BATMAN/JUSTICEIRO – LAGO DE FOGO

Por André Craveiro
Data: 1 dezembro, 2011

BATMAN/JUSTICEIRO - LAGO DE FOGO

Editora: Abril Jovem – Edição especial

Autores: Dennis O’Neil (roteiro), Barry Kitson (desenhos e capa), James Pascoe (arte-final) e Matt Hollingsworth (cores) – Originalmente publicado em Batman/Punisher – Lake of Fire, em 1994.

Preço: tabelado, na época

Número de páginas: 48

Data de lançamento: Novembro de 1995

 

Sinopse

Jean Paul Valley é assombrado com visões de São Dumas, sem propósitos aparentes. Enquanto perscruta pelas respostas ocultas na estranha epifania, toma conhecimento de um sério caso de roubo em Gotham, pondo em risco todo o abastecimento de água local.

Enquanto isso, Frank Castle chega à cidade, no rastro do Retalho.

O vilão conseguiu se apoderar de uma fórmula experimental para combustível de foguetes, que pode incendiar moléculas d’água. Pretendendo testar seu produto roubado nos reservatórios de Gotham, com fins extorsivos, aproveita a deixa para ajustar velhas contas com o anti-herói.

Para evitar uma crise de proporções incalculáveis, Batman e Justiceiro terão que forçar uma indesejável aliança.

Positivo/Negativo

Este embate marcou o primeiro crossover das duas editoras após um longo intervalo, desde o confronto entre X-Men e Novos Titãs, ainda no início dos anos 1980. Foi o pontapé inicial para uma verdadeira enxurrada de lançamentos do gênero, resultando numa dúbia alternativa para regular o fluxo de caixa naquela época de estagnação econômica e criativa.

Vendo que os dois personagens estavam mirando as atenções do público mais adepto das pancadarias, Marvel e DC não perderam tempo e trataram de juntar a violenta dupla numa mesma trama. O momento tinha sido, de certa forma, bastante adequado para o projeto.

Afinal, era o novo Batman – o irascível Jean Paul, futuro Azrael – em combate direto com o Justiceiro, um dos vigilantes mais severos dos quadrinhos. Truculência e ação eram as únicas regras.

Dificilmente se encontra uma página livre desses requisitos, relegando o argumento ao segundo plano.

Embora estrelada por personagens parecidos, a história transparece sutis diferenças entre os protagonistas. Batman se deixa facilmente levar pelas emoções e explosões de fúria, tornando-se gradualmente agressivo. Mais de uma vez é acometido por miragens de seu patrono, e decifrar a mensagem visual garantirá o sucesso na missão que o aguarda.

Paralelamente, Frank Castle age como um veterano meticuloso e enérgico, mantendo a frieza necessária que a tarefa exige.

Tais desavenças de estilo ficam claras pela própria narrativa bifurcada: em primeira pessoa para o Justiceiro, expondo seu ponto de vista; e em terceira pessoa para o Batman, demonstrando a inquietude psicológica que possui.

O interessante é que, diferentemente do que ocorre na maioria dos encontros, nesta HQ os dois heróis pactuam mútua colaboração logo no início, conseguem cumprir o objetivo inicial (em meras duas laudas) e, somente depois, brigam feio entre si.

São oito páginas inteiras preenchidas pelas próprias vias de fato.

Sendo o destaque da obra, os desenhos até que não fazem feio. Barry Kitson usa e abusa das hachuras, dos volumes e das sombras, mantendo o comedimento necessário, com exceção de algumas cenas que deixam expostas as criticadas tendências mercadológicas dos exageros anatômicos.

Onde o artista erra, as boas cores maquiam e atenuam os deslizes gráficos – mesmo no trambolho reluzente que era aquela armadura do Morcego.

A participação especial do Coringa perto do final garante o gancho perfeito para uma continuação, anunciada no expediente da revista, que seria lançada no ano seguinte com o título de Justiceiro/Batman – Cavaleiros mortíferos.

Classificação:

4,0

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