CÃO # 3

Por Zé Oliboni
Data: 1 dezembro, 2007


Título: CÃO # 3 (Studio
Vermis
) – Revista independente trimestral

Autores: Harriot Junior (roteiro), Marcelo Manzano, Ko Ming, Rodrigo Taguchi, Hervilha, Alexandre Manzano e Rafaella Ryon (arte).

Preço: R$ 3,00

Número de páginas: 40

Data de lançamento: Novembro de 2007

Sinopse: São Paulo foi misteriosamente invadida por zumbis. Agora, os humanos sobreviventes procuram abrigo no MASP, onde descobrirão uma surpreendente história que pode esconder a causa de tudo que está acontecendo.

Positivo/Negativo: Cão é uma das produções independentes mais louváveis de 2007. A revista não só conseguiu manter sua periodicidade como tem apresentado uma impressionante curva de crescimento na qualidade.

Um dos seus grandes diferenciais é o fato de ela ser muito bem editada. As revistas são coesas, têm uma proposta temática que é seguida até quando não se trata de uma única história, além de a arte “casar” bem com o texto. Interessante notar, inclusive, a preocupação de ligar o tema de um número ao anterior.

A Cão é uma revista de histórias fechadas, que muda de gênero narrativo e temática a cada edição, mas não se descaracteriza. Eles têm uma proposta, uma lógica na escolha do caminho a ser seguido e isso fica claro nos breve editoriais que, em vez de comentar o processo de produção, da vida pessoal do grupo ou qualquer outra coisa, servem como introdução e pequena reflexão sobre o que acontece nas páginas a seguir.

Para este terceiro número, o Studio Vermis apresenta uma trama de terror, mais especificamente, de zumbis. A temática já foi tão explorada que é difícil pensar em algo novo, mas o grande segredo não é contar algo revolucionário, mas sim uma boa história.

Com uma trama simples, Cão # 3 prende a atenção do leitor do começo ao fim e ainda surpreende um pouco, principalmente por causa da relação entre a arte e o texto.

Como é costume da revista, uma garota foi convidada para desenhar parte da história. Além de Rafaella Ryon ser, de longe, a melhor artista que participou da Cão, com um traço bem executado e expressivo em tons de cinza, sua participação casou perfeitamente com o momento da trama.

Ryon cria um visual meigo, com forte influência dos mangás. Assim, se destaca instantaneamente, contrastando com o restante da revista e criando o clima ideal para a apresentação de uma personagem que logo ganha a simpatia do leitor.

Por causa de toda essa ambientação criada com a arte Ryon, chega a ser chocante o jeito que a história dessa personagem se encaminha e o segredo que ela esconde.

Todos os artistas da Cão surpreendem pela expressividade do desenho e da pintura em tons de cinza. Os destaques da edição são Alexandre e Marcelo Manzano, que assinam a arte mais realista da revista sem fugir do padrão estético do resto da edição e sem abrir mão da expressividade necessária para manter o clima pesado daquele momento.

O texto de Harriot Junior garantiu toda uma narrativa forte e empolgante, misturando drama e terror de forma inteligente e trabalhando bem com os clichês do gênero. Pelo quem vem mostrando, ele é forte candidato ao HQ Mix de roteirista revelação de 2007.

Classificação:

4,0

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