CALAFRIO 20 ANOS DEPOIS

Por Marcelo Naranjo
Data: 1 dezembro, 2001

Calafrio 20 Anos DepoisTítulo:
CALAFRIO 20 ANOS DEPOIS Opera
Graphica
– Edição Especial

Autores: Vários

Preço: R$ 24,00

Data de lançamento: Dezembro de 2002

Sinopse: Diversas aventuras compõem a edição.

Noturno n° 13 – História de Maria Aparecida Godoy, adaptação de Rubens F. Lucchetti e desenhos de Rodolfo Zalla. Uma música fúnebre foi composta num pedido de vingança, e ela pode acabar em definitivo com toda uma linhagem de familiares.

Atos de Terror – História de Sidemar de Castro e desenhos de Fabiano Vicente. Um homem enlouquece após presenciar o assassinato de sua mulher. Mas o assassino também quer o seu sangue.

O Medalhão – História de Franco de Rosa e desenhos de Eugênio Colonnese. Quando um criminoso fica sabendo de um amuleto que protege contra todos os males, decide adquiri-lo. Mas o preço pode ser elevado.

Noite Feliz no Orfanato – História de Ota e desenhos de Rodval Matias. Um orfanato fica à beira do fechamento quando seu mantenedor, um homem muito rico, falece. E a viúva quer saber apenas de diversão e de gastar dinheiro. Mas o responsável pela instituição decide resolver o problema, a qualquer custo.

A Revolta – História de Sérgio M. Lucas e desenhos de Flavio Colin. Um cidadão está num pequeno vilarejo, incitando uma revolução dos fracos e insignificantes, deixando irritado o coronel local. Mas todos estavam enganados quanto a quem estava fazendo a revolta.

O Não-Vivo – História de Sidney Silva e desenhos de Luiz Iório. Um estranho ser chega a uma aldeia de nômades, sitiados pelo imperador germânico, que queria o extermínio completo dos pagãos. Todos vão aprender a definitiva lição, que é o encontro com esse mensageiro.

A Meio Caminho do Inferno! – História e desenhos de Ivan Lima. Um cangaceiro tenta desesperadamente chegar até seu bando, para avisá-los de uma emboscada. Mas um encontro inesperado pode mudar o rumo de sua missão.

Um Cemitério… quase Abandonado! – História de Jorge Sinelli (pseudônimo de Rodolfo Zalla) e desenhos de Rubens Cordeiro. Um médico cometeu um grave erro, enterrando uma pessoa viva, e vai pagar caro por isso.

Sociedade Macabra – História de Luís Meri e desenhos de Rodolfo Zalla. Um casal se conhece e fica completamente apaixonado… mas a garota não é o que parece, e o amor dela pode ser mortal.

O Desmorto – História de Sidney Silva e desenhos de Júlio Shimamoto. Um segredo escondido num sótão pode ser muito pior do que qualquer um quer imaginar.

A Peste – História e desenhos de Mozart Couto. Algo estranho acontece com todos que adentram uma floresta. Mas, para não morrer de fome, os últimos sobreviventes de uma tribo terão que enfrentar o terrível perigo.

Positivo/Negativo: Esse álbum especial, com 132 páginas, é um prato cheio para quem tem curiosidade de saber um pouco mais da trajetória das HQs no Brasil, especificamente sobre um dos gêneros mais profícuos, em termos de quantidade de histórias e do surgimento de grandes artistas da HQ nacional: o terror.

Calafrio 20 Anos Depois conta em suas primeiras 23 páginas com um ótimo texto de Gonçalo Junior, fartamente ilustrado, inclusive, com uma galeria de fotos, apresentando toda a trajetória da Editora D-Arte, em especial das revistas Calafrio e Mestres do Terror, que foram publicadas entre as décadas de 1980 e 1990, em formato grande, trazendo sempre diversas histórias de autores nacionais.

Sob a tutela e o suor de Rodolfo Zalla, que sempre acreditou no projeto, apesar de tantas dificuldades, diversos artistas puderam continuar publicando suas HQs, entre eles Flavio Colin, Júlio Shimamoto, Mozart Couto, Rubens Cordeiro e Ota. E muitos outros criadores tiveram a chance de ter suas obras publicadas pela primeira vez. Até mesmo os leitores, que enviavam suas aventuras, tinham a chance de vê-las retratadas na revista.

Além disso, Calafrio e Mestres do Terror também apresentavam textos de pesquisadores, sobre diversos ramos das HQs e seus artistas e criações, incluindo os brasileiros. Todos esses e muitos outros detalhes e curiosidades constam do texto.

A seleção de histórias da edição é bem ampla, cobrindo os maiores colaboradores da revista. Em especial, vale conferir o humor macabro de Noite Feliz no Orfanato; o estilo moderno de narração e visual de Atos de Terror e o talento de Luiz Iório, o artista responsável pelos desenhos de O Não-Vivo.

Cada história tem uma página de texto como prefácio, contando um pouco sobre os responsáveis pela HQ, e também sobre o método utilizado para o desenho.

Um ótimo trabalho de resgate de memória. O que fez falta à edição é uma galeria com todas as capas das revistas Calafrio e Mestres do Terror que foram publicadas.

Quanto aos textos nas histórias, ocorreram diversos erros de português e digitação nos balões. Confira:

Página 10 – “E dessa casa, que lhes partencia” (pertencia).

Página 10 – “não econtraram (encontraram) o autor dos mesmos.

Página 31 – “Porque não abandona o lugar?” Este “por que” deveria estar separado.

Página 32 – “Outras notas musicais…. enche (enchem) os recantos sombrios da mansão.

Página 34 – “Das teclas do antigo pianos”. Piano deveria estar no singular.

Página 37 – “E sua prespicácia (perspicácia)”.

Página 37 – “ajudar um velo (velho) amigo.

Página 37 – “providencia a limpeza gera (geral) da sala de música.

Página 51 – “que havia criado a HQ em em (repetição do “em”) pouco mais de uma hora”.

Página 54 – “Vigiaremos aqui de for (fora)…”.

Página 93 – “não ressistiu (resistiu)”.

Provavelmente, as histórias foram apresentadas como no original. No entanto, para uma edição como esta, de luxo e comemorativa, esses erros deveriam ter sido corrigidos.

Classificação:

4,0

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