ASTERIX – O DIA EM QUE O CÉU CAIU

Por Sidney Gusman
Data: 1 dezembro, 2005


Autores: Albert Uderzo (roteiro e arte).

Preço: 23,90

Número de páginas: 48

Data de lançamento: Novembro de 2005

Sinopse: Num dia estranho, Asterix e Obelix saem para caçar, mas encontram os javalis petrificados. O mesmo ocorre com outros gauleses e com alguns romanos. Enquanto os dois tentam desvendar o que está acontecendo, com a ajuda de Panoramix, a aldeia recebe a visita de extraterrestres.

Tuncar, um representante dos Walneydistianos, veio à Terra para alertar sobre os perigosos e feiosos Nagmas. Os dois povos travam uma guerra espacial há tempos e, agora, ambos querem se apossar da arma secreta dos gauleses: a poção mágica feita por Panoramix.

Como Asterix, Obelix e companhia se safarão dessa?

Positivo/Negativo: Se há um adjetivo que possa sintetizar esta edição é triste. Não, os críticos europeus não exageraram. A mais recente aventura de Asterix é pífia, talvez a pior já protagonizada pelo personagem.

O uso de extraterrestres já destoa um bocado das aventuras dos irredutíveis gauleses, mas se fosse feito com competência, não haveria problema. O roteiro é fraco, truncado e não envolve o leitor. E, pra piorar as coisas, é permeado de preconceitos tolos de Uderzo com outros gêneros de quadrinhos.

Os mangás, que ano a ano conquistam mais espaço na França, são tratados como vilões da história e meras “cópias” do que se faz em Walneydist. Os super-heróis são ridicularizados na forma de clones burros parecidos com o Superman, comandados pela paródia de Mickey Mouse chamada Tuncar.

Se ao menos isso fosse feito com uma ironia sutil, como René Goscinny fazia, vá lá. Mas não é o caso. É tudo escancarado: para Uderzo, Disney é legal, super-heróis e mangás são um lixo, como se não houvessem grandes obras em ambos. O autor, que, evidente, pouco (ou nada) lê de outros gêneros, nem ao menos se preocupou em não generalizar. Colocou tudo no mesmo balaio.

Assim, o uso dos anagramas Walneydist (Walt Disney), Nagmas (mangás) e Hubs (Bush), que poderia ter rendido boas piadas, acaba soando banal.

Não bastasse tudo isso, o fato de Panoramix topar entregar a poção para os alienígenas soou como uma ofensa para os fãs veteranos. Ora, quantas e quantas vezes os gauleses se engalfinharam com inimigos mais poderosos que eles para defender seu maior segredo? Goscinny deve ter se revirado no caixão!

Até no desenho (no qual sempre exibiu talento), Uderzo mostra que não é mais o mesmo, pois o preciosismo na construção de cenários de outros álbuns ficou para trás. Há até um erro feio de continuidade: na página 10, o Superclone aparece com um anel na mão esquerda; e na seguinte, ele “salta” para a direita!

Asterix é uma marca tão forte que, independente da ruindade da história, vendeu – antecipadamente – cerca de oito milhões de exemplares na Europa. Como havia quatro anos que não saía um álbum do personagem, a esperança por uma boa aventura, após o fraco Asterix e Latraviata, era grande. A decepção foi geral. É fato: Uderzo vem decaindo a cada nova edição.

E como o autor já disse que a série se encerrará quando ele morrer, infelizmente, as últimas aventuras de Asterix, Obelix, Panoramix, Veteranix, Abracurcix, Idéiafix, Chatotorix, Ordenalfabetix e outros gauleses geniais em nada lembrarão seus dias de glória. Quer um conselho? Releia os álbuns antigos!

Em tempo: a edição da Record está primorosa. Papel bom, acabamento impecável, adaptação de texto competente. Com certeza, merecia “embalar” um conteúdo melhor.

 

Classificação:

4,0

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