CAPITÃO AMÉRICA – A AMEAÇA VERMELHA

Por Thiago Borges
Data: 1 dezembro, 2012

CAPITÃO AMÉRICA - A AMEAÇA VERMELHA

Editora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Ed Brubaker (roteiro), Steve Epting, Mike Perkins, Javier Pulido e Marcos Martin (arte), Steve Epting e Mike Perking (arte-final) e Frank D’Armata (cores) – Originalmente publicado em Captain America # 15 a # 21 e Captain America 65th Anniversary.p>

Preço: R$ 60,00

Número de páginas: 216

Data de lançamento: Agosto de 2011

 

Sinopse

Na trilha de seu recém-reencontrado parceiro Bucky, o Capitão América vai à Inglaterra e luta ao lado de dois ex-colegas Invasores – Spitfire e Union Jack – para impedir que o Caveira Vermelha arrase Londres com um pesadelo dos tempos da Segunda Guerra Mundial.

Para isso, porém, ele terá de enfrentar diversas ameaças, como o novo Grande Mestre, Ossos Cruzados e Pecado, a insana filha do Caveira Vermelha.

No segundo volume da fase do premiado roteirista Ed Brubaker (Criminal) à frente do título do Sentinela da Liberdade, novos e surpreendentes desafios aguardam o herói.

Positivo/Negativo

A ameaça vermelha continua a compilação da fantástica fase de Ed Brubaker à frente do título do Sentinela da Liberdade. Os arcos de história contidos nesta edição luxuosa da Panini são inferiores aos publicados em O soldado invernal, mas apenas por possuírem acontecimentos menos impactantes para a vida do herói. A abordagem sóbria imposta pelo roteirista, com forte influência da narrativa policial, mantém o alto nível.

Diferente do Steve Rogers arrogante, preso ao passado, encontrado em Os Supremos, de Mark Millar, Brubaker desenvolve seu Capitão América como um homem cuidadoso e respeitoso. Quando descobre que seu antigo parceiro Bucky Barnes está vivo, atuando como soldado da Rússia, ele não se abala negativamente, como se podia esperar.

Em vez de se isolar, procura cada vez mais ter pessoas ao seu redor; em vez da desilusão, resigna-se com a esperança de ajudar o companheiro. Rogers é retratado menos como super e mais como homem.

Essa obsessão por salvar Bucky fica clara ao longo da trama, que começa com Ossos Cruzados torturando Sinthea Shmidt, a filha do Caveira Vermelha, para fazê-la se lembrar de seu passado como a vilã Pecado – em O soldado invernal, o vilão raptou a garota de uma prisão da S.H.I.E.L.D., onde ela teve a memória apagada – e acaba com um ataque de um robô nazista gigante a Londres.

Curioso perceber o quão recorrente o tema lavagem cerebral se insere na trama. Bucky, reprogramado mentalmente pelos russos; Pecado; a nova versão do Grande Mestre; e, por que não, o próprio Capitão América: todos frutos exacerbados das mais diferentes visões de mundo, não importando se oriundas do nazismo, capitalismo ou comunismo.

Ao longo do Século 20, a batalha no campo ideológico foi a mais dura das guerras – tanto que perdura até hoje, ganhando ainda mais força principalmente no cenário político/religioso. Como leitor, é recompensador encontrar uma observação contundente como essa em um “simples” quadrinho de super-herói.

E mais gratificante ainda é constatar a habilidade de Brubaker em costurar até quatro narrativas diferentes, transformando tudo em uma história coesa, com espaço para cenas de ação (que jamais se alongam a ponto de se tornarem aborrecidas), investigação policial e banalidades em igual proporção.

Talvez o grande mérito do roteirista seja inserir, sem alarde, fatos essenciais para a trama que só se revelam importantes quando necessário. Nada está lá por acaso. Por isso o plano levado a cabo pelo Caveira Vermelha e pelo industrial russo Aleksander Lukin, revelado no fim do livro, se mostra tão genial. Afinal, olhando bem, estava arquitetado desde o primeiro capítulo.

Se o roteiro funciona, “culpa” disso vai para a colorização de Frank D’Armata. O artista abusa de tons saturados e pesados, encharcando os quadros de sombras. Poucas são as páginas em que a luz se faz presente em abundância. A combinação desta paleta mais sombria com a arte realista de Steve Epting dá o tom noir perfeito a uma história cheia de mistérios.

O desenhista não aparece em todas as edições, sendo auxiliado por Mike Perkins, mas seu trabalho consegue dar mais uniformidade aos traços de cada personagem.

A ameaça vermelha possui uma trama densa, bem escrita e desenhada, com poderosos ganchos para a continuação da saga, como a volta de um personagem que esteve sumido durante todo o encadernado e as consequências dos atos de Caveira Vermelha e Lukin.

Afinal, esses acontecimentos desembocarão em um dos mais importantes momentos da revista do Capitão América ao longo de sua história: a morte de Steve Rogers.

O trabalho da Panini nesta edição está primoroso, assim como em toda a coleção Marvel Deluxe. Aqui, a editora inclui um prefácio do editor Fernando Lopes com comentários sobre a fase de Brubaker à frente do personagem, galeria de capas e sketchbook de Steve Epting.

 

Classificação:

4,0

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