Blacksad # 2

Por Zé Oliboni
Data: 20 outubro, 2006

Blacksad # 2Editora: Panini Comics – Revista bimestral

Autores: Juan Díaz Canales (roteiro) e Juanjo Guarnido (arte).

Preço: R$ 13,90

Número de páginas: 56

Data de lançamento: Setembro de 2006

Sinopse

O detetive John Blacksad investiga o desaparecimento de uma menina chamada Kayleigh, ao mesmo tempo em que as tensões raciais chegam ao limite, com rompantes de violência causando a morte de vítimas inocentes.

É neste cenário que uma organização formada apenas por animais de pelagem branca tenta fazer uma limpeza racial, levando a situação já tensa ao limite.

Positivo/Negativo

Nos quadrinhos “tradicionais” de seus super-heróis, mesmo quando acontecem grandes eventos como a Crise Infinita ou a Dinastia M, no final, a história acaba sendo mais do mesmo. É a sempre aquela velha trama, com os personagens conhecidos em uma história sem fim que, eventualmente, traz algo interessante. Mesmo assim, muitos se prendem a esse gênero e, por um preconceito bobo, não dão chance para materiais diferentes.

Se você ainda não conhece Blacksad, faça-o. Pode parecer algo bobo, uma pantera detetive em um mundo de animais. Contudo, é uma revista séria, intensa e muito bem trabalhada, tanto na trama quanto no desenho.

Nesta edição, Juan Díaz Canales faz uma utilização inteligentíssima da idéia dos personagens antropomorfizados. Em um bairro decadente de subúrbio, animais puristas de pêlos completamente brancos agem como uma elite e discriminam os moradores de outras cores.

A história faz referência direta ao Ku Klux Klan e o preconceito racial nos Estados Unidos, com uma crítica ácida não só à forma como a organização age declaradamente, mas, também, ao sangue que derrama por sua causa sem sujar sua pelagem imaculadamente branca.

Como contraponto, há uma gangue de animais inteiramente negros, que tentam fazer uma oposição radical. Na base da violência, tentam cavar seu lugar numa sociedade que não lhes oferece o que eles precisariam.

Obviamente, no meio disso está Blacksad, que não é inteiro negro e, certamente, não é branco. Ele não agrada nenhum dos lados e arranja todo o tipo de encrenca, mas nada o intimida e o impede de salvar a menina que ele foi contratado para encontrar.

Além de uma história brilhante, o desenho é maravilhoso. O trabalho com expressões faciais de Juanjo Guarnido é excepcional. Ele consegue dar vida e emoção às mais diversas estruturas faciais dos animais com que trabalha.

Além disso, sabe montar uma página de impacto, como a cena em que Blacksad está de tocaia sobre um telhado.

Classificação

4,0

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