ALMANAQUE XANADU

Por Marcelo Naranjo
Data: 1 dezembro, 2007


Título: ALMANAQUE XANADU (Grafipar) – Edição especial

Autores: A saga de Xanadu – Watson Portela (roteiro e desenhos);

Vôo livre – Watson Portela (roteiro e desenhos);

A Cidade dos Deuses – Mozart Couto (roteiro e desenhos).

Preço: Cr$ 260,00 (na época)

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Dezembro de 1982

Sinopse: A saga de Xanadu – Os gnomos azuis vivem em harmonia,
protegidos pela magia do feiticeiro Melro.

Quando Duendes das Trevas atacam a aldeia, a única forma de salvação que
o feiticeiro encontra é invocar um poderoso espírito vingador, no corpo
de um dos gnomos.

Vôo livre – Uma verdadeira “viagem” em busca de uma resposta.

A Cidade dos Deuses – Conquistadores ambiciosos querem os tesouros
incas da Cidade dos Deuses, e vão descobrir que lendas terríveis são muito
mais do que isso.

Positivo/Negativo: A Grafipar,
de Curitiba, apostou forte nos quadrinhos nacionais entre o final da década
de 1970 e inicio dos anos 1980. Entre os nomes que estiveram na editora,
alguns destaques foram: Franco de Rosa, Ataíde Braz, Mozart Couto, Watson
Portela, Claudio Seto, Toninho Lima, Itamar Gonçalves e outros.

Buscando se firmar no mercado, a editora teve sucesso principalmente com
quadrinhos eróticos, mas atacou em todas as frentes possíveis: faroeste,
fantasia, infantil etc. Os resultados foram variados: a Grafipar
publicou histórias que variavam do ótimo ao ruim, algumas inclusive cópias
descaradas de material estrangeiro.

Mas é inegável que marcou época em relação aos quadrinhos brasileiros.

Quanto a esta edição, a primeira aventura, A saga de Xanadu, mostra
Watson Portela em plena forma, com traço estilo mangá – bem antes do sucesso
do gênero por aqui, e pouco utilizado nas HQs daquela época. A temática
de fantasia também remete aos quadrinhos japoneses.

Vôo livre, que saiu originalmente no fanzine/revista Historieta,
era parte de um arco maior de histórias que foi um dos grandes sucessos
de Watson Portela, chamado Paralelas, com algumas das suas histórias
iniciais publicadas na revista Spektro,
e com enorme influência de quadrihistas europeus, em especial, Moebius.

É uma trama diferente, aparentemente sem pé nem cabeça e, como o próprio
título define, o melhor é embarcar nos elementos subjetivos e citações
e aproveitar o passeio.

Por fim, A Cidade dos Deuses tem o traço de Mozart Couto em plena
forma, um tanto “pesado” e abusando de tons escuros para contar uma interessante
história sobre lendas incas em meio a indígenas e feiticeiros, temática
que nem sempre rende HQs interessantes – mas aqui o quadrinhista acertou
a mão.

Classificação:

4,0

• Outros artigos escritos por

.

.

.