Batman – O Cavaleiro das Trevas # 4

Por Diego Figueira
Data: 29 abril, 2005

Por Diego Figueira e Zé Oliboni

Batman - O Cavaleiro das Trevas # 4Editora: Abril – Minissérie em quatro edições mensais

Autores: Frank Miller (roteiro e arte), Klaus Janson (arte-final) e Lynn Varley (cores).

Preço: Cz$ 22,00 (preço da época)

Número de páginas: 48

Data de lançamento: Junho de 1987

Sinopse

A Queda do Morcego – O confronto final do Batman com o Superman.

Positivo/Negativo

Para fechar a série, Miller trabalha o contraste entre o Batman e o Superman. Enquanto o Homem de Aço é mostrado como um fantoche nas mãos das autoridades, sem perceber exatamente o que acontece no geral e sendo inclusive responsável por um pulso eletromagnético que causa um apagão em Gotham, o Morcego é retratado como o único herói que consegue enxergar as nuances do bem e do mal. Muito mais que um estrategista, ele é um sábio.

Um momento interessante dessa cadeia de eventos é o pronunciamento do Presidente Reagan. Ele aparece usando uma roupa anti-radiação, retratando o clima de Guerra Fria que ainda existia na época do lançamento da obra. Além disso, há uma referência a Corto Maltese, criação máxima do italiano Hugo Pratt.

Enquanto todo esse cenário político é armado, Bruce reúne seu exército e, montados a cavalo, como o Zorro fazia, ele os ensina a combater o crime com as próprias mãos e armas não letais, limpando a cidade durante o apagão.

Essa foi a gota d´água. O Arqueiro Verde diz ao Batman que ele ficou muito evidente e teria que enfrentar o “escoteiro”.

No confronto final, o Morcego surra o Super avançando com toda a força e recursos. Ele passa um sermão em Clark sobre como eles poderiam ter mudado o mundo e, após ter o capacete arrancado, o coração de Bruce Wayne pára. Ao mesmo tempo, a caverna é implodida, Alfred sobre um ataque cardíaco e morre. Um ponto alto da luta é a aparição do Arqueiro Verde, que, mesmo sem um braço, atira flechas de kryptonita utilizando a boca para tencionar o arco.

Uma relação interessante é o fato de o Arqueiro dizer que o Superman arrancou seu braço e, anos depois, a DC ter retomado essa idéia quando matou o personagem e o Homem de Aço teve que deixar o amigo morrer, pois para salvá-lo teria que amputar o braço de Oliver Queen.

O final da série é tão espetacular quanto seu transcorrer. Após fingir sua morte e esconder toda a fortuna Wayne, Bruce se reagrupa com Robin e seus “filhos” em uma nova caverna para planejar o futuro.

Outra tese de Miller trabalhada desde a primeira edição que se cristaliza neste número é a ideia do Batman ser um terrorista, mas um terrorista do bem, com um alvo “certo”.

Como um balanço final, esta série foi marcante por trabalhar diversos aspectos fundamentais de um personagem, levando-os ao extremo. Com uma arte condizente, uma narrativa visual que misturava padrões da época, com idéias do mangá e novos conceitos, Frank Miller revolucionou os quadrinhos e influenciou muito do que veio depois dele.

É claro que, ao mesmo tempo, o autor estabeleceu um padrão de qualidade que fez muitas histórias posteriores, que antes seriam consideradas “boas”, serem classificadas como fracas.

Quando um fã diz que “uma história é razoável, mas não é um Cavaleiro das Trevas“, não entendem que esta foi uma série extrema, e não algo para ser visto como um entretenimento mensal.

20 anos depois de seu lançamento, a maior prova de sua qualidade está nas fórmulas criadas a partir dela, que foram repetidas à exaustão, provando sua influência nos leitores e criadores de quadrinhos.

Classificação

5,0

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