Batman – O que aconteceu ao Cavaleiro das Trevas?

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 26 abril, 2013

Batman - O que Aconteceu ao Cavaleiro das Trevas?Editora: Panini Comics – Edição especial

Autores: O que aconteceu ao Cavaleiro das Trevas? – Parte 1 (Batman # 686) – Neil Gaiman (roteiro), Andy Kubert (desenhos), Scott Williams (arte-final) e Alex Sinclair (cores);

O que aconteceu ao Cavaleiro das Trevas – Parte 2 (Detective Comics # 853) – Neil Gaiman (roteiro), Andy Kubert (desenhos), Scott Williams (arte-final) e Alex Sinclair (cores);

Um mundo em preto e branco (Batman Black and White # 2) – Neil Gaiman (roteiro) e Simon Bisley (arte);

Pavana (Secret Origin # 36) – Neil Gaiman (roteiro), Mark Buckingham (arte) e Nansi Hoolahan (cores);

Pecados originais (Secret Origins Special # 1) – Mike Hoffman (desenho), Kevin Nowlan (arte-final) e Tom McCraw (cores);

“Quando” é uma porta. A origem secreta do Charada… (Secret Origins Special # 1) – Neil Gaiman (roteiro), Bernie Mireault (desenhos), Matt Wagner (arte-final) e Joe Matt (cores).

Preço: R$ 21,90

Número de páginas: 128

Data de lançamento: Abril de 2013

Sinopse

O que aconteceu ao Cavaleiro das Trevas? – Bruce Wayne treinou corpo e alma à perfeição, e dedicou sua existência a combater o crime em todas as suas formas e a livrar Gotham City das forças do mal, sob o manto de Batman.

Mas toda história deve ter um fim, e hoje o Homem-Morcego está morto. Agora, amigos e oponentes antigos se reúnem para contar histórias e prestar suas últimas homenagens ao herói tombado.

Um mundo em preto e branco – Nos bastidores de uma história em quadrinhos, Batman e o vilão Coringa discutem a existência e se preparam para entram em ação.

Pavana – Um agente do governo visita Pamela Isley no Asilo Arkham, com uma série de revelações perturbadoras à sua espera. Trata-se da origem secreta da Hera Venenosa.

Pecados Originaise “Quando” é uma porta. A origem secreta do Charada… – Produtores de um especial de televisão realizam um documentário sobre os internos do Asilo Arkham. E numa entrevista com o mestre dos enigmas, o Charada reflete sobre a vida de crimes e as mudanças ocorridas em Gotham a no mundo ao longo dos anos.

Positivo/Negativo

Mortes e ressurreições já se tornaram rotina nos quadrinhos de super-heróis, constituindo talvez o elemento de roteiro que mais irrita o público e serve de muleta para autores menos preparados.

De fato, foi-se o tempo em que a tragédia realmente abalava os alicerces do universo de um personagem, funcionando hoje mais como jogada de marketing para atrair a atenção da mídia e salvar revistas das baixas vendas.

Ainda assim, artistas de talento conseguem tirar leite de pedra e aproveitar o “destino final” de um herói para presentear os leitores com algumas obras-primas que podem marcar época e revelar facetas ocultas de sua personalidade.

No caso de Batman, o vigilante levado a “descansar em paz” na sequência de histórias escritas por Grant Morrison, a DC Comics escalou talentos muito especiais para a despedida do ícone.

Batman – O que aconteceu ao Cavaleiro das Trevas? foi uma história contundente narrada em dois capítulos, com texto do artesão das palavras Neil Gaiman e ilustrações do não menos talentoso Andy Kubert, que a Panini reúne em encadernado de capa dura, junto a outras três histórias do autor. Uma oportunidade perfeita para quem não leu a saga nas revistas mensais do Morcego, ou apenas deseja ter o volume de luxo em sua coleção.

Título e proposta conceitual deste pequeno épico dialogam com outra história que conquistou espaço na preferência dos fãs, a inesquecível O que aconteceu com o Homem de Aço?, em que Alan Moore e Curt Swan apresentaram o adeus do Superman, em virtude da completa reformulação do personagem em Crise nas Infinitas Terras.

Tanto Moore quanto Gaiman brincam com a ideia de uma “aventura final” para os dois super-heróis centrais da história dos quadrinhos, buscando o resgate de elementos perdidos em sua trajetória, com um senso de conclusão que toca fundo corações e mentes de seus seguidores.

Aqui, Batman já está morto quando a história se inicia, abrindo espaço para que família, antigos aliados e inimigos prestem suas homenagens finais e tentem entender melhor a natureza do herói caído.

A publicação aproveitou a ocasião da saga Descanse em paz no título mensal do Homem-Morcego, mas a trama de Gaiman não faz parte de sua cronologia oficial e tem toda a jornada editorial do personagem como inspiração.

Assim, ele visita desde os primórdios de Bob Kane e Bill Finger até os tempos modernos, passando pelo tom mais lúdico da Era de Prata e o lado psicótico do Cavaleiro das Trevas de Frank Miller. Da mesma forma, o traço de Kubert homenageia diversos artistas significativos ao longo das eras, como Dick Sprang e Neal Adams.

Neil Gaiman faz o que sabe melhor com a despedida do Detetive Encapuzado, num conjunto de pequenas narrativas que exploram detalhes singelos e o sentido maior da vida do herói, em mundos inventados de amor, coragem e determinação.

É fácil para o leitor notar que tem nas mãos mais um trabalho do autor de Sandman, justamente a série mensal mais aclamada dos quadrinhos norte-americanos. Há uma página específica, perto do fim da história, que remete a tramas como Ano Um, A queda do Morcego e Asilo Arkham, numa prova de que esses clássicos modernos habitam o mesmo universo da Batwoman pré-Crise e de tudo o que já se imaginou com esses defensores da escuridão.

Contudo, como bem observou o resenhista Lielson Zeni ao analisar esta história quando ela foi publicada nas revistas mensais da Panini, há uma ressalva quanto à tradução do título da história, já que o original Whatever happened to the Caped Cruzader? (literalmente O que aconteceu ao Cruzado Encapuzado?) faz referência a todo o passado de glórias revisitado por Gaiman, incluindo o tom mais ingênuo de décadas passadas.

O que aconteceu ao Cavaleiro das Trevas? remete apenas à versão mais psicótica do personagem. Verdade que a opção nacional pode ser mais vendável e representa o vigilante no imaginário coletivo, mas perde o charme e muito da intenção dos autores.

Vale mencionar que o álbum também traz páginas de esboços de Adam Kubert.

As histórias que completam a edição, escritas por Neil Gaiman em parceria com ilustradores diversos, não são tão impactantes, mas também simbolizam o trabalho de um mestre das narrativas, em diferentes momentos de sua carreira.

Nas “origens secretas” da Hera Venenosa e do Charada, vê-se um Gaiman antes da fama internacional, mostrando uma abordagem única para vilões tradicionais. Já a pequena joia em preto e branco sobre Batman e Coringa nos bastidores de uma HQ vale pela originalidade e absurdo inerente à ideia.

Claro que Bruce Wayne não permaneceu morto nas aventuras regulares de Batman, e ainda teremos mortes e ressurreições cansando o público mais fiel nas revistas do gênero. Mas nada apaga o brilho de obras assinadas por talentos maiores. “Esta é uma história imaginária, mas não o são todas?” Investimento seguro numa viagem aos reinos mágicos da luz e das trevas.

Classificação

4,5

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