BATMAN ANUAL # 3

Por André Craveiro
Data: 1 dezembro, 2011

BATMAN ANUAL # 3

Editora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Michael Green (roteiro), Denys Cowan (desenhos e capa), John Floyd (arte-final) e I.L.L. (cores) – Originalmente publicado em Batman Confidential # 7 a # 12, em 2007 e 2008.

Preço: R$ 15,90

Número de páginas: 144

Data de lançamento: Abril de 2011

 

Sinopse

No início de sua carreira como o protetor mascarado de Gotham City, o Cavaleiro das Trevas parecia ter conseguido o impossível: o crime tinha diminuído, a esperança havia aumentado e o povo finalmente podia dormir tranquilo.

No entanto, surge uma carta fora do baralho, conhecida pelos poucos criminosos com quem atuou e que conseguiram sair respirando como “Jack”.

Ele é um sociopata que encontrou uma nova razão para viver: derrotar o Morcego. Agora, Batman precisa se livrar de tudo que achava saber sobre o combate ao crime para enfrentar uma nova espécie de assassino.

Mas, em sua desesperada corrida para deter esse monstro, o herói pode se tornar outro monstro…

Positivo/Negativo

Batman e Coringa. Uma rivalidade, muitas encarnações.

Ao longo de sete décadas, a eterna batalha entre os rivais é palco das mais variadas interpretações, verdadeiros desfiles de uma poderosa quebra de braço que constantemente renova o interesse dos fãs.

O leitor brasileiro pode conferir mais um “primeiro embate” dos eternos arqui-inimigos nesta edição anual, compilando um arco de seis edições originárias do título Batman Confidential – série regular que apresentava aventuras iniciais das primeiras semanas de Batman em ação, seguindo a tradição estabelecida pela predecessora Legends of The Dark Knight.

Como grande parte das edições do mencionado título, a história foge da cronologia oficial do herói. Isso é visto na própria narrativa, uma versão “alternativa” deste primeiro encontro, diferente do que fora mostrado em outras obras, como A piada mortal e O homem que ri.

Se assim for encarado, mesmo pelos fãs mais renitentes, é uma leitura até mesmo surpreendente.

Aventurando-se nessas páginas, o leitor encontrará um enredo ágil, diálogos rápidos e bem elaborados (resquício dos roteiros televisivos e cinematográficos do escritor Michael Green, como a capa deixa transparecer) e um “pré-Coringa” com perfil bem diferente do que costuma ter em outras tramas.

Nada de Capuz Vermelho. Nada de comediante fracassado e péssimo marido. Desta vez, Jack é um sujeito extremamente sagaz e um exímio atirador, dono de uma mira impecável. Seus crimes são limpos, imotivados, sem padrão, distrações ou pistas. Suas ações imorais afastam quaisquer suspeitas.

É a personificação do simbólico conceito de “crime perfeito”.

Junto a essa impecável atuação criminosa, surgem dilemas que Bruce Wayne/Batman jamais imaginou ter de enfrentar quando iniciasse sua carreira: a falta de lógica na conduta criminosa, que julgava ser – como a grande maioria das coisas e situações – formada por uma cadeia de atos organizados e, sempre, com alguma razão, por mais improvável que fosse.

O herói põe em cheque todo o seu árduo treinamento e o sucesso obtido até então em diminuir drasticamente a violência em Gotham, chegando a limites obscuros até para si mesmo. Nessa encruzilhada, seu novo e pior inimigo aguarda a motivação ideal para se transformar, de vez, no terror da cidade.

Durante a história, alguns momentos importantes são mostrados. Dentre eles, a construção do “batcomputador” (batizado por Alfred de Dupin), um ótimo diálogo entre Batman e o Dr. Jonathan Crane, além de um rápido encontro entre Jack a futura Harley Quinn, até então uma garçonete estudante de medicina de nome Lenny.

Sem contar, como já virou costume quando são mostradas as primeiras missões do Cavaleiro das Trevas, um novo interesse amoroso a integrar uma longa lista de antigas pretendentes de Bruce Wayne.

O ponto fraco mesmo está nos desenhos decadentes de Denys Cowan. Quem se recorda dos seus bons tempos nas histórias do personagem Questão (em parceria com Dennis O’Neil, no final dos anos 1980) ou mesmo em antigas aventuras do Batman, vai se decepcionar com sua arte neste especial: um traçado sujo, assimétrico, cuja estilização exagerada não encontra parceria com o roteiro.

Os adjetivos “aguçada e evocativa”, como descrito na quarta capa, no mínimo funcionam com um eufemismo para o seu atual estilo. Sua capa para esta edição já pode ser considerada uma das piores já feitas com o Morcego.

Complementam a publicação um interessante prefácio escrito por Brad Meltzer (Crise de Identidade) e a galeria das capas originais.

Classificação:

4,0

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