CAMELOT 3000

Por Wesley Modro
Data: 1 dezembro, 2010

CAMELOT 3000

Editora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Mike Barr (roteiro) e Brian Bolland (arte).

Preço: R$ 82,00

Número de páginas: 320

Data de lançamento: Setembro de 2010

 

Sinopse

Após milênios adormecidos, o Rei Arthur e seus cavaleiros ressurgem no ano 3000 para salvar a humanidade de um terrível ataque de alienígenas, que promete dizimar a vida na Terra.

Neste cenário, despertam também as paixões e intrigas do passado, colocando em risco o sucesso da missão que, por si só, já era difícil.

Positivo/Negativo

Camelot 3000 é daqueles gibis pra ler de “uma tacada só”. O roteiro de Mike Barr é ágil e, apesar do ritmo frenético, consegue envolver o leitor. A visão do futuro do autor é cada dia mais atual.

Mesmo com certas questões estéticas tendo se tornado ultrapassadas, a forma como Barr trabalha o ambiente político e a metalinguagem da salvação da humanidade é atemporal. O seu ano 3000 fica mais perto ainda quando temas como transexualidade, lesbianismo, adultério, ocultismo, entre outros, que nos anos 1980 causavam tanta polêmica, hoje são assuntos banalizados pelo cotidiano.

A ótima introdução do roteirista é um importante complemento ao álbum, explicando, além do processo de desenvolvimento, um pouco dos motivos que tornaram Camelot 3000 um marco na história dos quadrinhos.

A arte de Brian Bolland também é fundamental para o sucesso da HQ. As expressões faciais no seu traço são absurdamente convincentes, empurrando o leitor para dentro do universo fantástico da Nova Camelot. Não é à toa que este inglês é considerado um dos maiores quadrinhistas de todos os tempos.

A colorização de Tatjana Wood é memorável. Para o leitor mais saudosista, então, é um prato cheio de nostalgia, no melhor sentido.

Em 25 anos, esta é a quarta vez que Camelot 3000 é publicada no Brasil. Mas esta é a primeira edição que entrega aquilo que o épico de Barr e Bolland merece.

A primeira tentativa aconteceu em 1985, quando a Abril lançou a HQ em formatinho, nas revistas mensais Superamigos e Batman e, posteriormente, em uma minissérie de quatro volumes, em 1988. Ambas sofreram cortes no conteúdo da história.

A temática adulta e avançada para a época, o formato diferenciado de publicação e tudo aquilo que tornou Camelot 3000 revolucionário no mercado norte-americano não foram bem entendidos e aproveitados pelos editores brasileiros da época, que optaram por publicar a saga em revistas voltadas para o público juvenil, limando aquilo que consideravam ofensivo.

Em 2005, a Mythos lançou um encadernado com péssimo tratamento editorial e gráfico, por um preço que não condizia com o produto final (R$ 59,90).

Baseando-se na edição de luxo lançada pela DC em 2008, a Panini trouxe para o Brasil a versão que aplacaria o anseio dos fãs. Mas o preço deve afugentar muita gente. Para se ter uma ideia, encomendar o álbum original pelo Amazon.com, mesmo com o frete, sai mais barato que a versão nacional.

Além disso, em uma edição que cobra e se diz de luxo, erros de revisão, por mais bobos que sejam, não podem ser aceitos. E basta ler a introdução para encontrar uma série deles.

Apesar dos problemas, Camelot 3000 é indispensável na estante de qualquer fã de quadrinhos de qualidade. Os extras não chegam a acrescentar muito, mas ler esta versão sci-fi dos Cavaleiros da Távola Redonda sem cortes e impresso na melhor qualidade, definitivamente, não tem preço.

Classificação:

4,0

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