ANITA GARIBALDI – O NASCIMENTO DE UMA HEROÍNA

Por Sidney Gusman
Data: 1 dezembro, 2010

ANITA GARIBALDI - O NASCIMENTO DE UMA HEROÍNA

Editora: Independente – Edição especial

Autor: Custódio (roteiro e arte).

Preço: R$ 20,00

Número de páginas: 48

Data de lançamento: Julho de 2010

 

Sinopse

Este álbum relata um período nunca abordado da vida de Anita Garibaldi: a juventude da brasileira que ficou conhecida como a “heroína de dois mundos”. E do seu nascimento ao envolvimento amoroso com o italiano Giuseppe Garibaldi, muita coisa aconteceu.

Positivo/Negativo

Dos dez projetos beneficiados pela primeira edição do ProAC – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo, em 2008, este era o mais aguardado, em virtude de ser sobre uma personagem real, uma mulher que se tornou um mito no Brasil e na Itália.

E foi justamente o último a ser publicado, algo justificado pelo fato de demandar uma grande pesquisa histórica por parte do autor. Mas, enfim, Anita Garibaldi – O Nascimento de uma Heroína ficou pronto e passará a ser vendido em breve.

Mas o resultado, infelizmente, não faz jus à expectativa gerada. O álbum é correto no que diz respeito a contar os fatos, mas padece de uma série de problemas editoriais. A começar por usar apenas 43 das 64 páginas de miolo para contar a história, efetivamente, em quadrinhos.

Ao terminar a leitura, é nítido que a excelente pesquisa que Custódio realizou (algo que fica evidente nas páginas finais do livro) precisava de mais espaço para ser retratada. Mais até do que as 64 que a edição dispõe.

Por causa disso, em várias passagens, a trama fica corrida e os personagens acabam não exercendo o fascínio que deveriam. A própria Anita aparece bem menos do que Giuseppe Garibaldi, em virtude de todo o contexto histórico que cerca o período enfocado no álbum.

Sobre a infância e a juventude da protagonista, mesmo, se fala pouco. Ao contrário do que era a proposta da história.

E é justamente quando se afasta do rigor histórico que Custódio cria os melhores momentos do roteiro, como, por exemplo, ao exercer liberdades poéticas como a de introduzir os gêmeos Cosme e Damião na trama e garantir momentos mais bem-humorados; ou fazer o pai de Anita à semelhança do ator italiano Carlo Vicente Pedersoli, mais conhecido como Bud Spencer.

O ponto alto de Anita Garibaldi é, sem dúvida, a arte. A reconstituição histórica de prédios e cenários a partir de fotos e pinturas antigas é impressionante. E o traço do autor, mesmo com uma pegada mais humorística, é muito agradável, especialmente pela boa narrativa que possui.

O único senão quanto à arte é a opção pelo preto e branco no miolo. Não que
tenha ficado ruim, pois Custódio domina bem as técnicas de claro e escuro,
mas só dois vencedores do primeiro ProAC não saíram coloridos:
este e Fractal.
E é inevitável a comparação, já que todos receberam a mesma verba, de 25
mil reais para a produção.

E, a julgar pela bela capa, se as páginas internas fossem coloridas, o visual ganharia muito. Até mesmo nas chances de adoção em planos governamentais de incentivo à leitura.

Por falar nisso, o que prejudica o resultado final, pra valer, é a falta de um trabalho competente de revisão. Num álbum com potencial gigantesco para adoção em escolas, é inadmissível que haja mais de duas dezenas de erros. É praticamente um a cada três páginas.

São crases mal colocadas, como “à Roma” (p. 17), “à Portugal” (p.20), “à Garibaldi”, em referência a Giuseppe (p. 43), “à bordo” (p. 47) e “à óleo” (p. 65); palavras grafadas na antiga ortografia (o livro traz a indicação de ter sido escrito sob a nova), como “heróicos” (p. 11) e “idéias” (p. 27); erros de digitação, como “Urugai” (p. 21), “portugueeses” (p. 31), “cobate” (p. 36) e “depedaçados” (p. 52); e até mancadas de concordância como “nossos barcos estão cheio…” (p. 52) e a não acentuação de “têm”, usado no plural, nas páginas 24 e 34.

Há ainda vírgulas mal (ou não) colocadas, problemas de hifenização e outros erros não listados aqui, para não ocupar mais espaço na resenha. Esperava-se mais cuidado nesse sentido, ainda mais porque, nas páginas iniciais do álbum, há um agradecimento do autor à pessoa que fez (?) a revisão.

Como Custódio já disse que pretende continuar a contar em quadrinhos os demais “capítulos” da vida de Anita Garibaldi, fica a dica para que tenha com o texto o mesmo apuro que mostrou na pesquisa. Afinal, a “heroína de dois mundos” merece.

Classificação:

4,0

• Outros artigos escritos por

.

.

.