Blue Pills – A Positive Love Story

Por Érico Assis
Data: 18 fevereiro, 2011

Blue Pills - A Positive Love StoryEditora: Houghton-Mifflin – Edição especial

Autores: Frederik Peeters (roteiro e desenho) – Originalmente publicado emPilules Bleues, pela Atrabile, da Suíça.

Preço: US$ 18,95

Número de páginas: 192

Data de lançamento: Janeiro de 2008

Sinopse

O autor Frederik Peeters conta uma história autobiográfica: como conheceu a namorada Cati e como foi sua vida após ouvir dela, no início do relacionamento: “Eu tenho HIV, Fred. Sou soropositiva. E o meu filho também.”.

Positivo/Negativo

Existem histórias de amor infantis e fofinhas, histórias de amor adolescentes e melosas, histórias de amor jovens e conflituosas, histórias de amor cômicas e românticas. É fácil encontrar exemplos nos quadrinhos, no cinema, na TV, na literatura. O difícil é encontrar histórias de amor adultas, sinceras e inteligentes.

Já o caso de um relacionamento maduro que vive sob a sombra da AIDS é uma narrativa ainda mais rara, em qualquer mídia. A vivência real da situação é tão complexa quanto a tentativa de passá-la para o papel – e ainda mais complicado é conseguir um resultado interessante, que não caia no moralismo.

Fred ouviu as palavras de Cati e, semi-informado, liberal e apaixonado, assumiu o desafio. Mas como é se entregar a alguém cujo sangue pode prejudicar a si mesmo – e a você?

Blue Pills tem, por um lado, função informativa. Primeiro: sim, existe sexo livre de contaminação entre quem tem HIV e quem não tem. Segundo: existem vários estágios de contaminação, e soropositivos que não desenvolvem qualquer indício de AIDS são cada vez mais comuns – desde que, claro, mantenham tratamento constante para conter o vírus. Com os antirretrovirais, as pílulas azuis do título.

Mas a HQ está longe de ser simplesmente educacional. Como Peeters explica ao longo da história, transformar sua vivência em quadrinhos é a forma que ele encontrou de lidar com todos os aspectos da relação: o sexo impreterivelmente com camisinha (e os sustos quando elas rasgam), as visitas ao médico, os períodos mais pesados de tratamento (de Cati e do filho), o preconceito, ser pai adotivo de uma criança pequena (e soropositiva) e, claro, amar alguém que faz tudo isso valer a pena.

A HQ é estruturada em vários capítulos de conversas: Fred consigo mesmo, Fred com Cati, Fred com um amigo, Fred com o médico e, na brilhante sequência final, Fred com um mamute numa discussão cômica sobre preconceito, amor, raiva, ciência, filosofia e cinema.

Originalmente, Blue Pills saiu em 2001, quando ganhou o prêmio Rodolphe Töpffer. No ano seguinte, concorrendo entre os melhores do Festival de Angoulême, levou o prêmio da crítica polonesa. Já foi publicada em francês, espanhol, alemão, inglês, polonês e italiano.

A única crítica já levantada contra a HQ é a mesma com que atacaram o (ótimo) filme Juno: ninguém age de forma tão madura em situações complicadas como estas. Ou: no mundo real, ninguém fala tão bonito, nem se dá ao trabalho de filosofar sobre vida, moral, amor, sexo etc. Coisa de quem nunca se apaixonou de verdade.

Sem apelar para moralismos ou cair no melodrama, sem floreios para elevar a dramaticidade da vida real, Blue Pills é mais exemplo de como os quadrinhos adultos podem fazer de tudo. É uma das mais fantásticas histórias de amor já publicadas.

Classificação

5,0

Érico Assis é jornalista, professor universitário e colaborador do Omelete e do Blog da Companhia das Letras

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