Blue Monday – The kids are alright

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 21 fevereiro, 2014

Blue Monday – The kids are alrightEditora: Oni Press – Edição especial

Autor: Chynna Clugston-Major (roteiro e arte).

Preço: US$ 10.95

Número de páginas: 136

Data de lançamento: Maio de 2003

Sinopse

Em meio a trilha sonora britpop, a paixão por um professor substituto e garotos viciados em pornografia, a jovem Bleu L. Finnegan faz o impossível para conseguir ingressos para o show do ídolo Adam Ant e realizar o sonho de sua vida.

Positivo/Negativo

Escrita e ilustrada pela talentosa Chynna Clugston-Major, Blue Monday é uma histérica comédia adolescente que renovou o gênero dos quadrinhos alternativos em preto e branco.

Em meio a tantos gibis de formação fincados no realismo e com foco em situações mais pesadas de angústia juvenil, o trabalho de Chynna é a mais pura curtição, resultando num olhar diferenciado sobre essa fase maravilhosa da vida.

Os jovens de Blue Monday são espertos e cheios de energia, inquietações e desejos. A protagonista, Bleu, sonha com astros do britpop e resiste a investidas dos garotos que considera chatos e imaturos, mas não tarda a viver a grande aventura de sua vida. Ela logo se apaixona pelo professor de História substituto, um aficionado por música e cinema, com quem partilha o gosto por filmes mudos e pelo livro O guia do mochileiro da galáxia.

E a garota vai à loucura com a possibilidade de ganhar ingressos para o show de Adam Ant. Só que tudo sairá muito mais complicado do que se poderia imaginar.

As passagens envolvendo pegadinhas entre Bleu, sua melhor amiga Clover e os garotos pestinhas Alan e Victor, deixam claro a maneira como a autora encara os dilemas da juventude.

Especialmente quando os meninos invadem a cozinha de uma lanchonete e recheiam os sanduíches de Bleu e Clover com um ingrediente especial que é o mais nojento possível.

Assim, Blue Monday tira sarro de tudo e provoca risadas sucessivas, como os bons filmes do gênero têm feito ao longo dos tempos. As caracterizações e a interação de personagens são pontos fortes do texto, já que os protagonistas parecem mesmo reais, como amigos em nossos tempos de colégio. Situações insanas e improváveis correm soltas, com a ambientação do início da década de 1990 fornecendo tempero único. Além disso, o gibi é bem conectado com música e cultura pop que marcaram essa geração.

Uma artista tímida em apresentações públicas, Chynna Clugston-Major aproveitou Blue Monday para colocar em prática as técnicas narrativas que desenvolveu lendo os romances de Jane Austen e produzir as histórias cômicas com personagens fixos que tanto queria. A quadrinhista foi indicada ao Eisner em 2002, e continuou escrevendo minisséries e especiais de Blue Monday, além de colaborações nas revistas de Buffy – A caça-vampiros e uma parceria com Brian Michael Bendis na linha Ultimate Marvel, na qual visualizou um encontro de Peter Parker com os X-Men.

Seu traço é a mescla perfeita de sensibilidades americanas com o melhor dos mangás, em quadros carregados de criatividade e movimento. As moças surgem lindas, apaixonantes e espetaculares.

O volume encadernado de Blue Monday – The kids are alright contém, além da minissérie original em três capítulos, a primeira história com a turminha de Dark Horse Presents e pequenas narrativas tiradas dos títulos Action Girl Comics (da Slave Labor Graphics) e Oni Double Feature.

Apresentados em ordem cronológica, os materiais ajudam a entender a evolução da criadora e seus personagens, desde a sua concepção. Chama a atenção a presença mística de uma cabeça de Jesus roubada do cemitério, que passa a perseguir Bleu como uma maldição. Prova da versatilidade da autora ao ousar sem restrições.

Curiosamente, um pequeno crossover de Blue Monday ocorreu tempos depois, com a adorável Jingle Belle, do escritor Paul Dini, num especial da pequena filha de Papai Noel. É a juventude dos quadrinhos alternativos fazendo história em conjunto.

Por fugir dos padrões e apostar em diversão inteligente, este é um gibi que merece ser apreciado. O moleque dentro de cada leitor vai delirar.

Classificação

4,0

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