Antes de Watchmen – Volume 6 – Ozymandias

Por Audaci Junior
Data: 7 fevereiro, 2014

Antes de Watchmen – Volume 6 – OzymandiasEditora: Panini Comics – Maxissérie mensal

Autores: Ozymandias – Len Wein (roteiro), Jae Lee (desenhos) e June Chung (cores) – Originalmente em Before Watchmen – Ozymandias #1 a #4;

A condenação do Corsário Carmesim – John Higgins (roteiro e desenhos) – Originalmente em Before Watchmen – Comedian # 4, Moloch # 1 e Ozymandias # 4.

Preço: R$ 16,90

Número de páginas: 144

Data de lançamento: Outubro de 2013

Sinopse

Ozymandias – Adrian Veidt tem um sonho de um planeta melhor e mais justo, onde nenhum ser humano tenha de conhecer a miséria, a escravidão e a guerra. Ele está disposto a sacrificar sua própria humanidade por isso.

Amplas eram suas asas de dragão – Parte dois – Mesmo aprisionado por uma tribo que faz sacrifícios humanos, o oficial júnior da marinha real inglesa continua sua missão maldita de obter três itens em troca da liberdade de sua alma, detida pelo Corsário Carmesim.

Positivo/Negativo

O passado de Adrian Veidt/Ozymandias é descortinado nesta edição. Mas vale a pena escavar mais sobre um dos personagens menos carismáticos da famosa obra de Alan Moore e Dave Gibbons?

Len Wein, editor original de Watchmen e escritor do começo da história de terror do final de cada volume deste projeto, A condenação do Corsário Carmesim, não chega a deixar de lado a pomposa verborragia vinda da escola dos anos 1970 e 80 que entopem recordatórios, mas sua narrativa é mais fluída aqui.

A preocupação é abrir mais os horizontes oferecidos por Moore sobre as origens do Ozymandias. No entanto, o exercício “criativo” de Wen não acrescenta em praticamente nada ao personagem.

Um exemplo é sobre a posição sexual do “homem mais inteligente do mundo”. Em determinado momento, bem velado, na viagem de autodescobrimento do protagonista, um “conhecido” no Tibete oferece haxixe a Veidt.

Isso mostra um conservadorismo do roteirista, visto que sua descrição é feita nos próprios pensamentos do personagem. Por que Ozymandias iria ter autocensura na sua biografia, se é tão esclarecido assim? Apenas uma saída de Wen para não cair em polêmicas sobre homossexualidade.

Outra incongruência diz respeito à apropriação da tecnologia oriunda dos poderes do Dr. Manhattan, sugerindo que Adrian Veidt desenvolveu naves mais leves e carros elétricos sem o consentimento do onipresente herói, apesar de eles trabalharem juntos.

No mais, sem ousar, Wen preenche os detalhes da obra original, mostrando a construção da fortaleza na Antártica, a reunião desastrosa dos vigilantes, a compra da ilha e a contratação dos profissionais para a feitura do projeto que salvará o mundo, a descoberta do plano pelo Comediante, entre outros tópicos “durante” Watchmen.

Apesar da belíssima arte do sempre competente Jae Lee (junto com uma diagramação arrojada), os desenhos dificultam o desenrolar da narrativa, por ser tudo muito “posado”, incluindo ações simples como uma luta. Tal excesso faz com que cada quadro seja mais uma ilustração individual do que a dinâmica de uma história em quadrinhos.

Pior é a saga de A condenação do Corsário Carmesim, na qual John Higgins continua o falatório. Mesmo com bons desenhos, é o “tapa-buraco” do projeto.

Classificação

1,5

• Outros artigos escritos por

.

.

.

  • Audaci Junior

    Bom, houve realmente um “sucesso” imediato no plano de Ozymandias, Luiz, mas ele não era tão infalível assim [SPOILERS a seguir pra quem não leu]:

    Antes do Dr. Manhattan ir embora, na sala de Veidt, ele pergunta se tudo deu certo no final. Jon responde dizendo “Nada chega ao fim, Adrian. Nada.” Nesse instante, ele se teleporta e aparece um cogumelo atômico na abóbada da miniatura do sistema solar que estava na sua frente. Era uma “mensagem”, pois Manhattan sabia do futuro e não tinha mais os táquions para atrapalhá-lo naquele momento… No último quadro dessa página, podemos observar a cara de aflição do Ozymandias, sabendo –
    naquela hora – que o seu plano não era tão perfeito assim!

  • Audaci Junior

    Entendeu errado, meu caro. Não estava dizendo que era necessário uma “ilustração escancarada” de nada! Falei que a narrativa da história parte dos pensamentos do protagonista e, como consequência, era para Ozymandias não “esconder” nada na sua própria cabeça. Essa subjetividade poderia ser sutil e poderia ser traduzida em palavras ou de qualquer outra forma, evidentemente. Mas ele não esconderia seus mais secretos desejos de si mesmo, já que tudo era narrado dentro da sua cachola…