, com leitura da direita para esquerda e em preto-e-branco, pois há toda uma geração que não leu esta obra soberba e mais outra que gostaria muito de ter a série em sua coleção.

Classificação

5,0

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