ASA NOTURNA – O ALVO

Por André Craveiro
Data: 1 dezembro, 2011

ASA NOTURNA - O ALVO

Editora: Abril Jovem – Edição especial

Autores: – Chuck Dixon (roteiro), Scott McDaniel (desenhos), Aaron Sowd (arte-final), Dave Stewart (cores) e Trevor McCarthy (capa) – Originalmente publicado em Nightwing: The Target, em 2001.

Preço: R$ 3,50

Número de páginas: 48

Data de lançamento: Março de 2002

 

Sinopse

Durante uma perseguição policial à noite, Dick Grayson testemunha horrorizado um espancamento de dois garotos por colegas de corporação nos esgotos de Blüdhaven. Pego de surpresa, sofre um golpe traiçoeiro e cai inconsciente.

Ao acordar, percebe que está sendo acusado da agressão que presenciara. Sem testemunhas ou quaisquer outras provas para defender-se, tinha unicamente a sua palavra contra a de veteranos corruptos da corporação policial.

Percebendo que tem parte da polícia contra si e evitando mais prejuízos à sua nova carreira, além de um suspeito envolvimento que sua identidade como Asa Noturna levantaria no caso, Dick cria uma segunda identidade – o “Alvo” – para prosseguir com as investigações e incriminar os verdadeiros responsáveis pelo incidente.

Positivo/Negativo

Entre o término da infortunada era Premium e o retorno dos formatinhos às bancas brasileiras, a Abril lançou uma singela coleção de edições especiais inéditas em formato maior (21 x 27,5 cm), equivalentes aos que sua principal concorrente, a Panini, adotava até então, estreladas por alguns super-heróis da DC Comics.

Dos personagens do primeiro escalão da editora, um deles despontava na sua primeira publicação solo em bancas brasileiras: o eterno ex-menino prodígio Dick Grayson, agora sob a alcunha de Asa Noturna.

Apesar de a capa ostentar o conhecido uniforme azul e preto encimado pelo nome do herói de Blüdhaven, Dick só o usa ambos nas primeiras páginas e na última cena da revista.

Durante todo o restante da história, devido ao caso de corrupção policial em que fora injustamente envolvido, Grayson passa a usar, por um breve período, uma nova identidade que reflete bem seu estado de espírito e sua situação perante os acontecimentos: o Alvo.

Do começo ao fim, a narrativa demonstra, com méritos, que o antigo parceiro de Batman pode sustentar ótimas histórias sem a sombra de seu mentor para ofuscá-lo.

Essa liberdade em trabalhar o personagem cria situações interessantes: o clima policial envolvente, aliado às habilidades detetivescas aprendidas durante os anos sob a tutela do principal defensor de Gotham, gera um conto rápido e empolgante, cuja leitura flui numa tacada só.

Para esse resultado, a escolha da equipe criativa foi adequada.

Dixon e McDaniel foram os responsáveis por grande parte da primeira série solo do Asa Noturna, lançada em 1996, quando o jovem vigilante decidiu patrulhar a cidade vizinha de Blüdhaven e tomá-la para si como seu defensor.

Chuck Dixon é um velho conhecido do universo singular do Morcego e trabalhar com alguns desses personagens secundários é algo comum para o escritor. Dentro da sua já esperada mediania literária, mais uma vez cumpre bem o papel e entrega uma aventura competente, não subestimando as capacidades do protagonista.

Na arte, Scott McDaniel soube tirar proveito do perfil ginasta do herói e não economizou nos momentos em que a agilidade e a destreza física do “Alvo” preenchem as páginas com acrobacias, pancadaria e tiroteios na dose certa para o clima da HQ. Ótimos painéis ilustrativos conferem boas cenas nesse sentido.

Importante salientar, também, que a capa utilizada para a edição nacional não é a original elaborada para a versão norte-americana.

Na verdade, pertence à edição # 60 da série regular do herói (publicada na revista Batman # 4, pela Panini, em 2003), apenas com o acréscimo de uma mira telescópica sobre a imagem para justificar o título da trama.

Apenas como adendo, vale mencionar o fato de que, para uma época na qual as revistas em quadrinhos tornavam-se cada vez mais dispendiosas ao bolso do leitor, o preço de capa compensava – e muito – o tamanho, a quantidade de páginas e a impressão de qualidade, semelhante às outras edições especiais lançadas em conjunto naquele período.

Pena que a famigerada linha Planeta DC não seguiu o mesmo bonde.

Classificação:

4,0

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