AS AVENTURAS DE TINTIM – RUMO À LUA

Por Sidney Gusman
Data: 10 dezembro, 2008


Autores: Hergé (roteiro e desenhos).

Preço: R$ 34,50

Número de páginas: 64

Data de lançamento: Dezembro de 2007

Sinopse: Assim que retornam de mais uma aventura, Tintim, Milu e o Capitão Haddock são informados de que o professor Girassol viajou para a Sildávia; e recebem do amalucado físico um telegrama pedindo para que eles rumem ao seu encontro.

Depois de uma viagem cercada de cuidados e mistérios, os aventureiros encontram o professor Girassol e descobrem que ele está construindo um foguete para ir à Lua! E quer que Tintim, Haddock e Milu estejam entre os tripulantes.

A missão, que já não é simples, piorará ainda mais, pois é descoberta a ação de um espião na base sildava.

Positivo/Negativo: Começa neste álbum uma das mais memoráveis aventuras de Tintim, publicada pela primeira vez entre 1952 e 1953, 16 anos antes de Neil Armstrong pisar o solo lunar em 1969 e quatro anos antes do lançamento do Sputnik (o primeiro satélite espacial feito pelo homem), em 1957.

Rumo à Lua foi inspirado pelo filme Destination Moon, de 1950, dirigido por Irving Pichel e baseado no livro homônimo do famoso escritor de ficção Robert Heinlein. A trama é uma deliciosa sucessão de intrigas, ação e piadas. E tudo com pitadas de ensinamentos científicos, por parte do professor Girassol e seus ajudantes.

Hergé (pseudônimo de Georges Remi) era um mestre na arte de contar histórias. E como, originalmente, Tintim não era publicado em álbuns, mas em revistas semanais, vale notar que o autor quase sempre encerrava as tiras (seqüências de três quadrinhos) com um gancho, um momento que “fisgasse” o leitor, deixando-o interessado pela continuação.

Além disso, ao mesmo tempo em que construía um cenário de suspense e aventura, Hergé jamais se descuidou do humor, que surge sempre na
hora certa, entre um momento de tensão e outro, cortesia do professor Girassol, dos atrapalhados policiais Dupond e Dupont e do capitão Haddock – seus xingamentos são um capítulo à parte, tanto que (acredite!) ganharam no mercado um francês um dicionário só para eles.

Um dos grandes momentos acontece quando o pacato e quase surdo professor Girassol se enfeza e parte pra cima de Haddock, exigindo desculpas pelo capitão ter dito que as pesquisas do cientista eram “brincadeirinhas”.

Impressionante como, mesmo numa estrutura de quadros que pouco variava, Hergé impunha aos seus trabalhos uma narrativa eficiente. Em alguns momentos, ele exagerava no excesso de textos dos balões, mas trata-se de um retrato da época. E seu desenho era excelente. Não à toa, é o “pai” do estilo linha clara, que até hoje é marca registrada de tantas HQs franco-belgas, com seguidores mundo afora.

A história termina logo após a decolagem rumo à Lua (os momentos que antecedem
a contagem regressiva são angustiantes) e deixa o leitor ansioso pelo
álbum seguinte. Sorte que a Companhia
das Letras
lançou os dois na mesma “fornada”. Aliás, o trabalho da
editora é irretocável. Apesar de parecer o mínimo exigível, uma “obrigação”,
é preciso elogiar o cuidado com o português. Não há nenhum erro, bem diferente
do que, infelizmente, se vê na maioria das publicações de quadrinhos em
bancas e até em livrarias.

Em pouco mais de dois anos, a Companhia das Letras já lançou 15 dos 24 álbuns de Tintim. Um trabalho que vem tratando o personagem como o clássico que realmente é. Em breve, a editora terá em seu catálogo a série completa desta HQ atemporal, que vem passando de geração a geração há décadas com a mesma qualidade.

Classificação:

4,0

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