Batman – Knightfall – Volume 1

Por Tiago Salviatti
Data: 5 setembro, 2014

Batman – Knightfall – Volume 1Editora: DC Comics – Edição especial

Autores:  Chuck Dixon (Batman Vengeance of Bane, Detective Comics # 659 a # 666), Doug Moench (Batman # 491 a # 500, Showcase’93 # 7 e # 8) e Alan Grant (Batman – Shadow of the Bat # 16 a # 18), nos roteiros; Jim Aparo (Batman # 491, # 494 a # 500), Norm Breyfogle (Batman # 492 e # 493, Detective Comics # 659), Graham Nolan (Batman – Vengeance of Bane, Detective Comics # 661 a # 666), Jim Balent (Detective Comics # 660), Bret Blevins (Batman – Shadow of the Bat # 16 a # 18), Klaus Janson (Showcase’93 # 7 e # 8), Terry Austin (Batman # 500) e Mike Manley (Batman # 500), na arte.

Preço: US$ 29,99

Número de páginas: 640

Data de lançamento: Abril de 2012

Sinopse

Uma fuga no Asilo Arkham joga os mais perigosos e insanos criminosos em liberdade, enquanto um fatigado Cavaleiro das Trevas é observado por um novo e terrível adversário: Bane.

Positivo/Negativo

A Queda do Morcego é um desfile do “quem é quem” do universo do Homem-Morcego. E este volume traz não apenas os vilões mais tradicionais e conhecidos, como Coringa, Espantalho e Mulher-Gato, como outros menos glamourosos, como Amígdala, Cornelius Stirk, Anarquia e Cavaleiro, assim como os já abandonados e esquecidos capangas de Bane: Zumbi, Trogg e Pássaro.

Cada personagem tem sua oportunidade de brilhar em histórias que vão forçando cada vez mais ao limite o Cavaleiro das Trevas, que, arrogantemente, parte para combater todos os vilões sozinho. E era essa a essência do plano de Bane: desgastar física e intelectualmente o herói, para finalmente derrotá-lo.

Em sua carreira, Batman sofreu diversas derrotas. Só no pós-Crise nas Infinitas Terras, a morte de Jason Todd, o reverendo Blackfire (de O Messias), a humilhante surra sofrida por um grupo de garotos de rua no arco A raiz do Idiota (do especial Batman no Brasil, da Abril) ou as consecutivas “sovas” sofridas nas mãos do Exterminador (na série mensal do vilão, na saga Cidade de Assassinos, publicada em Super Powers # 28, da Abril).

No entanto, a que encarou nas mãos de Bane é, de fato, a mais emblemática e faz jus ao status de megaevento que se criou ao seu redor.

Há um senso de tensão que se constrói no arco, e Dixon, Moench e Grant fazem algo que hoje parece impossível nos quadrinhos ao desenvolver calmamente essa longa trama.

E isso começou bem antes do ponto inicial deste encadernado: nas quatro edições da minissérie A espada de Azrael (outubro de 1992 a janeiro de 1993), com a origem de Jean Paul Valley, o personagem que viria a se tornar o novo Batman, e mais três edições de Detective Comics (# 656 a # 658, de fevereiro a abril de 1993), com uma invasão à Torre Wayne e os capangas de Bane à espreita, e Batman # 484 a # 490 (setembro de 1992 a março de 1993), que trazem o treinamento de Azrael, um confronto com o Charada usando o esteroide usado por Bane, e um vilão com um uniforme muito parecido ao de Valley, fato mais tarde mencionado como contribuição para a estafa e confusão de Bruce Wayne.

Vale notar, porém, que esse material, que não está no encadernado, acrescenta pouco ao contexto geral da história, inclusive porque é remontado em um breve flashback durante o desenvolvimento das tramas, contextualizando bem esses eventos.

Ainda assim, uma nota explicativa seria de bom tom para os fãs mais novos, pois parte desse material pregresso não foi republicado em encadernados ou não se encontra com facilidade.

Este volume conta com quase um ano de histórias, reunindo dez edições de Batman, oito de Detective Comics, três de Shadow of the Bat, duas histórias da Showcase’93 e um especial contando a origem de Bane, totalizando as 640 páginas de material. Mesmo assim, a trama raramente se perde, e o empenho dos roteiristas em criar tensão e escalonar os confrontos até o clímax, na edição # 497, quando rola a grande derrota do Morcego, é digno de nota, ainda que haja momentos datados e francamente tolos, até para os parâmetros da época (como o robô comandado por controle remoto que inicia a fuga do Arkham).

Há confrontos emblemáticos com alguns vilões famosos e outros menores, e novos inimigos são apresentados com competência, explorando o melhor do gênero super-heróis.

Esta saga dá acentuado destaque a dois personagens que teriam grande importância nos anos seguintes: Bane, o vilão parcialmente inspirado na obra de Alexandre Dumas, O Conde de Monte Cristo (por viver boa parte de sua vida em uma prisão, onde consegue sua inspiração e motivação para a vingança), e Jean Paul Valley, uma versão violenta do Batman, sem o famoso parceiro Robin e, por isso mesmo, mais solitário e psicótico. Azrael foi parcialmente inspirado pelo sucesso dos heróis desse estilo, tão em voga na época, como Wolverine e Justiceiro ou Spawn.

Mas é o isolamento e a arrogância do Batman que o jogam contra tantos vilões ao mesmo tempo, forçando-o além de seus limites. É sua soberba que o impede de pedir ajuda – e desculpas – principalmente a Dick Grayson, que o joga numa turbulenta jornada, criando um novo monstro, pior que seus inimigos.

Não é o rompimento da coluna que representa a derrota do Morcego, não é a emblemática cena em que Bane o expõe para toda a cidade ver. Isso só acentua a situação de um homem que já se via quebrado desde a morte de seus pais.

O arco, inclusive, ao forçar uma aposentadoria do Morcego, o faz rever sua vida e encontrar alguma paz enquanto se recupera – consolidando o personagem e suas séries derivadas, não apenas no Universo DC, mas no mercado de quadrinhos como um todo.

Ainda que seja o primeiro volume de três, a história apresenta um bom ritmo e conclui seu primeiro ato sem muitas pontas soltas.

No Brasil, o material foi publicado na íntegra pela Abril (incluindo as supracitadas edições ausentes no encadernado), em formatinho, em Liga da Justiça e Batman # 1 a # 11, (agosto de 1994 a junho de 1995), Batman – Volume 4 – # 1 a # 4 (março a junho de 1995), Super Powers # 32 (novembro de 1994) e na minissérie em duas edições A espada de Azrael.

Vale notar, porém, que a Abril, como era praxe na época, fez consideráveis mutilações, reduzindo algumas páginas do original, em alguns casos de 22 para 17!

Em 2008, a Panini publicou o primeiro encadernado, com menos da metade do conteúdo deste volume original – foram 276 das 640 páginas.

Classificação

4,0

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