BATMAN – VITÓRIA SOMBRIA

Por Thiago Borges
Data: 1 dezembro, 2012

BATMAN - VITÓRIA SOMBRIA

Editora: Panini Comics

Autores: Jeph Loeb (roteiro) e Tim Sale (arte) – Originalmente em Batman – Dark Victory # 0 a # 13.p>

Preço: R$ 96,00

Número de páginas: 392

Data de lançamento: Agosto de 2012

 

Sinopse

Um herói separado das pessoas que ele jurou proteger. Uma cidade assolada por aberrações se torna o campo de uma batalha contra gângsteres. Um brutal assassino de policiais cuja identidade é conhecida apenas como o Enforcador. Uma família criminosa reconstruindo seu império. Uma promotora pública com seus próprios planos. Um recém-nomeado comissário com um jovem e ambicioso esquadrão policial. Um amigo cuja traição o torna o inimigo mais perigoso de todos. E um jovem garoto, tornado órfão por uma tragédia, e destinado a grandes coisas.

Cada fio desta trama se alinha em Batman – Vitória sombria.

Positivo/Negativo

Em 1972, público e crítica aclamaram o cineasta Francis Ford Coppola pela produção de O poderoso chefão. Duas décadas mais tarde, entre 1996 e 1997, o roteirista Jeph Loeb e o desenhista Tim Sale foram igualmente elogiados por Batman – O longo dia das bruxas, uma das melhores histórias já feitas com o defensor de Gotham.

Nela, Batman é obrigado a combater a máfia de sua cidade e ainda desvendar a identidade de um assassino serial que mata gângsteres em datas comemorativas. É, talvez, a melhor e mais realista caracterização do promotor público Harvey Dent e de sua transformação no vilão Duas-Caras.

É possível dizer também que sem O poderoso chefão não existiria O longo dia das bruxas: a temática – importância da família no seio de uma organização criminosa – e diversas passagens da HQ são claramente influenciadas pelo longa-metragem. E a semelhança entre os dois clássicos não para por aí.

Tanto Coppola quanto a dupla Loeb/Sale voltaram às mesmas histórias e personagens para produzir continuações. Alguns poderiam se perguntar “para quê?”, já que as obras originais possuem qualidades suficientes para não precisarem de sequências.

Na realidade, ainda havia muito a se contar sobre a família Corleone e a decadência de Gotham. O poderoso chefão – Parte 2 é ainda mais grandioso que o primeiro filme e Batman – Vitória sombria, mesmo tendo uma narrativa semelhante à de O longo dia das bruxas, oferece ao leitor uma trama tão relevante quanto a da primeira obra.

Continuando exatamente de onde a série antecessora parou, em Vitória sombria mostra um cenário desolador para o crime organizado de Gotham: o chefão Carmine Falcone está morto e seu filho Alberto, o Feriado, preso, assim como todos os chamados “supervilões”. No entanto, como não poderia deixar de ser na cidade do Morcego, tão logo a bonança chega, uma nova tempestade é avistada no céu.

Uma rebelião estoura no Asilo Arkham ao mesmo tempo em que a nova promotora Janice Porter consegue a libertação de Alberto, alegando violação de seus direitos civis por parte de Batman no momento de sua captura.

O chefe da polícia, então, aparece assassinado, enforcado. O bilhete preso no corpo, contendo um macabro jogo da forca, traz pistas inconclusivas. Outros crimes se seguem, sempre contra policiais. Uma nova ameaça está oficialmente instalada na metrópole, suscitando diversas questões: Feriado ataca novamente? A máfia está por trás das mortes? Ou seria a vingança do Duas-Caras contra quem não o ajudou em sua cruzada contra o crime, antes de se tornar vilão?

Estas são apenas algumas das peças com que Loeb conduz seu intrincado quebra-cabeça. Se o tom de mistério se faz crescente a cada capítulo, deve-se elogiar também o desenvolvimento de todo o painel de personagens – e eles não são poucos: no mínimo, uma dúzia tem importância direta na trama.

A intrigante presença da promotora Porter; a relação obsessiva de Sofia Falcone com seu falecido pai; o declínio da condição psicológica de Alberto: tantas nuances os transformam em seres tridimensionais; nem pretos, nem brancos, mas fortemente acinzentados. Contudo, o núcleo duro da história não poderia deixar de ser a tríade Batman, Gordon e Dent.

Bruce Wayne, um homem carregado de culpa – inclusive por ter “perdido” Harvey Dent -, isola-se cada vez mais do convívio social, chegando a ser dispensado pelo affair Selina Kyle. Um personagem essencialmente trágico que somente vê a redenção por meio do pequeno órfão de uma família circense, Dick Grayson. Robin se torna, então, a chance do milionário expurgar os antigos pecados, ajudando o garoto a lidar com a perda dos pais.

Assim como Batman, o comissário James Gordon também anda na corda bamba da sanidade, ao ver a força policial de Gotham ser subjugada e ter de enfrentar problemas familiares. Já Dent se transforma na aberração que tanto combateu; um maníaco que descarta vidas como se nada valessem.

O senão do roteiro fica para a construção de algumas motivações dos personagens, em algumas passagens, mas nada que diminua o prazer da leitura. Prazer este aumentado pela arte linda de Tim Sale.

Nesta álbum, mais uma vez, o mundo é corrupto e vil; e a verdade, dúbia – o que parece, nunca é. E, em meio à loucura, poucos resistem. Por isso, a última imagem de Vitória sombria se faz tão forte: um homem, que se dedica inteiramente a combater o crime desde a morte dos pais, e um garoto, também sem família, selando uma parceria para tornar a vida de sua cidade um pouco menos dolorosa. Um final intimista, porém poderoso, para uma bela HQ.

A luxuosa – e cara – edição em capa dura da Panini não traz muitos extras. Além de compilar o prólogo e os 13 capítulos originais da saga, apresenta uma introdução de Tim Sale e uma página de esboços.

 

Classificação:

4,0

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