Capitão América – Lar dos valentes

Por Gustavo Nogueira
Data: 24 dezembro, 2018

Capitão América – Lar dos valentesEditora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Mark Waid (roteiro) e Chris Samnee (desenhos) – Originalmente em Captain America # 695 a # 700 (tradução de Mariana Naime).

Preço: R$ 22,90

Número de páginas: 144

Data de lançamento: Dezembro de 2018

Sinopse

Steve Rogers está de volta à ação, agora em uma jornada pelo país que ama, para restaurar sua reputação manchada.

Mas, para enfrentar os perigos que encontrará, será preciso mais coragem do que nunca!

Positivo/Negativo

Após a polêmica saga Império Secreto, na qual o Capitão América se revela um agente da Hidra, o verdadeiro Sentinela da Liberdade está de volta. Waid e Samnee reapresentam o clássico patriota com todo o seu heroísmo característico. O bom e velho soldado voltou!

Waid tem em sua carreira uma elogiada passagem pelo título do herói, e volta com um trabalho de qualidade, que resgata o cerne do personagem. O roteiro é fluido e remete a uma história clássica, com direito a frases de efeitos e o otimismo do american way of life.

A dupla, que já trabalhou junta em Demolidor e Viúva Negra, possui uma sintonia esplêndida, com um aproveitando bem o talento do outro. Como já aconteceu em suas outras obras, esta apresenta muito dinamismo e o uso de muitas cenas de ação com poucos balões de fala.

O enredo apresenta conflitos simples com antagonistas de pouca relevância, buscando elevar a imagem do protagonista e sua relação com seus admiradores. As primeiras histórias da edição trazem o tom de uma trama clássica e animam o leitor. No entanto, infelizmente, as demais se tornam clichês, e perdem um pouco de impacto.

A arte de Samnee é viva e limpa, uma aula de arte sequencial e da linguagem dos quadrinhos. O desenhista mostra um amplo domínio da condução da narrativa e produz páginas contagiantes.  É importante destacar as cores chapadas e alegres de Matthew Wilson que auxiliam no bom resultado obtido.

O desafio da dupla de resgate do Capitão América original é cumprido com louvor. Como em qualquer coletânea, há histórias mais e menos empolgantes, mas Capitão América – Lar dos Valentes é uma bela obra, que oferece uma diversão e resgata o sentimento de nostalgia de retratar um quadrinho literalmente heroico.

Classificação:

4,0

• Outros artigos escritos por

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  • FINASTERIDO

    O que acontece nesta revista é o resgate (mais uma vez) do tal sonho americano que o capita representa. Mas… que sonho é esse? os americanos vivem com uma saudade mal trabalhada dos tempos em que o país era a terra dos sonhos, da liberdade. Mas isso não se aplica com o que temos hoje, com Trump brigando para construir muros e não pontes. Este encadernado e o próximo são um interlúdio para o fresh start, nada mais. O Capitão é apenas um homem perdido no tempo, literalmente

    • Alessandro Souza

      Penso que o capitão américa é, como o John Rambo original do livro de David Morrel: um cara em busca de um lugar (não a toa, o Rambo do livro morre no final, pelas mãos do Cel Trautman) para ficar. Um lugar em que seu sonho seja uma realidade plausível. Como diz a declaração de Tomas Jeferson: “O homem tem direito a BUSCA da felicidade”. Se a américa fosse a materialização dos sonhos de liberdade e igualdade dos patriarcas fundadores, Steve Rogers teria aposentado seu escudo.

  • kaoticchic

    O “American Way of Life” é a dialética secular do Liberalismo x Socialismo/Comunismo (apesar de muitos americanos ainda não entenderem isso). Que se construam pontes Honduras/Cuba, Honduras/Nicarágua, Honduras/Venezuela, Honduras/China, pois eles se merecem. Não entendo pontes para o lugar que se despreza. Me conte outra história.

  • Silvio César

    Não concordo. Se você acompanhou essa saga desde o começo, verá que essa ideia de Capitão facista foi bem construída e constitui uma crítica aos tempos modernos, em que quase dançamos com ideologias totalitárias. Se você não leu todo o arco do Nick Spencer, recomendo. Não foi gratuito, mas sim um exercício criativo em cima de um personagem que é sim uma bandeira.