Batman – The Dark Prince Charming – Volume 1

Por Sérgio Codespoti
Data: 10 novembro, 2017

Batman – The Dark Prince Charming – Volume 1Editoras: DC Comics e Dargaud – Edição especial

Autor: Enrico Marini (roteiro e arte).

Preço: €15,00

Número de páginas: 72

Data de lançamento: Novembro de 2017

Sinopse

Bruce Wayne enfrenta uma acusação de paternidade que colocará Batman na trilha do Coringa e do Crocodilo. O primeiro e sua quadrilha de palhaços, por sua vez, buscam um presente de aniversário para Arlequina e se envolvem numa disputa com a Mulher-Gato.

Positivo/Negativo

Esta aventura surgiu de uma ideia da DC Comics de mostrar o Batman pelos olhos de outros autores estrangeiros, populares na Europa, mas menos conhecidos nos Estados Unidos. O suíço naturalizado italiano Enrico Marini foi a primeira escolha da editora.

No curto texto de apresentação, Jim Lee define Marini como um dos grandes nomes das HQs, devido à riqueza de suas imagens e à sua narrativa cinematográfica.

A primeira coisa a ser dita é que a arte, como sempre, é muito bonita e vai agradar tanto aos fãs de Marini quantos aos leitores que não conhecem seu trabalho nas séries As Águias de Roma, O Escorpião, Predadores (Rapaces, no original), A Estrela do Deserto e Gipsy.

Marini continua mostrando grande domínio cromático em suas composições, numa HQ em que, ao contrário do que poderia se imaginar, predominam os tons quentes (amarelos e laranjas), embora algumas páginas mais frias (em azul) ofereçam um bom contraste.

Existem várias imagens maravilhosas de Gotham City, criando uma atmosfera mais noir, apesar de o enredo deste primeiro volume não se aproveitar muito desse clima. Outro destaque são os cenários luxuosos da mansão Wayne, que realmente se parece com o interior de um palacete francês da renascença.

A diagramação das páginas é bastante dinâmica, mais nos moldes estadunidenses do que europeus, e há várias sequências de ação que se aproveitam dessa liberdade.

O formato, 21,5 x 32,5 cm, é um pouco mais alto e bem mais estreito do que os álbuns tradicionais franceses, mas é proporcional ao comic book.

A visão do autor sobre os personagens parece ter sido mais influenciada pelos filmes e desenhos animados do Cavaleiro das Trevas do que propriamente pelas HQs do personagem. O Batman, por exemplo, usa um uniforme criado por Marini que lembra uma mistura do visual do personagem em seus longas-metragens. O mesmo ocorre com o batmóvel.

A relação do Coringa com Arlequina parece ter saído diretamente das animações de Paul Dini e Bruce Timm, em Batman – A Série Animada. O Crocodilo e sua gangue, por outro lado, sem dúvida tiveram sua origem visual nas fotos de Jono Rotman, que passou oito anos com a maior gangue da Nova Zelândia, a Mighty Mongrel Mob. O trabalho (que pode ser visto aqui) foi popularizado por uma publicação na revista online Vice.

O Coringa tem uma interpretação mais fiel, do ponto de vista visual, e Marini deu a ele um toque pessoal, no rosto do personagem, deixando clara a relação do vilão com os palhaços. Por outro lado, esse é mais uma vez um criminoso mais lúcido, apesar de ainda ser insano, sanguinário e piadista.

O roteiro de Enrico, apesar de não ser inovador, não é ruim, mas é o ponto frágil do álbum. Por um lado, existe uma direção clara na história, que está bem apresentada, contém boas cenas de ação e, neste volume, arma o conflito entre os personagens e posiciona todas as peças para que o desfecho posso ocorrer na segunda parte, prevista para janeiro de 2018.

A premissa é interessante. Anteriormente, a DC Comics havia explorado a relação de Talia al Ghul e Batman, que resultou num filho, Damian, em diversas HQs. Desta vez, o pai da criança seria Bruce Wayne. Mas o autor descarta logo de início muitos dos elementos que poderiam ser usados para dramatizar a dupla identidade do herói.

