CÃO # 2

Por Zé Oliboni
Data: 1 dezembro, 2007


Título: CÃO # 2 (Studio
Vermis
– Revista independente)

Autores: Introdução – Harriot Junior (roteiro) e Jotamora Oltemann (arte);

O Embarque – Harriot Junior (roteiro) e Marcelo Manzano (arte);

A Profecia – Ko Ming (roteiro e arte);

O Pesadelo – Harriot Junior (roteiro) e Rodrigo Taguchi (desenhos);

A Montanha – Harriot Junior (roteiro) e Hervilha (desenhos);

Conclusão – Harriot Junior (roteiro) e Jotamora Oltemann (arte).

Preço: R$ 3,00

Número de páginas: 32

Data de lançamento: Agosto de 2007

Sinopse: Sara está de babá da sua irmã Carol, que não sai da frente da TV.

Quando as duas brigam, a menina é misteriosamente lançada para dentro do aparelho e Sara tem que partir em uma incrível jornada para encontrá-la. Dentro da TV, ela cai num mundo mágico, com idéias e seres que já foram esquecidos pela maioria das pessoas que pararam de enxergar as cores da vida e envelheceram.

Positivo/Negativo: Há uma safra de revistas nacionais independentes que tem se mantido bem, tanto em qualidade quanto em periodicidade. Uma delas é a Cão, que chega ao seu segundo número.

Algo interessante na Cão é ser uma revista mix coesa, que sempre orbita em torno de um tema. Na edição zero foi o Japão feudal, na um foi um cenário futurista de ficção científica; e agora, na # 2, a temática são os anos 80.

Parece estranho esse saudosismo precoce dos anos 80. Uma espécie de busca de uma infância perdida que nem foi há tanto tempo assim.

De todo modo, como não podia deixar de ser para algo com esse intuito saudosista, em Cão não faltam referências: Bozo, Thundercats, Cavalo de Fogo, Indiana Jones, O Iluminado, Chaves, Xuxa, Michael Jackson, entre tantas outras criações. Se você é fã de tudo isso, este número deve agradá-lo.

E se não gosta dessas coisas, ainda assim vai encontrar uma boa história. Felizmente. Harriot conduz bem a aventura e dá o ritmo ideal para contrabalancear a inevitável sensação de que a maioria das coisas para as crianças dos anos 80 eram tão bizarras que só se pode rir delas.

A narrativa ficou tão bacana que é quase impossível não se empolgar com a cena em que Indiana Jones aparece junto com Martin McFly no DeLorean de De volta para o futuro para resgatar a garota.

A principal crítica que cabe aos roteiros é na parte A Profecia, escrita por Ko Ming. Não tanto por culpa dele, mas do que lhe restou para fazer na história: aquele momento em que se tenta explicar tudo o que está acontecendo, como se formou aquele mundo em que Sara está perdida e o que ela deve fazer para resgatar a irmã.

O problema é que a trama está seguindo em um bom ritmo de aventura, com o leitor empolgado e, de repente, isso é quebrado para dar uma explicação complexa. Esse esclarecimento é a faca de dois gumes de uma história complexa.

O roteirista precisa esclarecer para o leitor o que está acontecendo e, como neste caso, a explicação fica densa demais e quebra o ritmo da leitura. Mas, passada essa parte, a revista fecha com o clima de aventura da sessão da tarde.

Outro diferencial da Cão tem sido a arte. A revista comporta vários estilos bem adequados para o momento narrativo da história.

Ko Ming, mesmo ficando com a parte de texto mais carregada, se destacou novamente por mostrar algo diferente. Quem acompanha a revista desde a primeira edição pode reparar como ele tem evoluído. Neste número, praticamente se reinventou e trabalhou mais com a pintura do que com o traço em si. O resultado ficou bom.

Já Jotamora Oltemann sofre do mesmo mal de Ko Ming na edição zero. O desenho dela é bem feito, mas carece de personalidade. Ela precisa encontrar um caminho próprio e ir evoluindo para que não pareça uma cópia de outros tantos mangakás.

Os outros desenhistas mantêm o bom trabalho dos números anteriores e,
quem acompanha a evolução dessa equipe, vai notando as melhorias principalmente
na narrativa visual.

Classificação:

4,0

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