Animal’z

Por Milena Azevedo
Data: 14 maio, 2013

Animal'zEditora: Nemo – Edição especial

Autor: Enki Bilal (roteiro e arte).

Preço: R$ 54,00

Número de páginas: 104

Data de lançamento: Outubro de 2012

Sinopse

Num futuro não muito distante ou numa realidade paralela à nossa, um cataclismo ecológico altera radicalmente a face da Terra, esfacelando a organização social. Em meio ao caos, alguns sobreviventes se lançam ao mar em busca de uma nova terra prometida, um Eldorado em que possam refazer suas vidas.

Positivo/Negativo

São poucos os quadrinhistas que conseguem projetar seus trabalhos no seleto círculo das chamadas “grandes artes”.

Enki Bilal (nascido em Belgrado, na antiga Iugoslávia, mas naturalizado francês) ultrapassou as barreiras imaginárias que separam a arte comercial e o erudito, tornando-se o primeiro artista de quadrinhos a ganhar uma exposição no Museu do Louvre, em Paris, entre o final de 2012 e o início de 2013.

Um dos méritos de Bilal é ser mestre da ficção distópica, criando estonteantes mundos fantásticos e futuros sombrios – metáforas para críticas pontuais à sociedade e à política contemporâneas -, delineados por seu estilo inconfundível de bicos-de-pena, acrílico, pastel e crayon.

Questões de ordem ecológica também fazem parte de suas tramas, mas em nenhuma delas estão mais presentes do que em Animal’ z, lançado no Brasil pela Editora Nemo, cuja principal linha editorial tem sido obras europeias.

Animal’z é uma parábola sobre a relação Homem x Meio, mostrando como a extremada manipulação da natureza em prol da ciência apenas gera uma insossa monocromia niveladora de todas as formas de vida, na qual nem as corporações detentoras da alta tecnologia saem ilesas.

O leitor é privado de ver o desastre ecológico, conhecido como “Golpe de Sangue”, pelo qual passou o que parece ser o planeta Terra. Um prólogo apenas explica o ocorrido, para, em seguida, mostrar um cinzento cenário pós-apocalíptico.

Os poucos humanos que restaram tentam sobreviver a uma desconhecida epidemia radioativa, em um meio inóspito e totalmente desequilibrado, em que a comunicação é falha e o mar é a mais segura via de locomoção.

O estreito E17, região que abriga um dos míticos El Dorados (lugares não atingidos pelo cataclismo), passa a ser disputado por diferentes grupos sócio-políticos, porque lá se pode achar mananciais de água doce e, assim, recomeçar a vida no planeta.

O cinza que impregna cenário e personagens torna o clima densamente solitário e desagradável. E quando as cores ameaçam aparecer, vêm em tom vermelho: filetes de sangue, olhos raivosos e animais robôs.

O que poderia ser uma aventura repleta de clichês, nas mãos de Bilal torna-se uma trama lúcida e original, graças à sua habilidosa verve irônica e personagens intrigantes.

De forma soberba, ele remete essa jornada pós-apocalíptica às expedições europeias iniciadas no Século 15, que deixaram o adoecido Velho Mundo em busca da esperança virginal da América.

Aproveitando a temática atualíssima, Enki Bilal, que também é cineasta (com três longas na carreira: Bunker Palace Hotel, Tykho Moon – Segredos da eternidade e Immortel), está adaptando Animal’z para o cinema, com roteiro escrito a quatro mãos por ele e Olivier Roth, mesclando animação 2D e 3D com live-action.

Classificação

4,5

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  • Não achei lá essas coisas, fica legal de meio para o fim e mesmo assim é chato.