As Aventuras de Luther Arkwright – Volume 1

Por Daniel Lopes
Data: 18 fevereiro, 2011

As Aventuras de Luther Arkwright - Volume 1Editora: Via Lettera – Série em duas edições

Autor: Bryan Talbot (roteiro e arte).

Preço: R$ 34,00

Número de páginas: 120

Data de lançamento: Novembro de 2000

Sinopse

Luther Arkwright é o único homem capaz de viajar por diversas dimensões paralelas – o multiverso. Graças a essa sua habilidade ímpar, ele integra uma equipe que luta para manter a ordem nas mais diversas realidades.

Os seus principais inimigos são os Dilaceradores, seres que lideram impiedosamente alguns mundos paralelos e que recentemente tomaram posse de um artefato chamado Fogo Gélido, que pode destruir o multiverso.

Positivo/Negativo

As aventuras de Luther Arkwright é uma obra primorosa, original e paradigmática, pois foi o estopim para a revolução que os quadrinhos viveriam na década de 80, e que culminaria na famosa “invasão britânica”, na qual autores e desenhistas ingleses passaram a ser publicados nas duas maiores editoras dos Estados Unidos, a DC e a Marvel, revitalizando as HQs norte-americanas.

Bryan Talbot foi uma declarada influência para Alan Moore, que, por sua vez, teve a mesma importância para Neil Gaiman. E o resto é história. Talvez isso baste para atiçar a curiosidade sobre o fantástico autor desta obra, que ainda não tem todo o reconhecimento que merece.

A saga de Luther Arkwright já continha diversos elementos que estariam nas histórias de Moore, Gaiman, Grant Morrison, Warren Ellis e cia. Iniciada em 1978, possui uma abordagem adulta, trata de política, religião, filosofia e ciência com doses de erotismo, humor negro e violência.

A obra não é adulta somente devido ao seu conteúdo: a própria narrativa gráfica é ousada, repleta de experimentalismo, não cronológica, com cortes abruptos, vinhetas, técnicas de desenhos diferentes gerando composição de páginas inusitadas. Tudo isso faz da história um quebra-cabeça de início difícil, no qual as peças vão se encaixando lentamente, mas de maneira instigante.

Trata-se de uma baita história de ficção científica steampunk. Complexa e sofisticada, exige muita atenção e, por vezes, o roteiro de Talbot é prolixo em demasia o que, aliado a não-linearidade, pode tornar a leitura um pouco maçante e confusa.

Mas esta é uma obra em que é preciso estar preparado para uma leitura densa, repleta de camadas. Não espere acabá-la rapidamente.

A edição da Via Lettera é razoável, quase não possui extras, exceto pela introdução de Alan Moore e um fundamental apêndice ao final do volume, que merece ser lido antes da HQ, pois explica e “refresca a memória” sobre diversas referências usadas por Talbot durante a trama.

Isso, com certeza, ajudará muito no entendimento mais apurado e no prazer de montar o quebra-cabeça que é este primeiro volume de As aventuras de Luther Arkwright.

Faltou uma melhor revisão ao álbum, pois deixaram passar erros bobos de acentuação e gênero. Também fez falta a numeração de páginas e elencar as referências com números sobrescritos com o apêndice final.

Classificação

4,5

Daniel Lopes é editor do Pipoca e Nanquim

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