BATMAN – VENGEANCE OF BANE # 1

Por André Craveiro
Data: 1 dezembro, 2011

BATMAN - VENGEANCE OF BANE # 1

Editora: DC Comics – Edição especial

Autores: Chuck Dixon (roteiro), Graham Nolan (desenhos), Eduardo Barreto (arte-final) e Adrienne Roy (cores).

Preço: US$ 2,50

Número de páginas: 56

Data de lançamento: Janeiro de 1993

 

Sinopse

Na ilha de Santa Prisca, no arquipélago caribenho, um levante revolucionário é ferozmente esmagado pela ditadura local. Dentre os rebeldes prisioneiros, uma mulher grávida que dá à luz um rebento já condenado à prisão perpétua pelos crimes dos pais, segundo a lei local.

Crescendo em meio à corrupção e violência do sistema carcerário, o jovem testemunhou atrocidades que o transformariam definitivamente, em poucos anos, num dos piores algozes que Batman enfrentaria em sua carreira.

Positivo/Negativo

A década de 1990 marcou uma época de grande estagnação criativa no segmento mainstream dos quadrinhos. No gênero heroico, roteiros pífios e arte à base de músculos anabolizados e dentes rangentes ditavam as regras página após página – com exceção de raríssimas e honrosas exceções.

É sabido que tal infertilidade artística atingiu os grandes nomes do mercado, influenciando de maneira contumaz a própria cronologia de personagens famosos. Um dos mais notórios casos dessa safra foi o aleijamento de Bruce Wayne, no auge da saga A queda do Morcego.

Para realizar tamanha proeza, a DC Comics não escalou nenhum dos conhecidos vilões da galeria do Batman; a tarefa coube ao novo antagonista do defensor de Gotham City. Um sujeito alto, corpulento e tão inteligente quanto extremamente violento: Bane.

A missão foi realizada com êxito, em uma cena já imortalizada nos anais da década em questão.

O resto da história a maioria dos fãs conhece bem – tanto quem acompanhou essa fase nos formatinhos da Abril quanto os que puderam ler uma parte no encadernado Batman – A queda do Morcego – Volume 1, lançado pela Panini em 2008.

Mas, afinal, de onde surgiu Bane? Quem é ele? Qual o motivo de sua obsessão pelo Cavaleiro das Trevas, a ponto de concentrar todas as suas forças físicas e mentais na mais completa destruição do herói?

Respostas para tais perguntas se encontram nesta antiga edição especial – a primeira de duas publicações destinadas a mostrar um perfil básico do homem que quebraria a coluna de Batman.

Aqui, o leitor acompanha o nascimento conturbado do futuro vilão e seu crescimento na inóspita prisão de Peña Duro, ou Pietra Dura, como consta na adaptação nacional publicada em Superpowers # 32, de 1994.

Após cometer seu primeiro assassinato ainda na pré-adolescência, o “animal” (nomeado Bane, que, em tradução livre, significa perdição, desgraça ou ruína), como passou a ser visto, é confinado numa pequena cela lúgubre nas masmorras do local durante muitos anos.

Ali encarcerado, Bane enfrentou continuamente a morte quando a maré subia e inundava sua cela todas as noites. Sobrevivia basicamente alimentando-se de crustáceos, ratos, peixes e o que mais as águas salgadas lhe trouxessem.

Sua força de vontade superava os obstáculos físicos de forma gradativa.

Nesse ínterim, tinha visões de uma gigantesca criatura alada que encarnava o próprio medo, algo que começou a temer quando uma epifania personificada num “fantasma do futuro” de si próprio alertou-o do perigo.

Bane sempre se imaginava confrontando-a até que, finalmente, conseguiu derrotar o temível monstro em sua mente. Era o fim do pavor, do torpor que enregelava suas emoções e o início de algo completamente diferente.

Ao sair de seu confinamento, tornou-se uma lenda entre os outros prisioneiros. Logo aprendeu a ler e não perdeu tempo em lapidar sua mente e seu corpo, consumindo cultura e treinando compulsivamente até o auge da compleição física.

Seu novo status atemorizou o diretor da prisão, que logo providenciou para que Bane servisse de cobaia em procedimentos médicos perigosos usando drogas experimentais.

Os resultados foram catastróficos e, acompanhado de alguns poucos aliados, Bane fugiu para a cidade de Gotham – lar de uma criatura notívaga que destilava o medo na alma dos inimigos.

De cara, são visíveis as bases para a construção do personagem. Não há como não enxergar paralelos com outro famoso prisioneiro que, depois de anos tendo apenas seu eco como companhia, adquiriu conhecimento e habilidades estupendas, planejando sua saída do cárcere usando do mar como rota de fuga: Edmond Dantés, do clássico romance O Conde de Monte Cristo.

Além da criação de Alexandre Dumas, o próprio Bruce Wayne/Batman é espelhado no vilão. Aprimoramentos físicos espetaculares, absorção de conhecimento sobre várias áreas e objetivo direcionado são elementos que ambos possuem em comum.

Sendo um dos responsáveis pela elaboração da saga, Chuck Dixon apresenta um roteiro competente dentro das já citadas limitações criativas em voga na época, e bem ao seu estilo: sem fazer feio nem ousar demais, entregando a encomenda da maneira como editores e leitores queriam.

Pode não ser uma origem dais mais inventivas – ainda mais para um personagem que surgiu só com intuito de alquebrar o Cavaleiro das Trevas e garantir um filão de lucro para sua editora -, porém cumpre seu papel em apresentar a gênese de Bane de modo satisfatório.

O que, para essa época, é importante destacar, já estava de bom tamanho.

Classificação:

4,0

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