Capitão Feio – Identidade

Por Rafael Baldo
Data: 27 abril, 2018

Capitão Feio – IdentidadeEditora: Panini Comics  – Edição especial

Autores: Magno Costa e Marcelo Costa (roteiro, desenhos e cores).

Preço: R$ 26,90 (capa brochura) / R$ 36,90 (capa dura)

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Agosto de 2017

Sinopse

O principal vilão criado por Maurício de Sousa estreia na coleção Graphic MSP com uma (quase) história de origem. A HQ mostra como Feio lida com seu misterioso poder, enquanto enfrenta a falta de memória, a solidão e a rejeição da sociedade.

Positivo/Negativo

Capitão Feio – Identidade ousa dentro de amarras seguras. O vilão com superpoderes bebe claramente da fonte dos quadrinhos de super-heróis e usa o estilo narrativo desse gênero para contar uma história que – se não explicita a origem dos poderes do personagem –  apresenta um pouco do seu “Ano Um”.

Os irmãos Magno (roteiro e uma página dupla de arte) e Marcelo Costa (desenhos) mostram personalidade ao mesclar ação e um tom mais psicológico ao protagonista. Feio lida com a falta de memória – um recurso clichê, mas que funciona na HQ – e com o preconceito de quem sofre as consequências de seus poderes sem controle.

Como é comum aos quadrinhos da coleção Graphic MSP, a revista traz easter eggs de vários tipos. Alguns, como uma conhecida marca de extrato de tomate, são mais fáceis de pegar. Outros dependem mais da referência cultural de cada leitor. Ao final da edição, os textos complementares são fundamentais para solucionar parte desse mistério e contextualizar o vilão, algo já tradicional e muito bem-vindo neste selo.

O interessante é quando referência e narrativa se unem, como as icônicas televisões saídas do roteiro de um certo Frank Miller, em O Cavaleiro das Trevas. E, apesar do tom carregado de amargura do personagem e do enfoque em sua psique, as cenas de ação são muito bem executadas e realmente empolgantes.

Tudo combinado com uma arte fluida, carregada de ângulos certos para cada ação, diagramação bem pensada e colorização que não deve em nada às graphic novels estrangeiras. Capitão Feio – Identidade é uma competente transcrição do gênero para o icônico vilão de Mauricio de Sousa.

No entanto, a revista peca em alguns aspectos. Apesar de ser focada no início do personagem, não é clara a origem de seus poderes. Talvez essa não tenha sido mesmo a intenção do roteiro, mas seria relevante para conectar o personagem a esse mundo desacostumado a superpoderes. Em uma possível continuação, quem sabe possam esclarecer esse ponto.

Por tratar de solidão, a trama desenvolve bem o ator principal, mas tudo parece coadjuvante. Mesmo o possível nêmeses de Feio, Dr. Olimpo (que poderia render um antagonismo maior) fica apenas na representação bidimensional (e breve).

A revelação final, embora impactante, dá aquela sensação de querer saber mais. O que, no final das contas, não é ruim. Sinal de que Capitão Feio – Identidade merece continuação, para dar mais respostas e levantar outras perguntas.

Classificação:

4,0

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