BATMAN – LOUCO AMOR

Por André Craveiro
Data: 1 dezembro, 2011

BATMAN - LOUCO AMOR

Editora: Opera Graphica – Edição especial

Autores: Paul Dini (roteiro), Bruce Timm (desenhos, arte-final e capa) e Rick Taylor (cores) – Originalmente publicado em The Batman Adventures – Mad Love, em 1994.

Preço: R$ 16,90

Número de páginas: 64

Data de lançamento: Novembro de 2002

 

Sinopse

Após uma frustrada tentativa de matar o comissário Gordon, graças à intervenção de Batman, o Coringa culpa sua amante Arlequina por mais esse fracasso nos seus planos.

Rejeitada e humilhada pelo palhaço, a vilã relembra seus dias como psiquiatra residente no Asilo Arkham, o primeiro encontro com o Coringa e como veio a se apaixonar pela mente doentia do pior criminoso de Gotham.

Buscando se redimir pelas falhas cometidas, consegue utilizar-se de um antigo plano nunca posto em prática pelo seu companheiro, visando capturar e matar o Morcego de uma vez por todas.

Tudo por um louco amor.

Positivo/Negativo

Devido à imensa quantidade de histórias em quadrinhos já publicada até então, é hercúlea a tarefa de eleger as cinco melhores protagonizadas pelo Batman. A listagem sempre será relativa, exceto pela constante presença de alguns medalhões consagrados no ressurgimento dos anos 1970, no tom sombrio dos anos 1980 e na estética realista dos anos vigentes.

Em regra, suas melhores tramas não estão nas séries regulares (com honrosas exceções), e sim nas publicações autocontidas, entre edições especiais, minisséries e graphic novels. Um acervo bem longo e diversificado.

Mas é difícil entender o porquê desta singela obra, baseada no desenho Batman – A série animada, tanto figurar no Top 5 de boa parte da crítica especializada após pronunciamento da Wizard norte-americana nesse sentido.

A história é muito boa, acima da média para sua época. Talvez uma das melhores naqueles tempos de vacas magras. Mas daí a ser considerada como um novo clássico, são outros quinhentos.

Partindo de um contexto analítico, tudo fica mais claro.

O álbum bem podia ser considerado um storyboard de algum episódio não filmado da excelente série original, não fosse uma adaptação que obteve em 1999, para a nova temporada do desenho animado.

Todos os elementos de sucesso do cartoon estão presentes, pelas mãos competentes de dois de seus produtores: a narrativa ágil, o elogiado perfil psicológico do Batman, os vilões insanos e seus planos mirabolantes, o traço econômico, estilizado e rico em cores vibrantes.

Quase tudo aqui é preto no branco – literalmente, no que foi uma infeliz escolha da editora Opera Graphica ao adequar mais esta HQ à sua política de publicações privadas das cores originais e a preços pouco generosos.

O grande mérito, mesmo, foi contar a origem de Arlequina (posteriormente inserida no universo próprio dos quadrinhos e da cronologia DC a partir do especial homônimo, publicado aqui na edição Batman Premium # 4, em 2000), trabalhando com uma proposta de acessibilidade ao público consumidor familiarizado ou não com a série animada.

Uma primeira leitura revela um roteiro simples, até mesmo bobo, semelhante aos perfis utilizados pela dupla de vilões. As releituras melhoram, acrescentam um pouco da conhecida loucura do Coringa no verniz ingênuo da narrativa, além de certa dose de erotismo por parte da protagonista.

Arlequina segue esse caminho: é uma louca perdidamente apaixonada, fazendo-se uma caricatura perfeita para figurar no rol de personagens daquela animação. Difícil não ter empatia pelo maluco casal e rir com eles em vários momentos, e até mesmo sentir pena pelo destino da vilã ao “final” de tudo.

Igualmente, nota-se a tímida homenagem prestada à clássica história A vingança quíntupla do Coringa (Batman # 251, de 1973) de Dennis O’Neil e Neal Adams. Em vez do tubarão, um cardume de piranhas vorazes é o perigo iminente a um Batman acorrentado sobre um aquário, que desta vez terá de usar o cérebro em vez da prodigiosa força física, se quiser escapar vivo.

O fato é que a obra ganhou o público, isso é indiscutível.

Esporadicamente retorna ao mercado em novas edições ou integrando coletâneas, e abraçou a era digital virando até motion comic. No Brasil, além desta versão da Opera Graphica, saiu em duas partes nas edições # 14 e # 15 de Batman – O desenho da TV, em 1995, pela Abril.

É a introdução perfeita para a espirituosa personagem que encarna o chavão “de médico e louco, todo mundo tem um pouco”. Leitura altamente agradável e descompromissada.

O casamento entre texto e arte é ideal à tônica que se presta, sobram elogios nesse sentido. Tudo isso rendeu os prêmios Eisner e Harvey na categoria Melhor Edição Especial, em 1994.

Mas, honestamente, ainda mais com as mudanças que o mercado sofreu desde sua publicação original, é improvável imaginar Louco Amor entre as cinco melhores HQs do Morcego de lá pra cá.

Já em uma lista com dois dígitos, a história pode ser outra.

Classificação:

4,0

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