Blade – A lâmina do imortal # 4

Por Audaci Junior
Data: 27 outubro, 2017

Blade – A lâmina do imortal # 4Editora: JBC – Série bimestral em 15 volumes

Autor: Hiroaki Samura (roteiro e desenhos) – Originalmente publicado em Mugen no Juunin # 7 e 8 (tradução de Thiago Nojiri).

Preço: R$ 39,90

Número de páginas: 480

Data de lançamento: Junho de 2016

Sinopse

Anotsu Kagehisa, líder da Ittou-Ryu, consegue sair de Edo sem ser encontrado pelos membros da Mugai-Ryu, misteriosos mercenários que querem eliminar o grupo.

Depois do conflito com Shira, um dos membros do Mugai-Ryu, Manji e Rin decidem seguir sem o bando que outrora era seu aliado, mas a separação não será tão simples.

Tanto o samurai imortal quanto a sua protegida estão com os rostos estampados em cartazes de procurados por assassinatos que, na verdade, são atribuídos a Shira. Enquanto Manji tenta adquirir um passe-livre de alguns asseclas da Ittou-Ryu, Rin arrisca passar pelo pedágio com a ajuda de um casal de uma hospedaria.

Positivo/Negativo

A tensão nesta edição não fica apenas nos elaborados combates do protagonista “habitante do infinito”, em que ele pode perder um braço ou uma perna.

Mesmo sabendo da sua missão suicida – principalmente agora, sem o auxílio de Manji para se vingar da morte de seus pais por Anotsu –, a fragilizada Rin não “quebra” o seu único propósito de viver, mesmo que seja tudo em vão.

Um passo de cada vez. O principal combate nesta edição é Rin persuadir o casal de uma pequena aldeia fornecedora de arroz a reincidir na tentativa de passagem ilegal. Fazendo esse esquema, eles foram punidos no passado por colocar uma fugitiva como alguém da família, já que parentes dos habitantes locais não precisam de qualquer autorização para passar pela barreira.

A cartada vital para formar essa atmosfera de desconfiança e suspense é o leitor não saber o passado da parente do casal na qual a protagonista irá encarnar para a farsa. A cada olhada furtiva, sorriso nervoso, gota de suor, silêncio, espanto e argumentação, há um jogo de perguntas e respostas que o habilidoso e calejado inspetor sabe manipular.

Hiroaki Samura faz o leitor prender a respiração no interrogatório, como numa luta de espadas. Um bem embaralhado jogo no qual se blefa, mas deve se mostrar as cartas.

Aqui pode-se ver que Rin não é tão ingênua quanto aparenta, e percebe-se o quanto ela pode levar na pele as consequências de seu objetivo de vingança.

Outro exemplo de mulher forte é a loira Hyakurin, mercenária que não quer nem ser ajudada em combate, muito menos gosta que lhe facilitem vencer em meras partidas de passatempo com palitinhos.

Já Manji precisa adquirir o chamado tegata, uma espécie de passaporte emitido pelo Xogunato que oferece livre acesso ao portador para transitar entre os feudos. Para ter esse documento, por meio de informações do espião da Mugai-Ryu, ele deve tomá-lo à força de um bando da Ittou-Ryu que passará por lá.

As sequências de combate deste volume, em alguns momentos, são confusas, principalmente quando as linhas de ação se centram em detalhes, provocando um “ruído” que faz a atenção se deter mais nos quadrinhos e “interromper” os movimentos da leitura.

Fora essas particularidades, o autor sabe muito bem conduzir uma luta. Com novos e esquisitos apetrechos e armas, o trio da Ittou-Ryu explora mais lições de anatomia na dissecação do corpo de Manji no combate.

Por falar em anatomia, uma curiosidade que é mais evidente nesta edição. Como um podólatra, Samura intercala e valoriza muito os pés dos personagens. Pode reparar como ele explora bem essa parte do corpo.

Com uma desenvoltura melhor na ação, nos momentos finais é mostrada a chegada de Anotsu ao seu destino. Inclusive com uma sequência de duas páginas com grade fixa de seis quadrinhos de um duelo de espadas que mais parecem frames de um filme prontos para serem projetados.

Além disso, são apresentados novos personagens, mas as respostas só serão dadas no próximo volume de Blade.

Na parte editorial, o mangá da JBC permanece com a mesma qualidade, com o formato Big (nas dimensões 13,5 x 20,5 cm), capa cartonada (sem orelhas) e papel off-set com boa gramatura e impressão. Mesmo comportando um grande volume de páginas (média de quase 500 por edição), a encadernação em brochura da editora é firme e, ao mesmo tempo, permite um bom manuseamento.

Classificação:

4,0

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Compre Blade

• Outros artigos escritos por

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  • James Howllet

    E aí rapeize, me ajudem please!!!

    Com o “inferno’ de tantos lançamentos e a onda temerosa sem prazo de validade só posso escolher mais uma série de mangás para colecionar (Já tô com Lobo…, Filho do Lobo…, Aijin e .Inuyashiki) Então é o seguinte:

    Pelo sub-gênero e meu interesse: “Blade” ou “Vagabond”?

    • Rafael

      Esses são os únicos mangás que estou colecionando atualmente. Blade é bem maneiro, mas Vagabond está num degrau acima.

      PS: se eu fosse vc via Ajin na Netflix e passava a comprar o Blade.. q foi o q eu realmente fiz rs

    • MAY

      Blade é bom demais – o Manji me mata de rir. Mas Vagabond é baseado na vida de Musashi, e deste sou fã. Então, minha humilde e muito suspeita opinião : Vagabond.

      • James Howllet

        Boa!

        Mas ela não é…entenda…meio enrolada. Quero dizer, alguns conhecidos afirmaram que se estende (muito) mais que o necessário.
        Mas valeu, obrigado pela dica.

    • Pedro Mafra

      Enquanto Vagabond é voltado à filosofia, Blade tem uma pegada tarantinesca. Ambos são excelentes, mas Vagabond é fantástico.

      • James Howllet

        O desenhista de “Vagabond”…”Que quié aquilo”?!??!!

    • Audaci Junior

      Posso opinar, James? Acho legal vc manter os dois. Muitos acham Blade caro, mas basta lembrar que cada edição era 4 daqueles da Conrad. Vagabond (que contém 2 volumes por edição), custa praticamente o mesmo preço na proporção. O ruim de Vagabond é que ainda está em aberto (serão 37 volumes até chegar perto do Japão); já Blade são 15 volumes fechados. Pelo mesmo caso, Ajin que vc coleciona vai parar (na edição 11, ou seja, daqui a 3). Poderia fazer uma forcinha pra pegar os dois. Rs. Boa sorte!

      • James Howllet

        Muito obrigado Audaci.

        Hum… Tô achando que vou para o Blade. Com isso comentado por você, acho que dá tempo de também fechar “Blade” e correr atrás de “Vagabond” após algum tempo.

  • Audaci Junior

    No meio do volume 10 já é inédito, WW!