AVENIDA # 1

Por Zé Oliboni
Data: 1 dezembro, 2007


Título: AVENIDA # 1 (Avenida)
– Revista independente

Autores: Olhos de quem vê – Rui Silveira (roteiro e arte);

Amor à primeira vista – Wellington Marçal (roteiro e arte);

O tiro de salvação – André Caliman (roteiro e arte).

Preço: R$ 3,00

Número de páginas: 24

Data de lançamento: Março de 2007

Sinopse: Olhos de Quem Vê – Seja bem-vindo à Avenida. Seria um lugar comum se não fossem os acontecimentos e histórias que o tempo deixou para trás, as pessoas que nela vêm e vão diariamente, os segredos e mistérios guardados através de cada parede em cada esquina.

Alce vôo pelos seus caminhos, por olhos um tanto quanto inusitados.

Amor à primeira vista? – Para Primo Biu não tem dia ruim, tudo é festa, cerveja, rock’n’roll, cerveja, mulher, cerveja, paz e amor… Falando nisso, nosso herói acomodado, se encontra no maior desafio da sua vida: uma paixão à primeira vista;

O tiro de salvação – José da Silva, aparentemente um trabalhador comum que vive há muitos anos na Avenida, subitamente resolve acabar com a própria vida, numa atitude desesperada para fugir de sua frustrada realidade.

Mas ele não esperava que teria uma surpresa em seu derradeiro momento.

Positivo/Negativo: Avenida é uma grande surpresa entre as revistas independentes e uma prova definitiva de que artistas brasileiros com talento e boa vontade podem fazer um material de alta qualidade e comercialmente viável.

O grande trunfo da revista é seu visual agradável, muito bem pensando e que apresenta histórias com três estilos de desenhos bem diferentes, mas que não são contrastantes a ponto de tirar a identidade da publicação.

Além disso, a temática é coesa. Cada autor contou sua história, no seu estilo, mas mantendo um fio condutor, a Avenida. Interessante, pois isso ajuda a dar identidade à revista e, o assunto avenida oferece muitas possibilidades de trabalho.

Olhos de quem vê abre a edição mostrando justamente isso. História simples, com ares poéticos e arte muito bem cuidada, mostra que tudo pode acontecer em uma Avenida, depende apenas de quem olha, para onde olha e qual a perspectiva.

Vale uma atenção especial para a bela arte de Rui Silveira, com tons de cinza que dão a impressão de o desenho ainda estar inacabado. O leitor consegue ver algumas linhas de construção, riscos de esboço, mas a arte-final é caprichada a ponto de se perceber que essas “sobras” são propositais e funcionais.

Amor à primeira vista, de Wellington Marçal, dá o ponto de equilíbrio e descontração à revista. Tem um humor clássico, feito pelo narrador que interage com a história, e um personagem central todo atrapalhado. O desenho também é bem executado, com um traço simples, porém eficaz.

Fechando a revista, André Caliman apresenta uma história forte, marcada por cenas que dão intensidade e peso à narrativa. O trabalho visual com o branco e o preto é excelente, mas o traço fino às vezes descaracteriza um pouco os desenhos, como a mulher chorando na página 28.

Talvez Caliman ainda tenha que encontrar um equilíbrio para a sua arte, pois vê-se pelos esboços nas páginas 4 e 29 que o desenho é mais encorpado, mas o traço ficou fino demais na arte-final.

Mesmo assim, é uma HQ excelente, bem construída e que pode exigir uma segunda leitura para mostrar como tudo nela é conectado.

No geral, Avenida é uma revista que todos devem procurar sem pensar que é um quadrinho nacional ou não, pois ela tem o principal: qualidade.

Classificação:

4,0

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