AS AVENTURAS DE TINTIM – EXPLORANDO A LUA

Por Sidney Gusman
Data: 10 dezembro, 2008


Autores: Hergé (roteiro e desenhos).

Preço: R$ 34,50

Número de páginas: 64

Data de lançamento: Dezembro de 2007

Sinopse: Tintim, capitão Haddock, professor Girassol, o engenheiro
Wolff e Milu desmaiam logo após a decolagem, devido à pressão sobre seus
corpos. Quando despertam, descobrem que o foguete trouxe mais dois “hóspedes”,
os aparvoados detetives Dupond e Dupont, que estavam escondidos para vigiar
a nave e confundiram o horário do lançamento (acharam que era 13h34min,
e não 1h34min).

A partir daí, a viagem se traduz em diversas dificuldades, antes e depois
da chegada ao solo lunar. Mas o que os tripulantes não contavam era que,
além da missão científica, teriam que enfrentar um inimigo que, clandestinamente,
estava a bordo e pode botar todo o projeto a perder. Juntamente com as
vidas de Tintim e seus amigos.

Positivo/Negativo: Tintim foi o primeiro terráqueo a pisar na Lua.
Ao menos para seu criador, Hergé, que publicou esta aventura pela primeira
vez em 1954, 15 anos antes de Neil Armstrong pisar o solo lunar, em 1969.
A conclusão da história, iniciada no álbum
anterior
, não deixa nada a desejar.

Mesmo com o clima de perigo presente a todo momento, o humor, uma das
características principais da série, se faz presente sempre que o autor
queria “quebrar”o ritmo da trama.

Assim, Haddock fica bêbado a bordo, os cabelos e bigodes de Dupond e Dumont
crescem assustadoramente (como já havia acontecido em Tintim no país
do ouro negro
), o professor Girassol bate a cabeça dos policiais gêmeos
etc. Tudo entremeando momentos de suspense e ação. Hergé (pseudônimo de
Georges Remi) era mestre nisso.

Centro Belge de la Bande Dessinée
Do momento em que é revelado o espião a bordo, o autor mantém o suspense
sempre em alta, deixando os personagens “do bem” em sérios apuros. E o
mais interessante é que, no desfecho, não tem dúvida de incluir na trama
um assassinato e um suicídio.

Outra coisa interessante é a forma lúdica com que Hergé inclui na aventura
informações reais a respeito, por exemplo, dos circos lunares e do asteróide
Adônis.

Claro que a inocência mostrada em diversas situações soa pueril (imagine
pessoas serem escolhidas como astronautas sem um preparo especial e ainda
levarem um cachorro!), mas As Aventuras de Tintim nunca foram um
retrato fiel da História. Pelo contrário. Justamente essa mescla com fantasia
é um dos segredos de seu sucesso.

Centro Belge de la Bande Dessinée
Uma curiosidade adicional: no Centro Belge de la Bande Dessinée
(veja aqui
o relato de uma visita ao local) há uma réplica de pouco mais de dois
metros de altura do foguete usado pelos personagens nesta aventura. A
nave foi inspirada nos mísseis balísticos V2, usados pelos alemães durante
a Segunda Guerra Mundial.

Quanto ao trabalho da Companhia das Letras, ele só não é impecável
por causa de um “risco de vida”, na página 19 – o correto seria “risco
de morte”. Além disso, algo que poderia melhorar ainda mais os álbuns
é ampliar as informações quando se faz uma remissão a histórias anteriores.
Para quem não as leu, o ideal seria explicar nessas notas de rodapé o
que aconteceu (já que isso não fica claro na HQ) e não apenas mencionar
que o fato ocorreu em determinada edição.

Mas isso não diminui em nada o trabalho realizado com esta aventura, que
é um clássico das HQs mundiais e, junto com o álbum que o precede, merece
estar nas prateleiras dos apreciadores da boa arte seqüencial.

Classificação:

4,0

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