Bone – The One Volume Edition

Por Zé Oliboni
Data: 18 fevereiro, 2011

Bone - The One Volume EditionEditoraCartoon Books – Edição especial

Autor: Jeff Smith (roteiro e arte).

Preço: US$ 40,00

Número de páginas: 1336

Data de lançamento: Outubro de 2004

Sinopse

Depois de serem expulsos de Boneville, os primos Fone Bone, Phoney Bone e Smiley Bone são separados e se perdem em um deserto desconhecido. Um por um, eles encontram seu caminho para um vale profundo ocupado por uma floresta cheia de criaturas maravilhosas e terríveis.

Lá, suas vidas se cruzam com a da jovem Espinho, criada pela vovó Ben; estranhas criaturas ratazanas que pretendem atacar o vilarejo, além de um misterioso Dragão Vermelho.

Em uma história cheia de mistérios, os Bone encararão a maior aventura de suas vidas.

Positivo/Negativo

Bone é, em vários sentidos, uma grande jornada. Editorialmente, a história começa em julho de 1991, com abertura da Cartoon Books, editora independente criada por Jeff Smith, e chega ao fim 13 anos depois, com a publicação da última edição, em junho de 2004.

Essa longa estrada percorrida não foi importante só para a carreira de Smith, mas também para abrir caminhos para novos autores independentes encontrarem seu espaço.

Junto com Dave Sim – criador de Cerebus – e outros autores, Smith iniciou um movimento de publicação independente que chamou a atenção dos lojistas norte-americanos de quadrinhos e permitiu que seus álbuns fossem vendidos por todo o país.

Bone garantiu ao autor dezenas dos principais prêmios dos quadrinhos nos Estados Unidos, convites para publicar histórias paralelas com autores como Charles Vess e reconhecimento mundial.

Para o leitor, Bone também é uma grande jornada. São 55 edições, reunidas em nove encadernados, compilados em um enorme volume com 1336 páginas. Os estadunidenses tiveram várias oportunidades para acompanhar a série, desde a compra das revistas individuais originais em branco e preto até as novas versões coloridas.

Infelizmente, o leitor brasileiro não teve a mesma sorte. Em novembro de 1998, a Via Lettera – na época uma nova e promissora editora – apostou no sucesso Bone. Contudo, a publicação foi para lá de errática.

No formato escolhido pela editora, os nove encadernados americanos foram divididos em 18 álbuns. 14 deles foram publicados sem um cronograma definido e os quatro restantes que fecham a história não têm nem previsão de lançamento.

O interessante é que Bone é uma obra muito querida pelos leitores e pela crítica nacional. O anseio pela publicação teve até um capítulo tragicômico, quando, em 2006, a Devir chegou a imprimir o primeiro álbum da série colorido, mas foi impedida contratualmente pela Via Lettera de comercializá-la.

Assim, a opção que resta (para quem lê em inglês) é comprar as versões estrangeiras e, se tratando de custo benefício, a edição em um único volume é uma das melhores escolhas.

Apesar de ser desajeitado para ler e impraticável de se transportar em viagens ou salas de espera, o álbum dá a dimensão exata da história: uma grande jornada por um vale fantástico repleto de elementos mágicos.

Na sua essência, Bone é uma aventura mítica juvenil nos moldes de Crônicas de NárniaO Senhor dos Anéis e tantas outras histórias de peregrinação, luta, seres fantásticos e criação e queda de reinos.

Algo interessante é que, apesar de centrada em Phoney, Fone e Smiley Bone, não é a história deles que é contada. Muito pelo contrário: tudo sobre a história do Vale – região onde toda a aventura acontece – é esclarecido, bem amarrado e trabalhado, menos os primos, que permanecem um grande mistério. Pouco se sabe sobre eles e sua cidade natal. Uma menção aqui ou ali, mas Boneville em momento algum é retratada.

E o melhor é que a falta de explicação não faz diferença. A história do Vale, do reino humano e sua sociedade secreta, das criaturas ratazanas e dos dragões é tão grandiosa, que o leitor nem se importa em não ter mais explicações sobre aquelas criaturinhas cartunescas.

Analisando bem, os Bones não uma grande homenagem aos cartuns clássicos inserida numa narrativa mais atual e de maiores proporções do que as histórias cômicas que geralmente abrigam tais personagens.

Eles são desenhados a partir de uma forma básica, mas muito flexível – diferente de todos os outros personagens do Vale, que são mais realistas. Têm características essenciais que nunca mudam – um é bonzinho, outro é cheio de planos e o último é bobão – e, ao contrário dos seus companheiros de série, que apresentam uma evolução durante a história, eles continuam na mesma.

Tanto que, sem estragar qualquer surpresa, uma das últimas cenas da história só com os três primos repete uma das primeiras sequências da saga.

Com esse truque, Jeff Smith reuniu dois mundos distintos dando um passo à frente de obras como a história de Patópolis, desenvolvida por Carl Barks e Don Rosa.

O autor usa os personagens como os cartuns que são, dando o tom de humor à narrativa, mas a aventura que eles vivem a partir de quando são expulsos de Boneville nada tem de cartunesca.

Outro elogio que cabe é ao excelente ritmo da narrativa. O leitor não se cansa em nenhum momento e, apesar de ter uma grande história pela frente, é difícil querer parar, uma vez que cada capítulo deixa um gancho ótimo para o seguinte.

E, como toda jornada precisa ter um fim, o desfecho das aventuras do Vale é extremamente empolgante e, para o leitor, é um verdadeiro e emocionante pay off (termo usado por roteiristas norte-americanos para dizer que o espectador recebe uma “recompensa” por acompanhar a aventura até o final).

O desenho de Jeff Smith é um show à parte. Um traço muito simples e econômico representa bem os personagens e se destaca ainda mais quando retrata, com um belo trabalho de luz e sombras, os cenários mais tenebrosos da aventura.

Há quem diga que o talento de Smith se revelava no desenho dos seres humanos e das outras criaturas, e não no dos Bones. Isso chega a ser injusto, pois os três têm uma forma arredonda e, com pouquíssimas linhas, o autor dava a eles uma expressividade incrível. Sem precisar de grandes detalhes, roupas elaboradas e uma anatomia bem marcadas.

Bone é, sem dúvida, umas daquelas HQs essenciais que todo fã se diverte lendo, se envolvendo na aventura e admirando a arte.

Classificação

5,0

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