Batman & Superman – Os melhores do mundo

Por Renato Félix
Data: 28 setembro, 2018

Batman & Superman - Os melhores do mundoEditora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Dave Gibbons (roteiro), Steve Rude (desenho), Karl Kesel (arte-final) e Steve Oliff (cores) – Originalmente em World’s Finest # 1 a # 3 (1990). Tradução de Alexandre Callari e Paulo Lopes.

Preço: R$ 32,90

Número de páginas: 176

Data de lançamento: Outubro de 2017

Sinopse

Quando Lex Luthor e o Coringa fazem um acordo e trocam de cidades (com ações que ameaçam também um orfanato entre Metrópolis e Gotham City), Superman e Batman precisam se tornar aliados, apesar de seus métodos e visões de mundo divergentes.

Positivo/Negativo

Batman e Superman foram amigos próximos por décadas, até que esse relacionamento passou por uma revisão. Depois de O Cavaleiro das Trevas (1986), de Frank Miller, e O Homem de Aço (1986), de John Byrne, as diferenças entre os dois heróis passaram a pautar os encontros entre os maiores ícones da DC.

Lançada originalmente em três partes, em 1990, Os melhores do mundo reflete esse status quo – então ainda uma relativa novidade. E Dave Gibbons (desenhista de Watchmen, aqui estreando como roteirista) aproveitou para narrar uma história amplamente calcada em traçar paralelos e contrastes entre os dois personagens.

E isso acontece desde a primeira página, na qual um garoto chora no túmulo dos pais. Uma cena muito revisitada da história de Bruce Wayne, mas não muito distante da de Kal-El, cujos pais biológicos também morreram tragicamente.

As mortes dos pais dos dois heróis aparecerão mais à frente, em duas sequências verticais e paralelas. Nelas, Clark e Bruce sonham cada um com sua tragédia pessoal, às vezes espelhadas e outras diferenciadas pelo conteúdo, mas equiparadas pelo design: tanto nos tamanhos e divisões dos quadros,quanto nas rimas visuais.

Em larga escala, isso também acontece. Os heróis são introduzidos em duas sequências quase mudas. Primeiro, o Batman, numa Gotham City ao pôr do sol, tenta prender dois criminosos, mas um deles se mata. A cena termina com o Morcego murmurando, um tanto contrariado: “Coringa”.

Em seguida, o Homem de Aço também é frustrado por ações de seu maior inimigo, que mexe os pauzinhos para livrar o bandido preso da cadeia, antes mesmo de ser encarcerado. No fim, o Superman murmura: “Luthor”.

Essas sequências espelham uma à outra, mas serão também espelhadas mais adiante, quando o Batman precisa enfrentar Luthor e o Superman, o Coringa.

É uma narrativa bem representativa da minissérie. Outro exemplo é a cena do primeiro encontro, em suas identidades secretas, que parte de um “Boa noite, Kent”, respondido com um “Bom dia, sr. Wayne”, diálogo que será ecoado no final da trama, mas de maneira inversa. É significativo quando se pensa que, com a saudação, no começo, o personagem está falando de si mesmo. E, no final, está se referindo ao outro.

Nesse encontro, no orfanato que fica entre as duas cidades e que centraliza a história, outros paralelos vão sendo estabelecidos: Lois Lane/Alfred, Perry White/Comissário Gordon e, de maneira curiosa, Jimmy Olsen/Barbara Gordon.

Onde estará Dick Grayson? Como a minissérie se passa no início da trajetória de Superman e Batman, presume-se que Grayson ainda não entrou na vida do Homem-Morcego.

No entanto, em um anacronismo, Barbara está lá em uma cadeira de rodas – situação pós-A Piada Mortal (1988), depois de sua carreira como Batgirl e, portanto, também após Dick ter atuado como Robin.

É compreensível a opção pela não inclusão de Dick. Robin seria uma fator a atrapalhar a dualidade entre Batman e o Superman. E mostrá-lo sem que agisse como o Menino-Prodígio exigiria explicações e perda de tempo na trama.

Mas é uma pena, pois a história da DC já fazia o paralelo entre Robin e Jimmy Olsen há anos, e os dois atuaram juntos várias vezes.

Um paralelo curioso está no reverendo Oliver Monks, que tem no primeiro nome e no físico uma semelhança com Oliver Hardy, da dupla cômica clássica O Gordo e o Magro. Seu parceiro no comando do Orfanato Midway, que fica entre Gotham e Metrópolis, lembra Stan Laurel, o magro – porém, o nome do personagem é Adam Fulbright. Uma citação visual interessante, mas que não parece ter qualquer significado específico.

O desenhista Steve Rude reforça o clima de começo de carreira da trama, tanto pela clareza de seu traço, que evoca naturalmente um visual retrô, quanto pela escolha visual dos personagens. Num texto no final do álbum, ele relata como procurou se aproximar das versões iniciais dos dois heróis, conseguindo fazer isso mais com o Superman do que com o Morcego.

Os melhores do mundo foi publicada no Brasil como minissérie em três partes pela Abril, em 1991 (e encadernado em capa cartonada no mesmo ano), e pela Mythos, em 2003. Esta é a primeira edição em capa dura, que não repete um erro grosseiro da versão da Abril, que omitia os quatro últimos recordatórios nas seis páginas finais.

O trabalho de Dave Gibbons e Steve Rude presta, no título da obra, um tributo ao gibi que hospedou histórias de Superman e Batman na DC ao longo de 45 anos – World’s Finest, no original. E é uma bela homenagem, uma das maiores que os dois maiores ícones dos super-heróis nos quadrinhos – e, principalmente, o que eles representam juntos – já receberam.

Classificação:

4,5

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  • Tiago Salviatti

    “Uma citação visual interessante, mas que não parece ter qualquer significado específico”. Claro que tem significado específico… O tema do material é a dualidade, o contraste entre duplas de personagens (Batman e Superman, Coringa e Lex Luthor, Comissário Gordon e Perry White e a lista segue), a referência visual a uma das mais famosas duplas da história do cinema mudo – que se popularizou na mesma época da criação de Batman e Superman?

  • Kassius Vargas Prestes

    Não gostei muito da história, a narrativa é meio confusa, não me prendeu

  • Chefe O’Hara

    Suponho que, se a questão é cronológica, Dick/Robin estaria em Nova York estudando na faculdade e na companhia dos Novos Titãs. Mas teria sido interessante vê-lo agindo ao lado do Jimmy, o “parceiro” do Super-Homem, como disse o Sr. Renato.

    Lendo a história, creio que o “passado” está só no visual retrô (e na narrativa, que mostra um Batman agindo às claras, se mostrando para todos, em vez do “misteriosão” de hoje). A história, pra mim, traz dois heróis já bem estabelecidos, experientes, que parecem ter agido juntos uma pá de vezes. Podem discordar dos métodos um do outro, mas sabem trabalhar juntos qua do a situação exige. Se a intenção de Gibbons era mostrar os dois no início da carreira, não creio que tenha sido bem-sucedido.

    (O que não estraga a história, que é de alta qualidade e envelheceu bem nesses 28 anos!)