Avril Lavigne’s girlfriend: sleight of hand… and heart

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 15 agosto, 2014

Avril Lavigne's girlfriend: sleight of hand... and heartEditora: House of Parlance – Edição especial

Autores: Gail Simone (roteiro), Nelson Garcia e Nomadic Alternatives (arte).

Preço: US$ 10,99

Número de páginas: 92

Data de lançamento: Março de 2008

Sinopse

Graphic novel inspirada na música Girlfriend, de Avril Lavigne. Marta é uma garota esperta, mas com roupas e amizades fora dos padrões, que vive sendo humilhada pela cruel Layla Summers.

Só que Marta vai tentar não apenas roubar o namorado da rival, por quem nutre uma paixão há anos, como também uma vingança por tanto sofrimento.

Positivo/Negativo

Avril Lavigne’s girlfriend: sleight of hand… and heart foi a segunda investida da estrela do pop rock no mundo dos quadrinhos, dando prosseguimento à minissérie em formato mangá Faça 5 pedidos, que teve dois (de cinco) números lançados aqui pela Pixel, em 2007.

Para esta graphic novel, foi escalada a roteirista Gail Simone, veterana de títulos marcantes da DC Comics, como Aves de Rapina e Mulher-Maravilha, nos quais provou entender como poucos o universo feminino. E foi uma escolha bastante acertada.

Desde o surgimento bombástico com o álbum Let Go, de 2002, a aparente rebeldia sem causa de Avril conquistou fãs adolescentes, e não sem motivos. O som das guitarras colocava em evidência versos sinceros sobre relacionamentos, situações cotidianas e a sensação de crescer sozinha numa cidade pequena do Canadá.

Com o passar do tempo, a cantora amadureceu suas composições, atingindo um ponto de virada em Goodbye Lullaby, mas sem perder a espontaneidade original. Girlfriend, a canção de sucesso vertida para arte sequencial, é bem simples e direta, com melodia grudenta e um “drama” típico da faixa etária. Por mais improvável que pareça, também é material para uma boa história.

Gail Simone e o ilustrador Nelson “Dedos” Garcia conduzem a narrativa como uma comédia cinematográfica, daquelas estreladas por Lindsay Lohan em meados dos anos 2000, divertida e de ritmo contagiante. Não se deve esperar uma busca pelo sentido da vida ou reflexões válidas sobre o plano existencial, apenas curtição e uma boa trama sobre namoro.

Girlfriend foi o primeiro single do álbum The best damn thing, de 2007, justamente o mais pop e descolado da carreira de Avril. O gibi absorve essa força e carrega suas energias na ambientação colegial de paixões não correspondidas e disputas de popularidade. Situações e personagens soam arquetípicos, mas com nuances que mantêm o interesse do público.

Curioso que a protagonista Marta anda de skate e seu visual lembra o da própria Avril Lavigne, na ocasião de seu debute artístico, anos antes. Sem dúvida, uma jogada esperta para atrair simpatia dos fãs. E o clímax ocorre logo num show da artista, que assume papel de destaque na narrativa e redireciona seus rumos.

A edição, colorida por computador, tem uma arte que lembra animações modernas e vibrantes. Se personalidades e problemas surgem bem diretos e algumas vezes previsíveis, a resolução do conflito é um ponto positivo pelo aspecto inesperado que assume. A autora consegue surpreender até num trabalho menor.

A relação entre música e quadrinhos vem de décadas, com adaptações inspiradas, personagens transitando entre os dois universos e citações artísticas que fazem a alegria dos aficionados.

Vale citar como exemplo o caso dos gibis estrelados pela banda Kiss, além de biografias de astros consagrados. Avril Lavigne’s girlfriend: sleight of hand… and heart não iniciou uma nova tendência no meio, mas se destaca pelo diálogo honesto que estabelece com seu público e por capturar o espírito original da canção.

Evidente que este público não é o de consumidores ávidos por super-heróis, mas de jovens que apreciam o trabalho de Avril, e procuram leitura diferenciada. O fato de contar com uma escritora de respeito é só um bônus extra que faz toda a diferença.

Ainda que pouco discutida, a edição está esgotada e não sai por menos de 80 dólares em livrarias virtuais. Para os fãs, novas adaptações de letras de Avril seriam bem recebidas, embora hoje isso seja improvável. Vale, portanto, ligar o som com volume alto e curtir essa experiência única de quadrinho musical.

Classificação

3,5

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