BATMAN E MULHER-GATO: RASTRO DE PÓLVORA # 1

Por Zé Oliboni
Data: 1 dezembro, 2005


Título: BATMAN E MULHER-GATO: RASTRO DE PÓLVORA # 1 (Panini
Comics
) – Minissérie em duas edições mensais

Autores: Ann Nocenti (roteiro) e Ethan Van Sciver (arte).

Preço: R$ 5,90

Número de páginas: 48

Data de lançamento: Maio de 2005

Sinopse: Todo o submundo de Gotham City está atrás de uma arma
inteligente que sempre atinge seu alvo, e Selina Kyle quer ser a primeira
a encontrá-la.

Positivo/Negativo: Essa minissérie tem tudo para ser uma ótima
aventura. Narrada em flashback pela Mulher-Gato, que tenta entender
como chegou na confusa situação das primeiras páginas da revista, além
do clima de mistério esta história tem a seu favor a ambigüidade da protagonista,
que sempre foi uma ótima personagem transitando entre o bem e o mal.

Infelizmente, a roteirista estraga esses ótimos elementos se perdendo
num discurso panfletário antiarmamentista. As falas dos personagens estão
infestadas por citações da peça de teatro Bang, Bang, you are dead
(Bang, Bang, você está morto), de William Mastrosimone,
que se passa dentro da cabeça atormentada de um adolescente problemático
que encontra na posse de armas a única forma de se sentir especial. E
quando seus problemas na escola tornam sua vida insuportável, ele decide
matar todos os colegas. A história foi inspirada no incidente de 1998
na escola americana Thurston High School, onde um aluno entrou
na cantina atirando com um rifle.

O Batman, em sua curta participação, parece um comercial institucional
apenas repetindo estatísticas sobre armas, além dos intermináveis discursos
televisivos debatendo o assunto.

Assim, a autora deixa o leitor com duas opções: ignorar toda essa discussão
e aproveitar uma aventura comum ou seguir sua retórica contra as armas
no estilo Tiros em Columbine, do documentarista Michael Moore.

O desenho, feito em um estilo extremamente realista, com uma boa narrativa,
traz uma excelente Mulher-Gato e um péssimo Batman, com armações em forma
de espinhos nos ombros.

Em geral, o traço de Ethan Van Sciver peca pelo excesso, criando uma arte
suja, e por trazer muitas cenas sem movimento, nas quais o personagem
parece estar duro como uma estátua, e não conversando e se movimentando.
A seu favor, a capa dupla com um excelente conceito de rastro de corpos.

Classificação:

4,0

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