AS COBRAS – ANTOLOGIA DEFINITIVA

Por Sidney Gusman
Data: 1 dezembro, 2010

AS COBRAS - ANTOLOGIA DEFINITIVA

Editora: Objetiva – Edição especial

Autor: Luis Fernando Verissimo (roteiro e arte).

Preço: R$ 49,90

Número de páginas: 200

Data de lançamento: Setembro de 2010

 

Sinopse

Coletânea da tira As cobras, criada em 1975 pelo escritor e cartunista gaúcho Luis Fernando Verissimo para o jornal Zero Hora, de Porto Alegre/RS, e que posteriormente foi publicada em periódicos de todo o Brasil.

Positivo/Negativo

No release desta obra, Luis Fernando Verissimo diz que esta série é “o produto da combinação do meu gosto por quadrinhos com minhas limitações como desenhista. Cobra é muito fácil de fazer, só tem pescoço”.

Modesto, ele só não conta que as tiras – que têm, sim, um desenho bastante limitado – são geniais justamente em sua simplicidade (como também era a sua Família Brasil). Isso porque seu texto afiado (e muitas vezes a ausência dele) segura as piadas com extrema categoria.

Tanto que As cobras chegaram a ganhar um curta de animação em 1985,
produzido por Otto Guerra, José Maia e Lancast Mota, que pode ser conferido
aqui.

E uma série que nasceu na época da ditadura manter-se atual ainda hoje é prova disso. Pode ser mesmo que o Brasil tenha permanecido infelizmente inalterado em alguns setores da sociedade, mas algumas tiras parecem ter sido feitas recentemente. Como as várias sobre futebol ou as de política, que versam sobre corrupção, escândalos e pesquisas eleitorais – numa delas, vem a pergunta: “Vocês votariam numa mulher para presidente… ou na mesma porcaria de sempre?”

Que Verissimo é um mestre com as palavras, todos que já o leram algum dia sabem. No entanto, ver como ele domina o texto num espaço tão curto, algo que muitos quadrinhistas não conseguem fazer, demonstra também sua versatilidade.

Ao final de tantas tiras em sequência, o texto encanta de tal forma que o leitor pode até achar o desenho “bonitinho”. E vale notar uma peculiaridade: Verissimo só pontua o final das frases quando usa exclamação, interrogação ou reticências.

O livro é dividido em dez capítulos: As cobras existencialistas, As cobras e o futebol, As cobras e Deus, As cobras e o poder, As cobras filhotes, As cobras históricas, As cobras na praia, As cobras literárias, As cobras no espaço e As cobras e outros bichos.

Em todos há tiras sensacionais. Mas a sequência Grandes obras combinadas, em As cobras literárias, é impagável, com misturas como: Guerra e Paz nas Estrelas, Casablanca e Senzala, O Pequeno Príncipe de Maquiavel e Batman e Robin Hood.

E, numa tira em que os protagonistas não têm nomes, vale destacar também os coadjuvantes, como Dudu, o alarmista, Queromeu, o corrupião corrupto, as lesmas Flecha e Shirlei, o jogador de Falcon (certamente inspirado no volante Falcão, o maior ídolo do Internacional de Porto Alegre, time de coração de Verissimo), o sapo príncipe Felipe, Sulamita, a pulga lasciva, a tia jiboia e outros.

Editorialmente, o trabalho da Objetiva é competente. A impressão é boa, a diagramação com três a quatro tiras por página ficou “na medida”, bem como a abertura de cada capítulo. E a capa emulando um papel de guardanapo foi uma bela sacada. Na revisão, passou apenas um “Onde você vai?” (o correto seria “aonde”), na página 19.

As cobras – Antologia definitiva foi um excelente resgate da Objetiva e teve uma edição à altura de sua qualidade. Um dos lançamentos do ano.

Classificação:

4,0

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