CÃO # 1

Por Zé Oliboni
Data: 1 dezembro, 2007


Título: CÃO # 1 (Studio
Vermis
) – Revista independente

Autores: Go – Harriot Junior (roteiro) e Marcelo Manzano (arte);

New User – Harriot Junior (roteiro), Hervilha e Rodrigo Taguchi (arte);

Roberto Inc – Ko Ming (roteiro e arte);

Old Melody – Harriot Junior (roteiro) e Joana Cristina (desenhos).

Preço: R$ 2,60

Número de páginas: 32

Data de lançamento: Maio de 2007

Sinopse: Go – Uma corrida frenética e emocionante, em que há mais em jogo do que a simples disputa.

New User – Um detetive em um futuro decadente fica cara a cara com as manipulações não só da indústria farmacêutica.

Roberto Inc – Um robô que está além da inteligência artificial tem a capacidade de se conectar com os espíritos.

Old Melody – Um mergulho no que move os avanços tecnológicos e o que está no seu núcleo.

Positivo/Negativo: Antes desta edição, foi publicada pelo Studio Vermis a Cão # 0, que de cara surpreendeu pela qualidade e por ser um revista mix coesa e coerente. Ela girava em torno de um fio condutor, o Japão Feudal, e contava histórias em vários estilos seguindo esse tema.

Cão # 1 mudou o foco central para um cenário futurista, mas manteve essa excelente característica. Mais do que repetir os acertos, os autores se esforçaram e elevaram o nível artístico de forma surpreendente.

No aspecto visual, a revista está excelente, mostrando desde uma arte mais clássica até um trabalho mais experimental, tudo adequado às histórias que estão sendo contadas, de forma a fazer uma publicação harmônica.

Essa qualidade pode ser vista já na capa, com um excelente desenho em preto, branco e tons de prata que, apesar de não parecerem tão interessantes quando vistos na tela do computador, ficaram muito bons na versão impressa.

Sobre as histórias, a edição começa bem, com uma frenética cena de corrida desenhada com muitos detalhes e cuidado com o sombreamento. A opção de Marcelo Manzano de arte-finalizar os contornos e as áreas pretas, mantendo no grafite os tons de cinza cria um ar retrô que contrabalança todo o entorno futurista.

Se existe uma falha para ser apontada neste número é o fato de a história
central, New User, ser muito hermética e tão cheia de referências
que o leitor fica confuso e não digere totalmente a trama se não tiver
lido ou assistido às mesmas coisas que os autores.

Claro que sempre existirá um público específico que vai ler e alucinar com a história, mas, para quem não é fã de Blade Runner e outros futuros caóticos, resta observar os bons desenhos. Com um pouco de paciência, nota-se as variações da realidade no mundo virtual e como isso vai sendo marcado pelo trabalho dos artistas.

Roberto Inc, de Ko Ming, é um bom exemplo de evolução artística. Na edição passada, o autor apresentou um desenho competente, mas sem muita personalidade. Aqui, ele mostra um traço bem executado, pensado para a história e já com um pouco de “vida própria”, algo para diferenciá-lo de outros artistas.

Com certeza, Ming tem muito a aprender ainda, principalmente no roteiro, já que a trama, apesar de ter bons momentos, acaba caindo numa certa obviedade.

Na última história tem um estilo de desenho parecido com a primeira, mas seu ritmo é bem diferente, ideal para fechar a revista de forma calma e poética.

O texto de Old Melody é interessante, com uma mensagem forte sobre o que move todas as coisas no universo. Na arte, esse contraponto de tecnologia e criação pura humana também é bem destacado.

Joana Cristina faz um bom trabalho ao pintar com grafite seus desenhos. Contudo, o contorno de seus personagens ainda é “pré-fabricado” demais. É um traço muito bonito, mas ainda falta algo para ser interessante para uma história em quadrinhos.

Classificação:

4,0

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