BATMAN – O FILHO DO DEMÔNIO – PANINI

Por André Craveiro
Data: 1 dezembro, 2012

BATMAN - O FILHO DO DEMÔNIO - PANINI

Editora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Mike W. Barr (roteiro) e Jerry Bingham (desenhos, arte-final e capa) – Originalmente publicado em Batman – Son of the demon, em 1987.

Preço: R$ 19,90

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Setembro de 2012

 

Sinopse

Batman é obrigado a se aliar ao seu maior adversário para deter um terrorista sanguinário e insano que obtém o controle de uma máquina capaz de manipular o clima.

Assim, o Cruzado Encapuzado se vê em uma difícil situação, tendo de caçar o sádico criminoso e, ao mesmo tempo, proteger Talia, a mulher que pode estar carregando em seu ventre o filho do Homem-Morcego.

Positivo/Negativo

Numerosas são as histórias que mostram alguma faceta do conturbado e sempre complexo perfil de Batman, aquele vigilante obcecado em sua cruzada sem fim, que pouco ou nada deixa transparecer dos recônditos de sua alma atormentada.

Porém, insólitos (mesmo) são aqueles casos em que Bruce Wayne se sobrepõe ao alter ego, permitindo-se, ainda que por breves momentos, corresponder-se com sentimentos que há muito desejava ter enterrado: um amor, uma vida a dois, a chance de um recomeço.

A paz de espírito tão desejada desde a tenra – e trágica – infância.

Mas a que preço? Aliar-se a um de seus piores inimigos? Juntar forças com um terrorista para deter outro? Tudo para tentar, por uma chance que seja, ter uma vida normalizada ao lado da mulher que ama, que está gerando seu futuro herdeiro?

É o que mostra O filho do demônio.

A obra, como já era de se esperar, já se encontra resenhada no Universo HQ, em sua primeira edição, pela Editora Abril – confira aqui. Gilberto M.M Santos, com a boa pena de seus textos já publicados por aqui, antecipa os pormenores positivos de uma obra deste quilate.

O mote desta soberba história em quadrinhos, ainda que em segundo plano, é justamente este: os conflitos internos que um homem possui com o seu “outro eu”, para ao final saber que, não importa o que a vida ofereça, o juramento no túmulo dos pais é, e sempre será, mais forte do que ele próprio.

Bruce Wayne/Batman vem tentando paralelizar suas vidas, sem sucesso. Separar interesses de um com os conflitos do outro é tarefa hercúlea, na qual o herói não vem ganhando espaço.

Talvez nunca o faça. É sua sina, afinal de contas.

Mas é justamente isso que forma o caráter do Cavaleiro das Trevas: persistência. Assim ele foi treinado, para qualquer obstáculo que a vida lhe ofereça. Em qualquer situação.

Esta clássica HQ do final dos anos 1980, agora relançada com todo luxo que merece e aproveitando o sucesso que o filme Batman – O Cavaleiro das Trevas ressurge (2012) ainda vem conquistando, merece uma releitura após 25 anos da publicação original.

É inevitável comparar o trabalho de Barr e Bingham com o da consagrada dupla Denny O’Neil e Neal Adams. O estilo dos veteranos que trouxeram Batman ao seu elemento notívago e taciturno é repetido nesta obra com louvor, seja no texto investigativo, seja na arte ousada e expressiva.

Como único extra nesta republicação da Panini, uma introdução de Mark Hamill (o eterno Luke Skywalker), um fã confesso do universo do Morcego.

 

Classificação:

4,0

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