BRAT PACK

Por Zé Oliboni
Data: 1 dezembro, 2007


Título: BRAT PACK (HQM
Editora
) – Edição especial

Autores: Rick Veitch (roteiro e arte).

Preço: R$ 29,90

Número de páginas: 176

Data de lançamento: Novembro de 2007

Sinopse: Slumburg viveu dias de glória quando estava sob a proteção do poderoso Trueman, o maior de todos os super-heróis. Mas, quando ele desapareceu, um novo grupo de mascarados teve que tomar a frente. Assim, formou-se um pacto entre Doninha Noturna, Senhora da Lua, Rei Rad e Juiz Júri, que mantêm as ruas seguras empregando métodos extremos e violentos.

Para ajudá-los, os “heróis” contam com um grupo de parceiros mirins, Chippy, Luna, Selvagem e Kid Vício, que causam uma reação controversa na população de Slumburg. Enquanto uns os idolatram, outros querem ver esse Bando de Pirralhos (tradução de Brat Pack) mortos.

Quando um locutor de rádio propõe uma enquete para ver o que os ouvintes pensam sobre o assunto e a maioria opta pela morte violenta do Bando de Pirralhos, o vilão conhecido como Dr. Blasfêmia realiza esse desejo.

Como os heróis precisam de seus parceiros mirins, principalmente para cumprir seus contratos de licenciamento, inicia-se uma busca por novos jovens, que são escolhidos, um tanto a contragosto, por um padre local.

Positivo/Negativo: Às vezes, se diz que uma história é datada simplesmente por ser antiga, sem se pensar no que realmente significa essa classificação. Algo é datado quando está tão ligado ao momento em que foi criado que só é compreendido realmente se houver todo um contexto histórico e diversas justificativas sobre a época em que foi lançado.

É o caso de Brat Pack. Lendo os textos extras (orelhas, introdução e quarta capa) por três vezes é mencionado que a revista foi lançada quando houve uma votação telefônica para saber se o segundo Robin (Jason Todd) deveria ou não morrer, em 1988. Também se comenta repetidamente que, no mesmo período, foi revelado que o Estrela Polar, da Tropa Alfa, é homossexual e que Veitch estava descontente com a indústria dos quadrinhos, em particular a DC, que o censurou na revista Monstro do Pântano.

Considerando que se trata de um material que só chega ao nosso mercado quase duas décadas depois, quando os leitores não estão no mesmo clima ou nem se lembram ou sabem de toda a história por trás da trama, essa contextualização exaustiva é mais do que necessária.

O problema é que a história é tão pautada na crítica ácida a esses eventos, à DC e a alguns dos tabus dos quadrinhos da época que, sem isso, se torna vazia, sem graça nem propósito.

Para montar sua crítica nada velada, Veitch usa diversas referências. Algumas delas bem diretas, como a caracterização dos personagens principais e os nomes dos locutores de rádio, que fazem menção a vários artistas famosos dos quadrinhos de heróis. Aliás, para quem não sacou, os personagens Trueman, Doninha Noturna, Senhora da Lua, Rei Rad e Juiz Júri se referem, respectivamente, ao Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Arqueiro Verde e Juiz Dredd.

Além disso, há diversas referências indiretas, como a cena em que o Juiz Júri leva o Kid Vício para lutar no lixão, lembrando a batalha do Batman na lama em Cavaleiro das Trevas.

A narrativa de Veitch é bem carregada de textos, mas ele compensa dando dinamismo à história com a bela diagramação das páginas. Aliás, merece nota a cena em que os quatro heróis falam sobre o Trueman, cada um dando um ponto de vista bem diferente sobre o personagem, de uma forma bem fragmentada. As falas dos quatro se juntam, delineando tanto o lado científico, com a sua origem, quanto a personalidade da identidade secreta e do herói.

Uma falha na história é que ela se centra tanto nos heróis que não define exatamente o vilão Dr. Blasfêmia. Mesmo o momento da revelação da sua identidade secreta é confuso – não entender quem é ele, mas o que fazia exatamente e por quê.

O desenho de Veitch é ideal para o que se propõe. Uma história visceral, que pretende revirar o estômago do leitor com cenas como o quase falecido Chippy que vaga pela história como uma massa disforme de carne.

Outro destaque da arte é a cena em que a Senhora da Lua aparece nua e é retratada como uma mulher acabada, com um corpo horrível e decadente que, com os devidos apetrechos, se torna um símbolo sexual desejado por todos os homens.

Aliás, a brincadeira com o erótico marca vários personagens, desde todo o visual sádico do Dr. Blasfêmia, até pequenos detalhes como o cinto da Senhora da Lua, composto de sacos que parecem ter sido extraídos de diversos homens.

No geral, é uma obra que foi importante em determinado momento, que, feitas as devidas considerações, é interessante de ler até hoje, mas está longe de ser tão polêmica e diferente. Várias outras críticas ao gênero super-heróis já foram feitas de forma até melhor do que esta.

A edição nacional tem um ótimo acabamento gráfico, todas as capas coloridas e um guia de referências. Pena que acabe pecando um pouco no texto, pois passaram alguns erros de digitação e, em alguns momentos, um formalismo deixa estranhas algumas falas, algo que poderia ser mais bem adaptado.

Classificação:

4,0

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