Apesar da fragilidade de certos aspectos do roteiro, a história está – sem dúvida – a anos-luz de muitas porcarias publicadas nas HQs de super-heróis atuais.

Para quem conhece o trabalho do autor, fica a sensação de que ele está mais à vontade ilustrando e escrevendo aventuras históricas dos tempos romanos à renascença, do que com a dinâmica dos super-heróis. E esse pode ter sido o maior problema de Marini ao desenvolver uma HQ do Batman.

Mas é difícil julgar o resultado, pois ainda falta o desfecho do álbum – o que representa pelo menos mais 66 a 68 páginas de quadrinhos.

A versão francesa ainda inclui um texto de introdução de Enrico Marini, e seis páginas de desenhos e estudos de personagens como Batman, Coringa, Mulher-Gato, a gangue dos palhaços, Alfred e a menina Alina Shelley.

Apesar das ressalvas, Batman – The Dark Prince Charming é uma leitura divertida e agradável.

Classificação:

4,0

• Outros artigos escritos por

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  • Belo texto, Sérgio.
    Vou deixar as minhas considerações sobre o álbum, que li a versão americana do Comixology.
    Lido: Batman : The Dark Prince Charming vol. 01 por Enrico Marini.

    Enrico Marini é um dos maiores nomes do mercado franco-belga. Autor de obras como Gipsy, Rapaces ( Predadores pela Devir) , Le Scorpion e o recente Les Aigles de Rome , Marini vem construindo uma carreira sólida e fenomenal há mais de 20 anos. Um exercício de imaginação que faço como fã de um artista europeu é imaginar personagens que ele desenharia bem em uma história do mercado de Supers e quando anunciaram que o Marini estava produzindo não somente um mas dois álbuns com o Batman , a surpresa e a alegria foram gigantes e esperar até novembro foi um desafio.

    Agora a primeira edição finalmente foi lançada , num lançamento simultâneo Franca/EUA e a a maior dúvida que estava na mente dos fãs foi respondida:

    Sim. O Marini entende muito bem o personagem.

    Nessa primeira edição, O Batman enfrenta o Coringa e seus capangas e também precisa salvar uma menina presa pelo palhaço e ao mesmo tempo em que precisa lidar com grandes problemas surgindo pro Bruce Wayne.

    O clima da edição resgata o clima investigativo/policial que o personagem possuí. As caracterizações dos personagens acertam em se manterem corretas em suas essências mostradas através dos anos nos quadrinhos. As cenas de ação são cinéticas e bem coreografadas. O formato álbum com mais páginas ajudou bastante a história fluir muito bem e ter uma narrativa bastante ágil.

    A arte da edição é uma das melhores coisas feitas com o personagem nos últimos anos. Marini faz um Batman grande e ao mesmo tempo ágil. Ele também sabe usar os momentos em só a silhueta do personagem tem um efeito dramático. A sua Selina é puro movimento, beleza e sensualidade. Marini aproveitou a liberdade dada pra recriar o Coringa e a Arlequina em versões bem pessoais e que mantém elementos reconhecíveis dos personagens numa excelente nova interpretação. Alfred, Jim Gordon e outros coadjuvantes também surgem muito bem representados e gostei muito do Batmóvel criado aqui ( quero um Hot Wheels dele pra obtem). Outro grande acerto foi banhar Gotham em luzes quentes monocromáticas dando um leve desfique bas cenas abertas e sabendo usar o azul em momentos pontuais, gerando um excelente contraste.

    Batman : The Dark Prince Charming vol. 01 ( sim, o título da edição está ligado na história) é uma excelente edição porque traz uma história do Morcego com tudo que faz o personagem legal: o clima policial, excelentes caracterizações, um texto preciso e nunca excessivo, um pitada de humor negro e uma arte matadora e acima de tudo, um artista fenomenal que entende e gosta muito do personagem que está trabalhando.

    Precisamos de mais histórias assim.

    ☆☆☆☆

    https://m.comixology.com/Batman-The-Dark-Prince-Charming-2017-1/digital-comic/575856

  • Alexandre Pinto Harich

    A espera da Panini