CÃO # 0

Por Zé Oliboni
Data: 1 dezembro, 2007


Título: CÃO # 0 (Studio
Vermis
) – Revista independente

Autores: West X East – Harriot Junior (roteiro) e Marcelo Manzano (arte);

Ajisai – Harriot Junior (roteiro) e Ko Ming (arte);

Kogane-Gumo – Harriot Junior (roteiro) e Hervilha Filippelli (arte);

Kumo Gassen – Harriot Junior (roteiro) e Rodrido Tagushi (arte);

Sonezaki Shinju – Harriot Junior (roteiro) e Amanda Hayná (arte);

O Espelho – Harriot Junior (roteiro) e Camila Torrano (arte).

Preço: R$ 2,60

Número de páginas: 24

Data de lançamento: Fevereiro de 2007

Sinopse: Coletânea de histórias curtas com diversos estilos artísticos e temática ligados ao Japão no período em que os samurais viajavam pelo país do Sol nascente.

Positivo/Negativo: Das revistas independentes recentes, Cão é uma das melhores. Principalmente por já na primeira edição mostrar um trabalho competente e uma proposta bem definida.

Seu grande diferencial é mostrar mais do que um grupo de artistas produzindo de forma independente, cada um no seu canto, e depois o editor juntando tudo – por mais distinto que sejam os trabalhos. Longe disso, Cão buscou ter um tema que a unifique e, mesmo com diferentes estilos, conseguiu uma revista bem coesa.

A história muda West X East abre a edição com estilo. Com um ótimo desenho, mostra uma surreal luta entre um samurai e um cowboy. Típica HQ meio sem propósito que você acaba gostando sem saber por quê. Pelo desenho ou pelo lado insólito, o fato é deixa aquela vontade de dar mais uma olhadinha em suas páginas.

Há uma mudança brusca na segunda história, a única mais voltada ao humor. Ajisai mostra dois demônios brigando pelo amor de uma ninfa que não os quer. A idéia é boa, mas o desenho de Ko Ming precisa melhorar. Não o traço (em estilo mangá) em si, que é competente, mas pela falta de um estilo próprio. No entanto, isso é algo que acontece com a prática.

Kogane-Gumo e Kumo Gassen tem suas tramas ligadas, mas o visual contrastante dificulta que o leitor perceba isso. Na primeira, Hervilha Filippelli mostra uma arte muito complexa e um trabalho mais puxado para a pintura do que o desenho. Em seguida entra Rodrido Tagushi com uma arte alternativa, buscando um recorte e colagem diferente de imagens.

O grande problema, na verdade, é a primeira página de Kumo Gassen, pois sua estrutura visual lhe deu uma cara de propaganda, quebrando qualquer linearidade que pudesse se formar na passagem entre as histórias.

O ponto mais fraco da revista é Sonezaki Shinju, por causa do desenho de Amanda Hayná. Claro que só a prática é vital para o amadurecimento qualquer artista, mas ela ainda está longe do ponto de ser publicada. Faltam-lhe técnica e estilo próprio.

A revista fecha com uma boa história no traço de Camila Torrano. Um desenho bem acabado, com bons momentos, como o quadro reproduzido na quarta capa.

Assim como West X East abre a revista deixando o leitor empolgado, O Espelho tem a sensibilidade e a sutileza ideal para encerrar a edição.

Classificação:

4,0

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