Arcane Sally & Sr. Vapor

Por Isabelle Felix
Data: 25 fevereiro, 2019

Arcane Sally & Sr. VaporEditora: independente – Edição especial

Autores: David Hedges (roteiro) e Jefferson Costa (arte) – Originalmente em Arcane Sally & Mr. Steam # 1 a # 3 (tradução de Tasso Micchetti).

Preço: R$ 55,00

Número de páginas: 112

Data de lançamento: Fevereiro de 2019

Sinopse

Lorde Percival Cawthorne, ou Sr. Vapor, e seu fiel servo, o Sr. Runnymede, são membros da agência secreta que cuida de assuntos sobrenaturais para a Coroa da Inglaterra. Vários dos seus colegas morreram ao receber o caso de Thaddeus Capela, julgado, condenado à forca e executado quatro meses atrás. Mas ele voltou à ativa realizando roubos e assassinatos.

É o temível monstro Capela.

Intrigado e ciente de que todos seus predecessores faleceram, Sr. Vapor pega o caso. Contudo, terá de trabalhar com outro agente. Ou melhor, outra agente: Srta. Sally. Ele não confia muito nela, por ser demasiadamente soturna.

E esse conflito que existe no ar também terá de ser explicado.

Positivo/Negativo

O mistério foi plantado nesta sobrenatural e instigante webcomic que, graças ao financiamento coletivo, ganhou uma edição encadernada dos três primeiros volumes. Primeiro nos Estados Unidos, em 2017, pelo Kickstarter, e depois aqui no Brasil, pelo Catarse.

O suspense e o charme britânico nunca largam as páginas, nem com explosões ou monstros. Girando ao redor de três personagens carismáticos, alguns arquétipos são bem trabalhados aqui.

O personagem principal, Sr. Vapor, é um investigador deveras sagaz, charmoso e típico solteirão, que mantém uma fachada para agradar família e a sociedade. Mas não por causa de um segredo macabro – se é que trabalhar no serviço secreto sobrenatural da rainha da Inglaterra é macabro o bastante…

Contudo, ele não segue a linha de personalidade arrogante, como muitos investigadores famosos. Ainda que tenha seus momentos de rispidez, Vapor não é pedante e nem é guiado pelo desejo de menosprezar os outros.

Esse é um detalhe que já dá a letra de que os autores não querem cair em clichês que mantêm personas tóxicas à sociedade só porque sempre funcionaram na literatura. Ou seja, não é o detetive homem branco metido a sabichão e maldoso com todos que o cercam que sempre está certo, ou a mocinha que invariavelmente precisa de ajuda para ser salva, e por aí em diante.

Isso traz à tona Sally, a parceira que é, em si, um mistério à parte. Pouco se fala dela, mas, ainda assim, ela consegue roubar a cena sempre que aparece. Isso também por causa de um recurso na narrativa usado na sua presença. E, mesmo que tenha aparência frágil, é interessante notar as feições fortes e decididas que transparecem em seu rosto, passando uma segurança nos seus atos.

Completa o time o sidekick Sr. Runnymede, que serve tanto de alívio cômico como atua em momentos de informação sobre cenário e ambientação.

Com essa tríade bem azeitada, a narrativa fica fluida e interessante, prendendo a leitura. O mistério e a aventura estão sempre presentes.

O roteiro é bem estruturado. Vai direto ao assunto, de forma compassada, cada momento devidamente encaixado na narrativa, mas plantando sementes de dúvidas aqui e ali. É honesto, simples e entretém. E deixa um bom gancho para o próximo volume, ainda não lançado lá fora.
O destaque vai para a arte, um deslumbre só. Com um traço estilizado, Jefferson Costa capricha nos detalhes e na paleta de cores frias, para dar o tom de suspense. Tudo tem movimento estilo cinematográfico e uma fluidez elegante. Cada personagem ganha um estilo diferente, de acordo com sua personalidade.

O galante e rico Sr. Vapor, que se orgulha de não ter uma boa reputação, é britânico, mas de criação americana. Então, tem um rosto mais angular, rude, traços grossos. Já a misteriosa, decidida e inteligente Sally ganha linhas finas e belas, uma aura altiva e um olhar perscrutante. E o simpático e rechonchudo Runnymede tem traços mais arredondados e ar cartum.

A edição nacional, com papel couché e capa com orelhas, é superior à norte-americana, impressa em off-set e capa simples. Essa diferença ressaltou a arte de Jefferson Costa.

Para quem tiver interesse, a obra também está disponível online, em inglês, clicando aqui.

Classificação:

3,5

• Outros artigos escritos por

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  • Eduardo Lemos

    Eu fiz a minha contribuição via cartase, e até hoje ainda não recebi minha edição e eu mando e-mail e ninguém me responde sobre.

  • Claudinei Pinas

    O link dá erro.