Booster Gold – 52 Pick Up

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 26 abril, 2013

Booster Gold - 52 Pick UpEditora: DC Comics – Edição especial

Autores: Geoff Johns e Jeff Katz (roteiro), Dan Jurgens (desenhos), Norm Rapmund (arte-final), Hi-Fi e Lee Loughridge (cores).

Preço: US$ 14,99

Número de páginas: 160

Data de lançamento: 2008

Sinopse

O início de uma nova era de aventuras para o Gladiador Dourado. Após os eventos da maxissérie 52, Michael Jon Carter encontra-se no lugar que sempre quis: ele garantiu a sobrevivência do multiverso e poderá ser aceito na nova formação da Liga da Justiça.

Mas há uma série de tarefas ainda mais importantes para o relutante herói.

Agora, o Gladiador Dourado deve atuar como protetor do fluxo temporal, corrigindo irregularidades e evitando ações de malfeitores na cronologia de seu universo, sem que o mundo desconfie de suas ações. Ele será o maior herói que ninguém jamais conheceu!

Positivo/Negativo

Com a seqüência de eventos iniciada no Universo DC a partir da minissérie Crise de Identidade, que resultou em diversas produções relacionadas e culminou nas bombásticas Crise Infinita e 52, a “Editora das Lendas” cumpriu o propósito de redirecionar todos os seus maiores heróis e apresentou fôlego renovado para o Gladiador Dourado.

Este aventureiro do futuro estava meio esquecido na época, e foi então alçado ao posto de grande astro dos quadrinhos. O catalisador da mudança foi a morte de Ted Kord, o Besouro Azul, pelas mãos do antigo mentor da Liga da Justiça, Maxwell Lord.

Assim, o Besouro acabou assumindo a posição de um novo mártir no quadriverso da editora, suscitando mudanças diversas e inspirando a nova atitude em seu antigo melhor amigo.

Para dar vazão ao novo propósito do viajante do tempo, o roteirista Geoff Johns uniu forças ao novato Jeff Katz na série mensal que contou com a arte do criador do personagem, Dan Jurgens, e o resultado foi uma das melhores sacadas super-heroicas em tempos recentes. O encadernado Booster Gold 52 Pick-Up reúne as seis primeiras edições do título lançado em 2007, com texto introdutório de Jurgens e duas páginas com esboços do autor, e é garantia de curtição.

Como palco das novas aventuras do Gladiador e fonte inesgotável de imaginação, há todo o conjunto rico e complexo de mitologias do Universo DC, passado, presente e futuro coexistindo como poucas vezes em sua história.

Michael Jon Carter agora está longe de ser o herói uniformizado que vendia a imagem pela melhor oferta, perfil consagrado nos anos 1980, mas continua a figura simpática e bem-humorada que os fãs curtem tanto. Tudo o que ele mais queria era desfrutar fama e fortuna ao lado da nova Liga da Justiça, mas deve manter seus triunfos em segredo e sacrificar a própria reputação em prol de uma linha temporal coesa e da existência assegurada dos maiores super-heróis de sua era.

O texto de Johns e Katz revisita vários momentos marcantes na trajetória do Universo DC, com destaque para o Velho Oeste de Jonah Hex e o tiro do Coringa que paralisou Bárbara Gordon, na clássica graphic novel A piada mortal. Mas a grande lição aprendida pelos personagens é que certos acontecimentos estavam destinados a ocorrer, e nem a mais precisa intervenção temporal pode alterá-los. E esta verdade seria duramente assimilada pelo herói.

A trama é recheada de bons momentos e interação certeira entre personalidades únicas, sem limites para a abrangência de suas ideias na cronologia da DC. A conversa entre Michael e um problemático Guy Gardner, antes que este recebesse seu anel energético, está entre as mais contundentes da jornada do personagem, justamente por explorar drama familiar em meio a questão cósmicas tão distantes da realidade.

Como personagens coadjuvantes, os autores apresentam o mestre do tempo Rip Hunter, e o ancestral do herói no presente, Daniel Carter, além do robozinho Skeetz, velho conhecido dos leitores. Há ainda uma destemida jornalista seguindo o rastro do Gladiador ao redor do planeta, que nem desconfia do importante papel que assumirá em sua existência.

Esse elenco de apoio é mais um ponto positivo do título, garantindo cenas impagáveis e extraindo o melhor da personalidade do justiceiro azul e dourado. Mas a cada história sobressai a perda de Ted Kord, e a vontade de alterar o destino do amigo, com resultados imprevisíveis.

Atendendo ao desejo dos fãs e do próprio Gladiador, o segundo arco de histórias do título trouxe o Besouro Azul de volta à vida, mas os acontecimentos decorrentes provaram que não se deve brincar com o fluxo do tempo.

Booster Gold apresentou depois uma saga mais nostálgica assinada por Keith Giffen e J.M DeMatteis (leia aqui uma resenha do encadernado Past Imperfect), a mesma dupla responsável pela fase engraçadinha da Liga da Justiça. O próprio Dan Jurgens assumiu texto e arte da revista com a saída dos roteiristas originais, mas a série foi descontinuada com o reboot completo da DC em 2011.

Este foi um gibi de super-heróis em sua forma mais pura, sem dúvida, mas com espaço para boas caracterizações, arte deslumbrante, reflexões pertinentes e muita diversão.

Classificação

4,5

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