AS AVENTURAS DE TOM SAWYER

Por Sidney Gusman
Data: 1 dezembro, 2010

AS AVENTURAS DE TOM SAWYER

Editora: Salamandra – Edição especial

Autor: Jean David Morvan e Frédérique Voulyzé (roteiro) e Séverine Lefèbvre (arte e cores), sobre o texto original de Mark Twain.

Preço: R$ 39,90

Número de páginas: 112

Data de lançamento: Setembro de 2010

 

Sinopse

Tom Sawyer é um jovem órfão que vive com seu irmãozinho Sid na casa de sua tia Polly. Preguiçoso de marca maior, ele se recusa a fazer qualquer esforço, salvo quando se trata de seduzir a bela Becky.

Com seu companheiro Huck, Tom se entrega a todo tipo de bagunça: os dois vivem pregando peças e pintando o sete, até o dia em que testemunham um assassinato.

Agora, o medo de o criminoso também os pegar está sempre presente durante suas aventuras.

Positivo/Negativo

No ano passado, a Salamandra trouxe para o Brasil a coleção Ex Libris, da editora francesa Delcourt, que adapta grandes clássicos da literatura mundial para os quadrinhos. Foram dois álbuns excelentes: Frankenstein e Robinson Crusoé, que foram, inclusive, selecionados para o PNBE – Programa Nacional Biblioteca da Escola em 2011.

Este Tom Sawyer é o terceiro livro do selo e, infelizmente, não consegue manter o alto nível. A adaptação do texto, feita por Morvan e Voulyzé, é “correta”, mas o protagonista e seu amigo Huckleberry Finn carecem do carisma do texto original.

Talvez porque o que prejudica demais o álbum é a arte de Séverine Lefèbvre. O seu desenho, em estilo mangá, nem é tão ruim; o problema é que, em momento algum, a narrativa da trama se assemelha à das HQs japoneses. São páginas e mais páginas truncadas, repletas de quadrinhos e com diagramações “caretas”, que truncam o ritmo da leitura.

Falta à artista justamente o domínio das técnicas de narrativa. A única coisa que lembra o estilo mangá é mesmo o visual dos personagens, com olhos grandes e arregalados, cabelos estilizados etc. A explicação talvez esteja na página 4: Lefèbvre é ilustradora e este é seu primeiro álbum de quadrinhos. E, com certeza, desenhar para esses dois mercados é bem diferente.

Ao menos as cores agradáveis utilizadas pela artista dão conta do recado.

Editorialmente, o trabalho da Salamandra é bom. Há apenas três vacilos: no quarto quadro da página 114, as falas das duas meninas estão trocadas; e dois erros de revisão – um “garanyo” (em vez de “garanto”), na 120; e um “não fiz nada de mal” (o correto é mau), na 138.

A Delcourt começou esta coleção primando pela escolha de artistas com traços ousados, que casam muito bem com as adaptações a eles destinadas. Neste Tom Sawyer, faltou rigor editorial nesse sentido.

Classificação:

4,0

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