BANZO E BENITO

Por Eduardo Nasi
Data: 1 dezembro, 2010

BANZO E BENITO

Editora: Zarabatana – Edição especial

Autores: MZK (texto e arte).

Preço: R$ 34,00

Número de páginas: 64

Data de lançamento: Abril de 2010

 

Sinopse

Coletânea de tiras protagonizadas pela dupla de amigos Banzo e Benito – respectivamente, um tigre e um jacaré. Todas originalmente publicadas na Folhinha, suplemento infantil da Folha de S.Paulo a partir de 2004.

Positivo/Negativo

Uns anos atrás, a gente dizia que as cidades eram “selvas de pedra”. É uma expressão curiosa, que tem a ver com a ideia besta de que as metrópoles, em oposição à natureza selvagem, seriam um ambiente em que tudo está sob controle.

Espantadas com a própria incapacidade de controlar o ambiente urbano, as pessoas atacavam: “Isto é uma selva de pedra!”, como se fosse uma grande ofensa.

Um bom tempo se passou. Boeings atingiram arranha-céus, pontes foram erguidas, túneis foram cavados, favelas se alastraram, mansões ganharam piso térmico para que ninguém pise na laje fria. E aí as cidades ficaram mais congestionadas, ecumênicas e, acima de tudo, incontroláveis.

Todo mundo aceitou que não havia nada de mais em ser uma selva. E que, ainda que houvesse, não tinha opção.

MZK sabe disso. É um artista múltiplo. É DJ em baladas, faz grafite, pinta, expõe, faz fanzines, vai criando por onde passa. A mistura da selva com a cidade é um tema recorrente em sua obra.

Ano passado, expôs máscaras e objetos de uma civilização que viveu no bairro paulistano do Butantã – tudo invenção da cabeça dele.

E por falar em selva, foi justamente na Animal que MZK fez seu trabalho mais conhecido pelos leitores de HQs.

Tudo isso pra dizer que as intersecções entre selva de verdade e cidade são um tema recorrente na obra de MZK. E pra calar a boca de quem tentar olhar Banzo e Benito como um trabalho menor só porque é infantil.

Menor não é.

Tem cores vibrantes, tem um humor simples, tem referências a outras obras infantis. Às vezes, é mais doce, noutras é mais ácida. Há algumas piadas até meio bobas, como a do maior metaleiro do mundo – mas aí a arte de MZK, com seu trabalho visual encantador, faz com que o leitor perdoe.

O que não dá pra negar é que, ao longo desses cinco anos que a coletânea compila, MZK foi pegando traquejo. As primeiras tiras são legais. Mas é mais pra frente que Banzo e Benito tem seus melhores momentos.

A tira fica mais solta, MZK brinca, experimenta mais, melhora a interação entre a dupla, deixa o traço se destacar em histórias de um quadro só, homenageia Mauricio de Sousa e Charles Schulz. São as melhores passagens.

Mais uma vez, a Zarabatana – casa do notável homem-editora Claudio Martini – acerta em cheio. É uma belíssima estreia para o selo Zarabatana Mirim, dedicado aos quadrinhos para crianças.

Classificação:

4,0

• Outros artigos escritos por

.

.

.